"Professor Brazelton, qual é o seu lema no que diz respeito à educação?"

" Amor e Disciplina.
A disciplina é extraordinariamente importante. A disciplina é a segunda coisa mais importante que se pode fazer por uma criança. Depois do amor.
A disciplina não é castigar. A disciplina é ensinar. De cada vez que a criança faz algo de errado os pais têm uma oportunidade para ensinar. Se se limitam a castigar a criança, estão a perder essa oportunidade.
A disciplina é bastante frágil: seja porque as pessoas castigam ou porque não dizem às crianças: "é aqui que tens de parar; vou obrigar-te a parar até que tu saibas parar-te a ti próprio". E isso é disciplina.
Berry Brazelton
 (principal referência no campo da pediatria a nível mundial)

“Só pode amar e amar-se quem foi amado”

Uma questão de autoestima
Quando se fala de autoestima há algumas questões que se levantam: o que é a autoestima? Qual o seu impacto e influência nas experiências do dia-a-dia? Como é que se desenvolve e evolui? Como se pode transformar uma baixa numa elevada estima de si?
A autoestima é o valor autoatribuído, aceitação pessoal pelo próprio ou um sentimento de competência pessoal auto-percebida.
A autoestima, à semelhança de muitos outros conceitos psicológicos, é algo que se desenvolve no berço e nas interações com os outros indivíduos nos primeiros anos de vida. Tal como defende Bandura, a ideia que os indivíduos têm de si mesmos deriva da forma como são tratados pelos contextos e pelo ambiente social. E aqui os pais ocupam um lugar privilegiado, pela ligação específica que o bebé e a criança vão estabelecendo com eles.
As expetativas, desejos e sonhos que os pais desenvolvem em relação ao seu/a filho/a relacionam-se com aquilo que ele/a será ou terá no futuro: advogado, médico, cabeleireiro, bom atleta, autónomo, integro, franco e honesto, preocupado com a sua aparência, respeito pelos outros, resistência à doença …
É num medir de forças entre as expetativas, desejos e sonhos dos pais e os reais interesses, competências e capacidades dos filhos, que se pode desenvolver um sentimento de incompetência, uma imagem empobrecida de si e das suas capacidades e o sentimento de não gostar de si mesmo/a, o que se designa por baixa autoestima.
Quando Coimbra de Matos nos diz que “só pode amar e amar-se quem foi amado” – numa sequência natural que inicia no ser-se amado (pelos pais), que passa pela capacidade de se amar (a si mesmo) para finalizar na possibilidade de amar o outro – possui subjacente a convicção de que os pais (os bons pais – biológicos ou adotivos, acrescenta ele) desempenham um papel fundamental no crescimento saudável e harmonioso do bebé e da criança, um papel onde a sua capacidade de amar incondicionalmente e a não exigência de retribuição desse amor são essenciais para o que o seu filho desenvolva uma boa estima de si.
SABIA QUE:
  • Será mais sensível ao que o seu filho pensa e sente se conseguir colocar-se na sua pele.
  • É muito importante para o seu filho ser levado a sério.
  • As crianças cujos pais têm uma imagem negativa de si têm mais dificuldade em ver-se de forma positiva.
  • As crianças dos 6 aos 12 anos dão muita importância á sua aparência física; são particularmente sensíveis á atração suscitam e à aprovação dos outros
  • A forma como o seu filho se vê e se avalia influencia os seus atos.
  • Ter uma autoestima positiva é ser capaz de aceitar os seus limites e erros.
  • A opinião que o seu filho tem de si próprio influencia consideravelmente a sua propensão para ter êxito e uma vida feliz.
A tarefa dos pais não é fácil, nem simples, pois exige encontrar um equilíbrio entre a necessidade de impor regras e limites (que são fundamentais para o desenvolvimento da capacidade de estabelecer relacionamentos harmoniosos com os outros indivíduos) e proporcionar situações em que o seu filho/a desenvolva gradualmente a capacidade de viver a sua vida de forma autónoma, independente e com respeito pelos outros. E essa capacidade é tanto mais fácil de alcançar quanto mais a criança se sentir confiante nas suas capacidades.
REGRAS E LIMITES
  • As crianças sentem-se seguras quando lhes fixamos limites.
  • As regras são necessárias ao bom funcionamento de todo o grupo social, incluindo da família.
  • As regras devem ser estabelecidas em função da idade das crianças. E, acima de tudo, devem ter em conta as suas necessidades.
  • Após terem estabelecido as regras, é importante que os adultos prevejam as consequências que delas decorrem, positivas ou negativas…
  • Os pais são os primeiros modelos dos seus filhos
  • Uma relação de amor está na base de toda a disciplina
  • Nos períodos de crise, a criança deve verificar que o amor dos pais não diminuiu. Aprende assim a manter a sua autoconfiança, apesar das dificuldades com que se depara ao longo da vida.
Uma elevada autoestima pode ser considerada como um mecanismo mental que incentiva o indivíduo a aceitar novos desafios e o auxilia a ultrapassar os problemas que naturalmente se vão colocando ao longo da vida. Não é por acaso que Carl Rogers considerava que uma boa estima de si constitui um excelente protetor da sanidade mental.

SUGESTÕES DE LEITURAS
Laporte, D. & Sévigny, L. (2006). A auto-estima dos 6 aos 12 anos. Coleção Crescer & Viver. Lisboa: Climepsi.
Duclos, G. (2006). A Autoestima, Um passaporte para a vida. Coleção Crescer & Viver. Lisboa: Climepsi.

FOTO: Família Carvalho (parte da minha linda família!)

O QUE DIZEM OS ESTUDOS -- Aulas de música estimulam o saber


As aulas de música podem facilitar a aprendizagem nas crianças. De acordo com uma pesquisa publicada na revista científica online Brain, estas aulas podem ajudar a melhorar a memória e a capacidade de aprendizagem nas faixas etárias mais baixas, uma vez que promovem diferentes padrões de desenvolvimento do cérebro. A pesquisa envolveu dois grupos com idades entre os 4 e os 6 anos, um deles com aulas de música e o outro não. Estes dois grupos foram alvo de uma comparação durante um ano e os resultados revelaram que os que assistiram a aulas de música apresentavam um melhor desempenho nos testes de memória (estes estudos foram igualmente desenvolvidos para avaliar as habilidades da criança em alfebetização e matemática).

"Eu quero ser músico, nha dona!
E chegar à lua toda,
nos tamanhos que ela tem
Quero letras no meu mar
E aprender a ser doutor!"
                                                                                 Elisabete Simões

A minha pomposa teoria filosófica

Uma espécie de mensagem de Natal 
Gosto de sentir esta magia natalícia que já se vive aqui em casa. Há uns instantes atrás, sem me dar conta, comecei a vaguear pelas memórias dos Natais da minha infância… Recordo-me que era mágica aquela ansiedade infantil vivida antes de se iniciar todo o ritual de decorar a casa, enfeitar o pinheirinho e montar o presépio. Mas não havia nada de mais belo do que a euforia provocada pela expetativa da tão desejada chegada do Pai Natal…Eu e as minhas irmãs, a muito custo, mantínhamo-nos acordadas até à meia-noite do dia 24, e… “façam pouco barulho: - escutem, é ELE!”. Não havia excessos na generosidade do velhote de barbas brancas, mas fazia-nos sentir tão especiais! A minha mãe, como a minha mãe dava amor, cor e sabor àqueles Natais… Boas Memórias, Muitas Saudades (imensas)…
De facto, os “pensamentos são como as cerejas”, essa breve viagem ao passado, e fazendo uso da metáfora da minha primeira publicação, permitiu que se formasse uma nova “cadeia de bolinhas”, que é difícil de provar, mas que quero partilhar com vocês pois é aquilo em que eu acredito.
Acredito que tudo anda à volta do antes de e do “naqueles tempos”, que tudo gira em redor da antecipação do momento, mas não do momento em si, ao contrário do que nos diz a filosofia Zen!
Em alemão, existe uma bela palavrinha para isto: Vorfreude, que é ligeiramente diferente de “deleite” e de “prazer”. Digamos que é o “antes da alegria”, o “pré-gozo”, ou seja, o prazer de esperar pela chegada de um determinado momento, os estados de júbilo do tipo “mal posso esperar”, o esperar-desejar alguma coisa ou alguém…
Os sábios, os Dalai-Lamas, … dizem-nos que tudo está, supostamente, nos momentos – que devemos entesourar o momento e não nos importarmos com a continuação do tempo. Mas desde muito cedo, me apercebi de que, de alguma maneira, a beleza reside no tempo antes, na expectativa, na espera, na imagem imaginária, pintada na perfeição, desse instante no tempo. E então, depois que esse passou, num piscar de olhos, o que permanece connosco é a memória, o reflexo, a lembrança desse tempo.
Esperar pelo primeiro beijo pode dar-nos vagos arrepios de emoção pela espinha, mas quando acontece mesmo é um monte de moléculas em colisão – na verdade uma confusão. Em antecipação, o momento será glorificado pela inocência, pelo não saber. Na recordação, o momento será purificado pelos filtros da memória. E são estas fases, do antes e do depois, que sufocam por completo a monotonia diária.
Para pôr as coisas claramente: passem a vida na eterna felicidade de sempre ter alguma coisa para desejar, alguma coisa pela qual esperar, planos não realizados, sonhos que ainda não se transformaram em realidade. Tratem de ter sempre novas referências no horizonte, criem-nas deliberadamente. E, ao mesmo tempo, revivam as vossas memórias, sustentem-nas e acarinhem-nas, mantenham-nas vivas e partilhem-nas, falem acerca delas…
Façam planos e tirem fotografias!
Não tenho forma de provar que esta “pomposa teoria filosófica” está correta, mas antecipo intensamente o momento em que consiga prová-la e, quando o tiver feito, de certeza absoluta que jamais o esquecerei.