O QUE DIZEM OS ESTUDOS -- Aulas de música estimulam o saber


As aulas de música podem facilitar a aprendizagem nas crianças. De acordo com uma pesquisa publicada na revista científica online Brain, estas aulas podem ajudar a melhorar a memória e a capacidade de aprendizagem nas faixas etárias mais baixas, uma vez que promovem diferentes padrões de desenvolvimento do cérebro. A pesquisa envolveu dois grupos com idades entre os 4 e os 6 anos, um deles com aulas de música e o outro não. Estes dois grupos foram alvo de uma comparação durante um ano e os resultados revelaram que os que assistiram a aulas de música apresentavam um melhor desempenho nos testes de memória (estes estudos foram igualmente desenvolvidos para avaliar as habilidades da criança em alfebetização e matemática).

"Eu quero ser músico, nha dona!
E chegar à lua toda,
nos tamanhos que ela tem
Quero letras no meu mar
E aprender a ser doutor!"
                                                                                 Elisabete Simões

A minha pomposa teoria filosófica

Uma espécie de mensagem de Natal 
Gosto de sentir esta magia natalícia que já se vive aqui em casa. Há uns instantes atrás, sem me dar conta, comecei a vaguear pelas memórias dos Natais da minha infância… Recordo-me que era mágica aquela ansiedade infantil vivida antes de se iniciar todo o ritual de decorar a casa, enfeitar o pinheirinho e montar o presépio. Mas não havia nada de mais belo do que a euforia provocada pela expetativa da tão desejada chegada do Pai Natal…Eu e as minhas irmãs, a muito custo, mantínhamo-nos acordadas até à meia-noite do dia 24, e… “façam pouco barulho: - escutem, é ELE!”. Não havia excessos na generosidade do velhote de barbas brancas, mas fazia-nos sentir tão especiais! A minha mãe, como a minha mãe dava amor, cor e sabor àqueles Natais… Boas Memórias, Muitas Saudades (imensas)…
De facto, os “pensamentos são como as cerejas”, essa breve viagem ao passado, e fazendo uso da metáfora da minha primeira publicação, permitiu que se formasse uma nova “cadeia de bolinhas”, que é difícil de provar, mas que quero partilhar com vocês pois é aquilo em que eu acredito.
Acredito que tudo anda à volta do antes de e do “naqueles tempos”, que tudo gira em redor da antecipação do momento, mas não do momento em si, ao contrário do que nos diz a filosofia Zen!
Em alemão, existe uma bela palavrinha para isto: Vorfreude, que é ligeiramente diferente de “deleite” e de “prazer”. Digamos que é o “antes da alegria”, o “pré-gozo”, ou seja, o prazer de esperar pela chegada de um determinado momento, os estados de júbilo do tipo “mal posso esperar”, o esperar-desejar alguma coisa ou alguém…
Os sábios, os Dalai-Lamas, … dizem-nos que tudo está, supostamente, nos momentos – que devemos entesourar o momento e não nos importarmos com a continuação do tempo. Mas desde muito cedo, me apercebi de que, de alguma maneira, a beleza reside no tempo antes, na expectativa, na espera, na imagem imaginária, pintada na perfeição, desse instante no tempo. E então, depois que esse passou, num piscar de olhos, o que permanece connosco é a memória, o reflexo, a lembrança desse tempo.
Esperar pelo primeiro beijo pode dar-nos vagos arrepios de emoção pela espinha, mas quando acontece mesmo é um monte de moléculas em colisão – na verdade uma confusão. Em antecipação, o momento será glorificado pela inocência, pelo não saber. Na recordação, o momento será purificado pelos filtros da memória. E são estas fases, do antes e do depois, que sufocam por completo a monotonia diária.
Para pôr as coisas claramente: passem a vida na eterna felicidade de sempre ter alguma coisa para desejar, alguma coisa pela qual esperar, planos não realizados, sonhos que ainda não se transformaram em realidade. Tratem de ter sempre novas referências no horizonte, criem-nas deliberadamente. E, ao mesmo tempo, revivam as vossas memórias, sustentem-nas e acarinhem-nas, mantenham-nas vivas e partilhem-nas, falem acerca delas…
Façam planos e tirem fotografias!
Não tenho forma de provar que esta “pomposa teoria filosófica” está correta, mas antecipo intensamente o momento em que consiga prová-la e, quando o tiver feito, de certeza absoluta que jamais o esquecerei.

Afinal trata-se de um caso de..."Comichão Cognitiva"

Ultimamente, tenho sido invadida por uma necessidade incontrolada de cantarolar:
“One, two, three, four,
Can I have a little more,
Five, six, seven, eight, nine, ten,
I love you.
A, B, C, D,
Can I bring my friend to tea,
E, F, G, H, I, J,
I love you (…)”
Porque será que esta música não me sai da cabeça? Descobri que a campanha publicitária da Optimus provocou em mim um fenómeno designado de: “comichão cognitiva”.
Um estudo conduzido nos Estados Unidos mostrou que algumas músicas não saem da cabeça, porque provocam uma espécie de “comichão cognitiva”, apenas aliviada quando a canção é cantarolada várias vezes (acabamos de encontrar uma desculpa para aquelas ocasiões em que nos mandam parar de cantar!).

Na Alemanha, esse tipo de música denomina-se “ohrwurm” (“verme de ouvido”) e, carateristicamente, apresenta uma melodia otimista e letra repetitiva. É o caso, por exemplo, das músicas, já antiguinhas, “Y.M.C.A. “, dos Village People, e “Macarena”, dos Los del Rio, que obtiveram um grande êxito graças à capacidade de provocar a tal “comichão cognitiva”, segundo o professor James Kellaris, da Escola de Administração e Negócios da Universidade de Cincinnati. Os resultado preliminares da sua pesquisa foram apresentados numa conferência de psicologia do consumo. Os mais interessados são os responsáveis pela Indústria pop, preocupados com o acréscimo de vendas.


A simpática técnica de engate...



Hoje, por mero acaso, lembrei-me  do livro “A medusa e o caracol”, de Lewis Thomas. Nesse livro existe um artigo muito engraçado chamado: “Sobre o pensamento acerca do pensamento”. Sem perder tempo, vim para o computador e aproveitei o tema para esta minha primeira publicação!


No referido artigo, Thomas propõe uma metáfora alargada sobre o que é o pensamento. Diz ele que, em estado de vigília na nossa mente vão passando vagas noções, assim como se boiassem, livres como a liberdade, numa espécie de caldo sideral, assim como as estrelas. Essas noções têm forma de bolinhas, o que é de facto uma ideia muito engraçada, e têm dois ganchinhos a arrematá-las. De vez em quando, uma noção passa perto de outra, que tem um ganchinho compatível. As duas engatam-se. Continuando a girar. Volta e meia encontram mais um ganchinho compatível, voltam a engatar. A partir de certa altura, tantas noções já ligadinhas entre si formam uma outra coisa, mais consistente e que já não se vai satisfazer com qualquer ligação.
A essa coisa mais consistente Thomas chama de ideia.

Não pensem que a história acabou! Porque a ideia também gira, sempre de ganchinho pronto ao engate, mas cada vez mais seletiva naquilo que aceita agregar. Vai tendo mais peso, diz Thomas, e vai rodando mais devagar – o que é de todo natural: uma ideia, desde que nasça e queira desenvolver-se, é como qualquer outra coisa: exige tempo e calma.


Chegada a uma certa altura, a cadeia de bolinhas chamada de ideia já não recebe nenhuma bolinha nova. Ficou pronta, densa e nítida, com extensão quanto baste. A ideia passou a ser pensamento.
É assim que tem lugar a origem, pontual e pouco nítida, de qualquer pensamento. Nessa altura, quando as coisas ainda estão no campo das vagas noções rodando no espaço da mente, é difícil, senão mesmo impossível verbalizar. Esse pré-pensamento materializar-se em formas mistas de imagens e vagas lembranças verbais, assim como se fosse um sonho. Aliás, estarmos entregues à flutuação das noções é uma forma de devaneio, palavra com que designamos exatamente aquela interessante experiência de “sonhar acordado” (algo que conheço muito bem!!).

Nota n.º 1 – Foi este o percurso que as “minhas bolinhas” efetuaram até àquele momento em que verbalizei: “Estou a pensar criar um blog, valerá a pena amadurecer esta ideia?”
Nota n.º2 – Será assim, com tempo e calma, que as “minhas cadeias de bolinhas densas e nítidas”, a partilhar neste cantinho, irão nascer.

Não pensem que a história acabou! Porque agora entram vocês que vão querer conversar sobre os meus pensamentos. Aí, terão de fazer um percurso inverso do meu.

Vão, então, separar as partes do meu pensamento, para analisar, compreender e poder contra-argumentar ou reforçar a minha argumentação. Trarão ao de cima as ideias, e se eu tiver sorte, vocês dir-me-ão que os engates das minhas bolinhas são os melhores. Bingo para mim.
Mas vocês podem “escavacar” mais um pouco e puxar pelas noções. Separá-las umas das outras e, com as minhas noções, poderão chegar a um outro pensamento. Bingo para vocês!

Até breve!