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Eu quero ser uma dessas pessoas...

Sinto-me do lado dos antigos filósofos e modernos cientistas que defendem que trabalhar em prol da felicidade é um objetivo meritório. Segundo Aristóteles, "A felicidade é o significado e o propósito da vida, é todo o objetivo e finalidade da existência humana". Epicuro escreveu: "Temos de nos exercitar nas coisas que nos trazem felicidade porque, se ela estiver presente, temos tudo e, se ela estiver ausente, todas as nossas ações serão direcionadas para a a sua obtenção." A investigação contemporânea mostra que as pessoas felizes são mais altruístas, mais produtivas, mais úteis aos outros, mais simpáticas, mais criativas, mais resilientes, mais interessadas nos outros, mais amigáveis e mais saudáveis. As pessoas felizes dão melhores amigos, colegas e cidadãos. Eu quero ser uma dessas pessoas...

E não será mais simples do que se pensa? Vale a pena visionar...

Violência no namoro: nuvens passageiras ou sinal de tempestade?

Para a maioria das pessoas, a palavra “namoro” rima com paixão, amor, romantismo, período de ajustamento, apoio mútuo,…No entanto, algumas pessoas acrescentam, a este elenco de características, palavras como: controlo, humilhação, manipulação, medo,…

Violência no namoro: nuvens passageiras ou sinal de tempestade?
Toda a violência conjugal tem uma história e o seu início é geralmente insidioso e subtil. Na maior parte dos casos, a violência física é antecedida por um historial de agressões psicológicas de “baixa” intensidade, como, por exemplo: um dos parceiros impedir que o outro tenha contacto com determinadas pessoas; um dos parceiros ridicularizar, não prestar atenção ou humilhar publicamente o outro; ameaçar, gritar ou partir coisas para intimidar o outro; ceder frequentemente a pressões e exigências no campo sexual contra vontade própria (mais frequentemente as mulheres). Estes são alguns sinais de alarme que convém não ignorar. Quando a vítima insiste em pensar, contra todas as evidências, que vai conseguir mudar a personalidade do agressor, quando acredita que “depois do casamento as coisas vão mudar”, quando atribui às agressões masculinas a “forma de ser dos homens”, ou considera o ciúme “doentio” como uma prova de amor, está a desculpabilizar o comportamento violento, contribuindo para a sua manutenção.

FACTO
As agressões ocorrem, na maioria das relações, de forma cíclica e em intensidade crescente. Este ciclo de violência comporta 3 fases:
  1. FASE DE ACUMULAÇÃO DA TENSÃO, em que pequenos atritos se vão somando, gerando um acumular da ansiedade e da hostilidade;
  2. FASE DO EPISÓDIO AGUDO, em que a tensão acumulada dá lugar à explosão (de intensidade variável);
  3. FASE DA LUA-DE-MEL,  em que o arrependimento leva ao pedido de desculpas e à promessa de que a situação não vai repetir-se

Com o tempo recomeçam os episódios de acumulação da tensão, reiniciando-se o ciclo.

Como li algures “as nuvens de violência que pairam sobre um namoro poderão não ser passageiras: algumas vêm para ficar e anunciam uma vida conjugal tempestuosa.” 
Onde há violência não há amor.

PARA SABER MAIS:
Gameiro, J. (2004). "Nem contigo nem sem ti". Lisboa: Terramar.
Machado, C., Matos, M. & Moreira, A. I. (2003). "Violência nas Relações Amorosas: Comportamentos e Atitudes na População Universitária". Psychologica, 33, 69-83.
Morais, C. (2004). "Sobreviver à Crise Conjugal". Lisboa: Oficina do Livro.

DATAS| Hoje comemora-se o aniversário do psicólogo suíço Hermann Rorschach (Zurique, 8 Nov de 1884)

Enquanto psicóloga, não podia deixar passar em branco a data que hoje o Google faz questão de relembrar: o aniversário de Rorschach. Sabem quem foi? Já ouviram falar no Teste de Rorschach?
Herman Rorschach utilizou a perceção de formas inestruturadas como instrumento de diagnóstico. Aliás, que as formas inestruturadas podiam ser percecionadas de amneiras muito destintas era algo bem conhecido, antes dos borrões de tinta de Rorschach se tornarem parte integrante do equipamento de todo o psicólogo clínico. Uma ilustração é-nos fornecida pelo príncipe Hamlet:

HAMLET: Vedes aquela nuvem que tem quase o feitio de um camelo?
POLÓNIO: Por Deus, é de facto como um camelo.
HAMLET: Penso que é como uma doninha.
POLÓNIO: Tem o dorso como uma doninha.
HAMLET: Ou como uma baleia.
POLÔNIO: Muito parecido com uma baleia.
(Hamlet, Acto III, Cena ii)

Então, o que é o Teste de Rorschach? É uma técnica de avaliação psicológica pictórica, constituída por 10 cartões (5 desses cartões são a preto e branco, os outros cinco coloridos), comumente denominada de teste projetivo, ou mais recentemente de método de autoexpressão.

APLICAÇÃO E COTAÇÃO
Apresentam-se ao indivíduo os dez cartões, um a um, pedindo-se-lhe que diga o que vê, o que poderiam ser os borrões. Após a apresentação dos cartões, o examinador procede ao inquérito, interrogando o indivíduo sobre cada resposta, com o fim de verificar que parte do borrão foi utilizada e quais dos seus atributos determinaram a natureza da dita resposta.

A cotação faz-se segundo três categorias: localização, determinantes e conteúdo.
Localização: diz respeito à parte do borrão usada na resposta. Foi todo o borrão, um pormenor grande ou um pormenor pequeno?
Determinantes: são os atributos do estímulo que constituem a base da resposta, como sejam a forma, o sombreado ou a cor. É também classificado de determinante o movimento, categoria de cotação usada sempre que o indivíduo refere uma pessoa, um animal ou um objeto caracterizado como em movimento.
Conteúdo: refere-se ao que o indivíduo vê, em vez de onde ou como o vê. Entre as principais categorias de conteúdo, contam-se figuras humanas ou partes de figuras humanas, animais ou partes de animais, objetos inanimados, plantas, sangue, radiografias e outras.

INTERPRETAÇÃO
A interpretação é uma arte subtil que exige muito talento e mais ainda experiência. Posso, todavia, esboçar algumas das principais hipóteses relativas  a certos sinais de Rorschach. Por exemplo:
  • O uso de toda a mancha indica pensamento integrativo, conceptual;
  • O uso de uma elevada percentagem de pequenos pormenores sugere rigidez compulsiva;
  • Um uso relativamente frequente do espaço branco, que passa a ser figura e não fundo, é tido como sinal de rebeldia e negativismo.
  • As respostas que referem figuras humanas em movimento são consideradas como indicadores de imaginação e uma vida interior rica;
  • As respostas dominadas pela cor sugerem emotividade e impulsividade.
  • Não é surpreendente que as facas e corpos mutilados sejam geralmente encarados como indicadores de hostilidade.

Como sou daqueles casos que, nos dez cartões, vê borboletas, quando vi o seguinte cartoon comecei a rir feita tonta (mas tem piada!)...


DESEMPENHO E MOTIVAÇÃO

O que é que os melhores têm (para além das competências desportivas) que os outros não têm?
Têm níveis elevados de: Autoestima, Autoeficácia, Expetativas e Motivação/Determinação“Podes fazê-lo, só necessitas de um pouco de confiança”, é uma expressão muito familiar para os treinadores e desportistas.


O QUE É A AUTOEFICÁCIA?
Autoeficácia é a crença de que somos capazes de executar ou atingir determinados níveis de rendimento. 
O QUE É A AUTOESTIMA
O autoconceito é uma descrição do que o indivíduo sente acerca de si próprio; a autoestima dá um valor a esses sentimentos, representando uma autoavaliação da sua forma de ser ou estar; ou seja, a autoestima é o constructo que melhor representa o bem estar psicológico do sujeito.
 O QUE É A MOTIVAÇÃO?
É muito fácil um atleta sentir-se motivado quando os seus objetivos são atingidos (bons desempenhos desportivos, ausência de lesões, vitórias); difícil é continuar motivado quando as expetativas não são cumpridas, ou no surgimento de adversidades (injustiças, frustração, lesões graves).



MAS O QUE SIGNIFICA ESTAR MOTIVADO?
É a tendência para lutar pelo sucesso, de persistir face ao fracasso e experienciar orgulho pelos resultados conseguidos; é a direção (”sei o quero fazer, ter ou conseguir”) e intensidade (“envolvo-me com diferentes graus de intensidade, na direção que selecionei para a minha ação”) do esforço de um indivíduo.

Os julgamentos de autoeficácia determinam o nível de motivação, ou seja, é em função dos mesmos que o atleta tem o incentivo para agir e imprime uma determinada direção às suas ações, pelo facto de antecipar mentalmente o que pode realizar para obter os resultados. As crenças de autoeficácia influenciam o estabelecimento de metas, a quantidade de esforço e a perseverança em busca dos objetivos.
No contexto desportivo, um atleta motiva-se e envolve-se nas atividades, caso acredite que com os seus conhecimentos, talentos e habilidades poderá adquirir novos conhecimentos, dominar a técnica e melhorar as suas habilidades.

Com fortes crenças de autoeficácia, o esforço estará presente desde o início e ao longo de todo o processo, de maneira persistente, mesmo que sobrevenham dificuldades e contrariedades.
A compreensão da importância da autoestima, da autoeficácia e das expetativas no desempenho e motivação dos atletas é importante, atendendo  a que ajuda à formação especialmente de jovens atletas, que devem estar preparados para os momentos difíceis em que o corpo e a mente são testados ao máximo.


Acreditar no próprio valor e no sentido da perseverança e humildade, faz com que consigam ultrapassar os aparentes obstáculos e resistências aos seus progressos técnico, físico e mental.

A alta competição reside na boa formação dos atletas, essencialmente nos mais novos, daí a importância do trabalho de uma equipa multidisciplinar (psicólogo/treinador), cujo papel principal deve incidir na desdramatização tanto das vitórias como das derrotas, fazendo o jovem atleta concentrar-se na performance e na boa técnica.

“ A saúde mental positiva está diretamente correlacionada com o sucesso no desporto” (Morgan, 1985)


© Fotografias| Liliana Fernandes - Butterflies & Hurricanes
Contributo do blog para a página da equipa
Juvenis do Desportivo de Monção

FRASE DO DIA| Para quê tanto individualismo? ... mais cooperação, por favor!

Conhecem a história dos três ratinhos do campo?

Certa vez, andavam três pequenos ratos a correr por entre campos todos atarefados a preparar os mantimentos para o Inverno.
O primeiro rato andava atarefadíssimo em busca de provisões, acartando todo o tipo de grãos e sementes para a toca.O segundo rato andava à procura de coisas que o mantivessem quente, e levou muitas palhas e materiais fofinhos para a toca.E o terceiro rato? Continuava a andar nos campos de um lado para o outro a olhar para o céu, depois para a terra e depois deitava-se para descansar um pouco (simpatizo com esta criaturinha!!). Os seus dois companheiros diligentes criticaram-no dizendo: "És tão preguiçoso, não te prepares para o Inverno, vamos lá ver como é que depois te vais arranjar!"
O terceiro rato não fez qualquer tentativa de se explicar.
Mais tarde, quando o Inverno chegou, os três ratos do campo esconderam-se na pequena toca apertada. Não tinham falta de alimentos e dispunham de tudo o que precisavam para se manterem quentes, mas não tinham nada com que se entreter ao longo de todo o dia. Gradualmente, o tédio foi-se instalando, e não faziam ideia de como passar o tempo.
Assim, o terceiro rato começou a contar histórias aos outros dois: acerca de uma criança que uma vez, numa tarde de Outono, tinha encontrado nos limites do campo e do que a viu fazer, acerca de um homem que viu junto ao lago numa manhã de Outono e do que ele estava a fazer. Contou-lhes conversas que tinha tido e falou-lhes de uma canção que tinha ouvido um pássaro cantar...
Foi só então que os seus dois companheiros perceberam que este rato do campo tinha andado a "arrecadar luz do sol" para os ajudar a passar o Inverno.

MURAL DA HISTÓRIA: a cooperação permite: maximizar os talentos de cada um; trocas enriquecedoras de de experiências e papeis, maximizar a criatividade e produtividade; novas abordagens e soluções para velhos problemas; maior responsabilização individual; gosto pelas tarefas a desenvolver e maior motivação nas metas a atingir.

A vida é um encadeamento de relações. Nada existe por si só, tudo é interdependente.
Para quê tanto individualismo? Mais cooperação, por favor!


© Ilustração Mafalda Gomes| Texto Liliana Fernandes, in Agenda Heratless

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O hábito da prática desportiva é meio caminho andado para uma vida saudável

© Fotografia| Liliana Fernandes - Butterflies & Hurricanes

Eis algumas vantagens da prática de Exercício Físico desde a infância:
  • Minimiza o eventual aparecimento de problemas ao nível das competências nas diferentes fases do desenvolvimento, isto porque são promovidas e desenvolvidas várias aptidões sociais, emocionais e relacionais nesta aprendizagem.
  • Promove o bom desenvolvimento muscular, melhoria do funcionamento do sistema respiratório e circulatório e ainda para a prevenção de doenças.
  • Contribui para o aumento da flexibilidade, do equilíbrio, do controlo da postura, da agilidade e da orientação espacial.
  • Diminui a probabilidade de ocorrência de depressão e ansiedade no futuro e melhora o autoconceito.
  • Estimula o desenvolvimento de competências, tais como a autonomia, a cooperação e compreensão – competências essenciais para o desenvolvimento psicológico.
  • Promove um desenvolvimento infantil mas adequado e aumenta a interação com os pais, elucidando-os para o seu papel nas primeiras interações sociais.
  • Proporciona à criança o bem-estar físico, afetivo-social e intelectual, através de atividades lúdicas e de diferentes tipos de exercício físico, que promovem o desenvolvimento, estimulam a curiosidade, a descoberta, a espontaneidade, a cooperação, a construção de identidade, de autoimagem positiva e de autoestima positiva, de autoconfiança, da compreensão dos vínculos afetivos, da comunicação e interação social e ainda da harmonia.
  • Contribui para o desenvolvimento de competências sociais (postura, expressão facial e visual).


Em suma, as vantagens do exercício físico são evidentes, quer se trate de natação, dança, ou jogo, desde o recém-nascido até ao jovem.
Contributo do blog para a página da equipa
Juvenis do Desportivo de Monção

Entre a imaginação e a realidade: A Hipocondría

SER HIPOCONDRÍACO É...
Uma perturbação vista aos olhos da ciência
A Sociedade Americana de Psiquiatria define hipocondria como uma perturbação em que estão presentes as seguintes características em simultâneo:

  • Medo excessivo de ter uma doença, acompanhado por alguns sintomas.
  • A preocupação persiste apesar da avaliação médica se revelar negativa e do especialista assegurar que não há qualquer problema de saúde.
  • A situação leva a um estado de ansiedade e stresse que prejudica o comportamento do dia-a-dia em várias áreas (social, pessoal, profissional).
  • Mantém-se ao longo do tempo. Dura, pelo menos, seis meses.
O PÚBLICO-ALVO
A hipocondría é mais frequente entre as mulheres e surge principalmente entre os 30 e os 40 anos.

TESTE
Tendência para a hipocondria (descubra a probabilidade de vir a ter uma perturbação que é muito mais do que imaginação)
  1. Preocupação constantemente com a probabilidade de ter alguma doença grave?
  2. Sofre de dores e sintomas variados?
  3. Presta muita atenção a tudo o que acontece no seu corpo?
  4. Está muito preocupado/a com a sua saúde?
  5. Com frequência, tem sintomas de doenças muito graves?
  6. Se tem informação de alguma doença grave (através da imprensa, por exemplo) preocupa-se com a possibilidade de adoecer?
  7. Quando está doente, preocupa-se e incomoda-se se alguém diz que você já está melhor?
  8. Sente-se atingido por muitos sintomas diferentes?
  9. Custa-lhe a acreditar no médico quando ele afirma que não tem nenhuma doença?
  10. Tem a sensação de que as pessoas não levam a sério a sua doença ou queixas?
  11. Tem convicção de que a sua preocupação com a saúde é maior do que as dos seus amigos?
  12. Acredita que há algo no seu corpo que está a funcionar mal?
  13. Tem medo de ter alguma doença?
Avaliação: cada resposta afirmativa vale um ponto. Resultado igual ou superior a oito deve fazer com que questione a importância de procurar ajuda profissional.
Nota: Baseado no índice de Witeley

A EFICÁCIA DE UMA SOLUÇÃO porque a hipocondia tem tratamento
  • O tratamento da hipocondria tem duas componentes, a farmacológica e a comportamental.
  • Através da psicoterapia, psicólogos ou psiquiatras, procuram desconstruir a perturbação e todos os comportamentos que lhe estão associados.
  • Adaptando a terapêutica a cada caso, os psiquiatras têm como principais ferramentas farmacológicas os ansiolíticos e os anti-depressivos.
  • A duração do tratamento pode ir até um ano, mas este é, em geral, eficaz.
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MÚSICA DO DIA

BULLYING NO TRABALHO

Ao contrário do que muitas vezes se pensa o bullying não existe apenas nas escolas e universidades. Há uma tendência cada vez maior para que seja praticado no local de trabalho. Este tipo de bullying adulto surge, não raramente, camuflado, e nem sempre a autoestima em baixo das vítimas é capaz de o denunciar. Há estudos internacionais com números assustadores sobre este fenómeno que está a avançar em passos largos, uma vez que em época de crise, os casos de bullying nas empresas dispara.

PERFIL DO BULLY
  • Indivíduos com personalidade autoritária
  • Forte necessidade de controlar e dominar os outros
  • Défice de habilidades sociais
  • Ponto de vista preconceituoso sobre os subordinados ou colegas
  • Forte preocupação com a autoimagem
  • Empenho em ações obsessivas e rígidas

COMO ATUA?
  • Ameaça ao estatuto profissional: através da minimização da opinião profissional dos colaboradores, da humilhação pública de cariz profissional, de acusações de falta de empenho, da atribuição de tarefas impossíveis de cumprir.
  • Excesso de trabalho: através da pressão indevida, da atribuição de prazos impossíveis de cumprir, da perturbação contínua e desnecessária do ambiente de trabalho.
  • Instabilidade no local de trabalho: através da falta de reconhecimento quando o colaborador presta um bom trabalho, do esvaziamento de funções ou atribuição de tarefas depreciativas, estar sistematicamente a lembrar o colaborador de um erro cometido, campanha de desacreditação do colaborador face aos colegas.
  • Ameaça à posição pessoal: através de ataques verbais como por exemplo gritos, atribuição de alcunhas depreciativas, insultos, intimidação, comentários depreciativos que podem estar ligados à idade, ao corpo, ao estilo de vestir ou até à orientação sexual. Através de rumores maliciosos.
  • Isolamento do indivíduo: através da não permissão de acesso a oportunidades profissionais, isolamento físico e/ou social, omitir informação importante para a concretização das tarefas atribuídas, pressão sobre os restantes colaboradores para não se socializarem com a vítima de bullying
(dedicarei mais publicações a este tema)


Nos dias de hoje, “é-se jovem biologicamente até cada vez mais tarde e velho, socialmente, cada vez mais cedo.”

© Fotografia: Butterflies & Hurricanes
@ Lisboa
  • O Eurostat em Portugal indica que, entre 2010 e 2015, a percentagem da população com 65 anos e mais se manterá acima da dos jovens com 15 anos.
  • Segundo a OMS, apenas 30% dos idosos do mundo inteiro estão a beneficiar de reformas ou subsídios de velhice e invalidez, o que torna muito difícil a existência e os expõe a riscos acrescidos de violência, quer em ambiente familiar, quer institucional.
  • Face a esta faixa crescente de população, para a qual as estruturas sociais não parecem preparadas, várias preocupações se levantam, sendo as questões do abuso as mais “gritantes”.
  • O abuso no idoso pode assumir várias formas: física, sexual, emocional, abandono e negligência
  • É no seio da família que os maus tratos ocorrem com maior frequência. Apesar da escassez de estudos a este nível, as estatísticas da OMS indicam que 4 a 6% da população idosa tenha experienciado alguma forma de abuso em casa. No topo da lista dos agressores aparecem os filhos. Segundo o investigador José Ferreira-Alves, da Universidade do Minho, muitas vezes, os idosos são vítimas de violência por quem deles deveria cuidar.
  • Segundo estudo levado a cabo pelo investigador José Ferreira-Alves, o mau trato que mais prevalece é o abuso emocional. A realidade encontrada aponta para 40% a percecionarem solidão extrema, 27% refere não existir diálogo com a família direta, 22% afirma ser vítima de violência sempre sempre que discorda do cuidador, sendo que 14% refere ser ameaçado de colocação em lar. No que se refere à violência física, denotou-se mais prevalente em idades avançadas. A falta de óculos, de aparelhos auditivos e outros instrumentos de apoio médico é outro tipo de negligência, muitas vezes promovida pelo Estado.

A velhice é frequentemente conotada com : perda de aparência física, proximidade da morte, aumento da dependência, comportamento mais lento. Entre outras atitudes negativas, neste domínio é possível encontrar:
  • O “Automorfismo Social”, isto é, o não reconhecimento da unicidade do idoso;
  • A “Gerontofobia”, medo irracional de tudo o que se se relaciona com o envelhecimento e velhice;
  • O “Agism”, que se refere a todas as formas de discriminação com base na idade;
  • A “Infantilização”.

Todas estas atitudes impedem o reconhecimento das capacidades reais do idoso, do seu potencial, da sua força de recuperação, do seu juízo crítico, bem como da sua avaliação de vida.

Se o envelhecimento da população é uma aspiração natural de qualquer sociedade e, depois de esta continuamente desenvolver esforços no sentido de prolongar a vida humana, então oferecer condições adequadas aos idosos para viverem com bem-estar é um importante desafio que se coloca a toda a sociedade. A todos nós, portanto! 

Ser emocionalmente inteligente...

Inúmeras problemáticas têm por base uma iliteracia emocional; pessoas emocionalmente inteligentes conhecem-se a si, às suas emoções e são capazes de estabelecer relações empáticas com o outro. São capazes de adiar a recompensa, adequando comportamentos a contextos específicos. Esta competência é extrapolada para outras áreas da vida, que vão desde o aumento do rendimento escolar, à diminuição da violência ou mesmo à capacidade de estabelecer relações conjugais e laborais prazerosas.

Goleman (2003) considera que a inteligência emocional é a competência que as pessoas têm para se auto-motivar e fazer face às frustrações, para controlar os seus impulsos adiando o prazer da recompensa, para fazer autorregulação do estado de espírito impedindo que o desânimo controle ou reprima a capacidade de pensar, fomentado ainda o sentimento de empatia e de esperança. Para o autor, há evidências de que o QI não é alterável pelas experiências educacionais ou outras ao longo da vida, enquanto que, as competências a nível emocional são possíveis de ser desenvolvidas e aprimoradas. É neste sentido que considera que a educação deve evoluir no sentido da integração emocional, um educar para as emoções e para as múltiplas inteligências. Assim, há uma maior integração de alunos que são tão distintos entre si, aproveitando e desenvolvendo o melhor das suas capacidades.

Alzina (2000) refere que pode ser complicado ter um pensamento adequado quando se vivenciam determinadas circunstâncias problemáticas. Há que aprender a equilibrar os sentimentos e emoções pessoais para que não se reaja reactivamente e para que não ocorra um comportamento por condicionamento clássico (estímulo-resposta). Uma pessoa emocionalmente inteligente é aquela que tem uma atitude positiva perante a vida, sobrevalorizando aspetos positivos sobre os negativos, estabelecendo um equilíbrio entre tolerância e exigência, é alguém que está consciente das limitações próprias e das dos outros. É capaz de reconhecer, controlar e expressar os seus sentimentos e emoções, adequando as suas decisões e comportamentos de forma positiva. Integra a parte cerebral emocional e cognitiva procurando o equilíbrio. É alguém que é capaz de superar adversidades e frustrações, ajustando se necessário objetivos previamente definidos. Cultiva a sua autoestima, a motivação e o interesse pelos outros e pelas várias situações em que convive. Sabe dar e receber e tem capacidade de empatia, sendo capaz de se colocar no lugar do outro.

FONTES
Alzina, R. (2000). Educación y Bienestar. Barcelona: Editorial Práxis, S.A.
Goleman, D. (2003). Inteligência Emocional (12.º ed.). Lisboa: Temas Editoriais


Defendo a irradicação dos trabalhos de casa, os famosos TPC


Para que fique tudo claro desde início, genericamente sou contra os trabalhos para casa. Quer dos vulgares TPC que muitas crianças e adolescentes têm de realizar diariamente, quer os trabalhos que muitos adultos levam sistematicamente para casa do seu emprego.

Centrando-me nos primeiros, a minha opinião alicerça-se em três importantes variáveis temporais: o tempo dedicado pela criança ou adolescente às tarefas escolares, o tempo dedicado pela criança ou adolescente a outras tarefas, o tempo de convívio no seio da família.

A resposta a perguntas como “TPC sim ou não?”; “Devem ser passados diariamente TPC às crianças e adolescentes?”, ou ainda “Quanto tempo diário as crianças e adolescentes devem dedicar aos TPC?” deve estar dependente da resposta a outras preguntas prévias como: “Quais os objetivos que se querem alcançar com os TPC?”, “Quantas horas diárias passa a criança ou o adolescente na escola ou a realizar tarefas escolares?” ou “Quais as atividades extracurriculares em que a criança ou adolescente está envolvido?”

Os TPC como ferramentas para alavancar as aprendizagens (como os economistas agora gostam de dizer) são algo pobres, como se obrigar as crianças e adolescentes a realizar mais tarefas escolares fosse a melhor solução para combater o insucesso. O facto das crianças e adolescentes passarem mais tempo em torno das tarefas escolares significa apenas e só que elas passam mais tempo em torno de tarefas e não que elas vão conseguir aprender com os TPC aquilo que não conseguiram aprender na sala de aula. Os TPC parecem-me razoáveis nas situações em que as crianças e adolescentes têm apenas metade do seu tempo ocupado na escola (sou de manhã ou só à tarde), em que a repetição dos exercícios escolares fora da sala de aula pode potenciar a aprendizagem. Nas outras situações os TPC soam muito a, por um lado, a chutar para fora da escola aquilo que deveria ser uma das mais importantes tarefas a realizar em âmbito escolar: o desenvolvimento e a consolidação das aprendizagens. Tanto mais quando se sabe que não é a ocupar as crianças com TPC que se faz com que elas passam a ter melhor desempenho escolar.

Se pensarmos que é na brincadeira que se desenvolvem muitas e importantes competências cognitivas e relacionais (e a brincar pode-se aprender muita coisa, como a importância das normas e regras sociais), será razoável pedir TPC diários a crianças de 6 ou 7 anos que passam 8 a 10 horas por dia em contexto escolar? Nessas circunstâncias, os TPC assemelham-se muito ao levar trabalho para casa por parte dos adultos: e tanto direito têm elas ao descanso e á brincadeira, como nós temos direito à vida própria.

É certo que a escola é uma coisa séria. Só que a brincadeira também o é. Encontrar um equilíbrio bem ajustado não é fácil. Mas também não é uma missão impossível, principalmente nesta época em que se encontraram formas de conseguir conciliar a brincadeira e o lúdico com a aprendizagem. Veja-se a “Rua Sésamo”, que em todo o mundo foi/é uma verdadeira escola encarregue das primeiras aprendizagens da leitura e da aritmética.

Curiosidade: os meninos e meninas finlandeses (que frequentam o sistema de ensino educativo que atualmente serve de exemplo para o resto do mundo pelos bons resultados) vêm a “Rua Sésamo” e outros programas do género (paradoxalmente – ou talvez não – as crianças na Finlândia só entram para a escola aos 7 anos e, quando entram, já sabem ler).

Para mim, e em relação aos TPC, a situação ideal era eles não existirem. Esta é a minha humilde opinião.

Não resisti...Vamos Ginasticar?!
“Vem ginasticar, ginasticar…
É bom ginasticar, vamos lá praticar
Dá mais força ao coração. Sim, sim…
Pois então, tens razão…”

“Só pode amar e amar-se quem foi amado”


“(…) Depois, toda ela se adoçou, maternalmente. E se aproximou do marido, acatando-o no peito. E sentiu que já não era apenas o espreitar da lágrima. O seu homem se desatava num pranto. Vendo-o assim, babado, e minguado, minha mãe entendia que o velho, seu velho homem, queria, afinal, ser sua única atenção.

Conduziu-o pela mão, minha mãe o fez entrar e lhe mostrou o neto já dormido. Pela primeira vez, meu pai contemplou o menino como se ele acabasse de nascer. Ou como se ambos fossem recém-nascidos. Com desajeitadas mãos, o velho Zedmundo levantou o bebé e o beijou longamente. Assim, demorou como se saboreasse o seu cheiro. Minha mãe corrigiu aquele excesso e fez com que o miúdo voltasse ao quente do colchão. Depois o meu pai se enroscou no desbotado sofá e minha mãe colocou-se por detrás dele a jeito de o embalar em seus braços até que ele adormecesse.

Na manhã seguinte, ainda cedo, encontrei os dois ainda dormidos: meu velho no sofá e, a seu lado, o adiado neto. Minha mãe já tinha saído. Dela restara um bilhete rabiscado por sua mão. Não resisti e espreitei o papel. Era um recado para meu pai. Assim:
“Meu Zedmundo: durma comprido. E trate desse menino, enquanto eu vou à cidade.”
Entre rabiscos, emendas e gatafunhos, o bilhete era mais de ser adivinhado que lido. Dizia que meu pai ainda estava em tempo de ser filho. Culpa era dela, que ela já te esquecido: afinal, meu pai nunca antes fora filho de ninguém. Por isso não sabia ser avô. Mas agora, ele podia, sem medo, voltar a ser seu filho.
“Seja meu filho, Zedmundo, me deixe ser sua mãe. E vai ver que esse nosso neto nos vai fazer sermos nós, menos sós, mais avós.”"
Mia Couto in Fio das Missangas/O Adiado Avô

Foto: Butterflies & Hurricanes
(uso desta foto não autorizado)

Tal como defende Bandura, a ideia que os indivíduos têm de si mesmos deriva da forma como são tratados pelos contextos e pelo ambiente social. E aqui os pais ocupam um lugar priveligiado, pela ligação específica que o bebé e a criança vão estabelecendo com eles.
A socialização é uma rua de dois sentidos. Quando Coimbra de Matos nos diz que "só pode amar e amar-se quem foi amado" - numa sequência natural que inicia no ser-se amado (pelos pais), que passa pela capacidade de se amar (a si mesmo) para finalizar na possibilidade de amar o outro - possui subjacente a convicção de que os pais (os bons pais - biológicos ou adotivos, acrescenta ele) desempenham um papel fundamental no crescimento saudável e harmonioso do bebé e da criança, um papel onde a sua capacidade de amar incondicionalmente e a não exigência de retribuição desse amor são essenciais para que o seu filho desenvolva uma boa estima de si.

"Você é mais bonita do que pensa."

Quando falamos em imagem corporal, referimo-nos à perceção individual que cada pessoa tem do seu corpo, bem como à atitude que demonstra face à sua aparência. É, portanto, algo mais subjetivo do que objetivo. Na verdade, a imagem corporal que temos de nós próprios pode não corresponder àquela que os outros têm de nós. Aliás, é frequentemente mais negativa.

Pode ser lugar-comum criticar o corpo, mas nem por isso deixa de ser prejudicial fazê-lo, para além de outras consequências negativas, pode ocorrer a descentração face a outro género de qualidades (personalidade, valores e atos).
Mas… terá de ser mesmo assim? Será que não podemos ter uma imagem corporal positiva, aceitando-se imperfeições, valorizando encantos pessoais? Será que a referência que temos de usar é a imagem de perfeição irrealista que aparece na televisão e capas de revista?

Imagine-se sem matéria. Um círculo difuso. Interrogue-se sobre o que seria de admirar em si. Uma vez que é só espírito, vai ter que pensar em qualidades, princípios morais, carácter e inteligência. É fundamental considerar que a imagem corporal é apenas uma das dimensões da autoestima.
PENSE NISSO...

O que acabei de escrever está retratado na perfeição na seguinte campanha da Dove, que é verdadeiramente fantástica... Não deixem de assistir.
"As mulheres são as principais críticas em relação à sua própria beleza. Na verdade, apenas 4% da população feminina mundial se considera bonita. Dove assumiu o compromisso de incentivar uma auto-estima positiva e inspirar mulheres e meninas a atingir seu potencial máximo. Por isso, realizamos uma experiência que comprova algo muito importante:
Você é mais bonita do que pensa." 

Contadora de histórias

Que delícia! Quando dei por mim, estava com um sorriso estampado no rosto e a desejar que cette petite fille não parasse de contar a história...



Uma das formas de aproximar a criança do livro e posteriormente do gosto pela leitura é por meio do contar histórias infantis. Há diferenças significativas entre crianças com e sem estímulo de leitura. Crianças que não estão em ambientes que criam condições para a leitura, só narram factos do quotidiano, possuem repertório linguístico pobre, reproduzindo apenas histórias mais conhecidas, empregam frases segmentadas e baixo nível de criação de histórias, enquanto crianças estimuladas a ler acrescentam factos novos às narrativas e apresentam repertório linguístico variado.

Como já referi em publicações anteriores, a importância da história infantil está relacionada com diversos fatores: 1) EDUCATIVO: todos nós guardamos na memória as histórias que ouvimos e cada uma delas pode servir como uma lição moral, uma advertência; 2) INSTRUTIVO: até a matemática, com os seus cálculos e as suas frações, pode ser ensinada e apresentada sobre a forma de história; 3) ENRIQUECE o vocabulário, estimula a inteligência e desenvolve o pensamento infantil, cria condições para a aquisição de conhecimentos gerais, ampliando a experiência da criança. Possibilita, também, a socialização, e permite o estabelecimento de associações e generalizações, por analogia, entre o que ouve e o que conhece no seu dia-a-dia. 

Aprender a brincar



Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia do ser em desenvolvimento. O facto da criança, desde muito cedo poder comunicar por meio de gestos, sons e, mais tarde, representar determinado papel numa brincadeira, faz com que ela desenvolva a sua imaginação. Nas brincadeiras, as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como: atenção, imitação, memória e imaginação. Amadurecem, igualmente, algumas capacidades de socialização por meio da intenção, da utilização e da experimentação de regras e papeis sociais.

A brincadeira é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento da dimensão lúdica facilita o desenvolvimento pessoal, social e cultural e contribui, ainda, para a saúde física e mental.

Podemos, então, afirmar que a brincadeira é um grande laboratório que merece atenção dos pais, pois, é através dela que ocorrem experiências inteligentes e reflexivas, praticadas com emoção, prazer e seriedade. Através das brincadeiras é que ocorre a descoberta de si mesmo e do outro.

Frase do Dia: "Uma criança que lê, será um adulto que pensa"

SUGESTÕES:
Para ver


Uma deliciosa aula de sensibilização ambiental para miúdos e graúdos.

Sabiamente, José Saramago finaliza a história com  as seguintes interrogações:
"E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?"

Para ler
Há algum tempo publiquei:

"Os contos infantis são a chave para a compreensão do mundo" 

Segundo Wolfgang Mieder, os contos explicitam verdades sobre o ser humano, o que os torna atemporais e independentes de universos culturais específicos. Neles estão representados os problemas arquetípicos do ser humano, mas através de uma linguagem poética e simbólica.
Daí ser tão importante na educação das nossas crianças favorecer o acesso aos contos infantis e auxilia-las na identificação dos sistemas de valores neles representados...  - Continua  AQUI


"Era uma vez, os heróis de contos infantis..."

Ler contos infantis durante a infância auxilia o desenvolvimento das crianças a todos os níveis. Esse ato, aparentemente tão simples, pode estimular o desenvolvimento psicológico, cultural e emocional. E, ao permitir que a criança desenvolva a imaginação, vai estimulando, igualmente, a criatividade.
Os contos infantis propiciam à criança uma forma lúdica de aprender. Contribuindo para a sua formação, onde valores e costumes são transmitidos.
O "Era uma vez" dos clássicos contos infantis possibilita a identificação das crianças com as personagens, onde medos, angústias e conflitos podem ser trabalhados... -  Continua AQUI

Sobre a mentira...


Fugindo as Galinhas e o Galo de uma Raposa, subiram a uma árvore. Como a Raposa não poderia fazer-lhes mal lá de baixo, cautelosamente disse ao galo: Vocês podem descer tranquilamente, que agora decidiu-se fazer a paz universal entre todas as aves e animais; portanto, desçam aqui para festejarmos juntos este dia! O galo entendeu logo tratar-se de uma mentira; mas com dissimulação respondeu:- Esta novidade por certo é ótima e alegre, mas estou a ver três Cães a chegar; vamos esperar por eles e então desceremos para comemorarmos todos juntos. Porém a Raposa, sem mais esperar, deu meia volta dizendo:- Bem, eu temo que eles ainda não saibam das novidades e me matem. E assim a Raposa foi embora bem depressa e as Galinhas e o Galo ficaram seguros.

Fábula de Esopo, vertida do grego por Manuel Mendes, da Vidigueira. 

BRAGA, Teófilo. Contos tradicionais do povo português - vol. II. 
5.ed. Lisboa: Dom Quixote, 1999. p. 277.

A mentira pode significar muita coisa: uma proteção, uma forma de auto-preservação, uma necessidade... Pode justificar-se também pelas mesmas razões.
Na fábula de Esopo pode-se perceber que há uma maneira muito interessante de lidar com uma mentira: inventando outra. O galo preservou nada menos que a própria vida, inventando uma “peta” que salvou a sua pele e afastou a raposa mentirosa sem causar danos a ninguém. Aplicar uma boa mentira, nesse contexto, foi sensato. Contudo, nem sempre isso é possível. Muitos de nós não consegue ter essa presença de espírito e ressente-se de imediato ao ouvir uma mentira (quando é possível deteta-la). Além disso, ela geralmente tem consequências nocivas, efeitos prolongados e destrutivos. Quase todos nós tememos isso!

O mentiroso pode ser alguém com muitos recursos e imaginação fértil, mas que ao mesmo tempo fica prisioneiro de uma imagem, não faz laços, não se entrega.
Por definição: “mentir é negar o que se sabe ser verdade, proferir como verdadeiro o que é falso; degenerar...”
Mentir é iludir, enganar, despistar.
Segundo as estatísticas (citadas por Roque Theophilo), mentimos cerca de 200 vezes por dia e em média uma vez por cada 5 minutos.
Começando pelos falsos elogios - p.ex, essa saia fica-te mesmo bem -, passando pelas desculpas "esfarrapadas" - p.ex., não pude fazer os trabalhos de casa porque faltou a luz - ou pelas mentiras descaradas, chegam mesmo existir casos em que os pais, que parecem tão preocupados quando os filhos mentem, os incitam a mentir - p.ex. quando lhes pedem para dizer que eles não estão em casa.

A mentira pode surgir por várias razões: receio das consequências (quando tememos que a verdade traga consequência negativas), insegurança ou baixa de autoestima (quando pretendemos fazer passar uma imagem de nós próprios melhor do que a que verdadeiramente acreditamos), por razões externas (quando o exterior nos pressiona ou por motivos de autoridade superior ou por coação), por ganhos e regalias (de acordo com a tragédia dos comuns, se mentir trás ganhos vale a pena mentir já que ficamos em vantagem em relação aos que dizem a verdade) ou por razões patológicas.

A mentira pode surgir também como uma dependência - mitomania, quando dita de uma forma compulsiva. Os dependentes da mentira sabem que estão a mentir mas não se conseguem controlar, num processo que surge de uma forma muito semelhante ao do vício do jogo ou à dependência de álcool ou de drogas.
Esta incapacidade em controlar os impulsos é causadora de um sofrimento nítido razão pela qual deve ser alvo de tratamento. Nos dependentes da mentira, o primeiro passo a dar consiste em assumir que existe um problema e de seguida procurar ajuda para esse mesmo problema. A nível da abordagem terapêutica o tratamento passa geralmente pela realização de uma terapia psicológica.

Esquematizando:
Mentirosos compulsivos - Mitomania:
São aqueles que encontram desculpa para tudo e  mentem por tudo e por nada até ao ponto de perderem a noção deles mesmos e da quantidade de mentiras que inventam.
Nunca reconhecem que mentem porque eles mesmos acreditam nas suas mentiras.
Mentirosos "piedosos":
São aqueles que mentem  esporadicamente para sair de alguma situação  incómoda. Uma desculpa para não sair de casa, por exemplo.
Mentirosos de aparência:
São os que comentam sobre o seu carro último modelo, sobres as suas viagens ao" país do nunca", as suas  aventuras com as mulheres, quando na verdade nada disto aconteceu. 


Foto: Butterflies & Hurricanes
Con il mio amico Pinocchio @Milão 


Como nem sempre os narizes crescem!..., aqui ficam alguns sinais que nos podem ajudar a "apanhar" um mentiroso...Pois como já diz a sabedoria popular: "apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo"

Olhar
Reparar para onde o nosso interlocutor dirige o olhar enquanto fala. Se olha para o chão, se é esquerdino e olham para a direita (ou vise-versa) ou se pestaneja mais do que o habitual é provável que esteja a mentir.
Mãos
O mentiroso quando mente tem tendência a colocar as mãos nos bolsos, cruzar os braços ou colocá-las atrás das costas. 
Lábios
Tenta manter os lábios semi-serrados, estes gestos inconscientes servem para evitar  que se descubra a verdade.
Atitudes 
Atitudes pouco habituais. Se está mais carinhoso do que o  normal, se dá presentes sem ser nos dias especiais (ou quando não é uma conduta normal), se está sempre a falar de banalidades tentando não nos deixar falar, é sinal que algo de anormal se está a passar.

O neurologista norte americano Paul Ekman assegura que um olhar vago, a pupila dilatada, sobrancelhas franzidas ou uma abertura excessiva dos olhos, demonstra que individuo está a mentir. 
Quando se mente, a metade superior do rosto,  encobre menos os sentimentos, em contrapartida a parte composta pelas "buchechas", nariz e boca não sabe dissimular as mentiras.

Investigações sobre estes factos são muitas. Um estudo recente, com 130 participantes voluntários enquanto contavam factos verdadeiros e falsos, verificou-se que os que diziam a verdade tocavam menos vinte por cento das vezes no nariz ou nos cabelos do que os que mentiam.
Os mentirosos usam mais os gestos metafóricos, especialmente quando a mentira se encontra debaixo de suspeita. Movem mais as mãos, muitas vezes em gestos exagerados e tocam na área do coração como forma de manifestar o seu amor. Usam os gestos vinte cinco por cento mais vezes do que os que dizem a verdade. A investigação também demonstrou que utilizam gestos rítmicos, como reforçar alguma frase para enfatizar o seu comentário.