Todos temos o mesmo objetivo na vida: SER FELIZ.

Felicidade. Qual a sua definição? Quais as suas causas? Como atingi-la?

A felicidade não pode ser universalmente definida. Sendo relacionada à alegria e ao prazer, cada um tem a sua maneira própria de a atingir.
Pode-se ser feliz com a riqueza, a beleza, o conhecimento, o reconhecimento, as relações interpessoais...
Provocar e promover felicidade aos outros também pode surgir como fonte de felicidade individual. O nosso amor-próprio não pode ser separado do nosso desejo de ser amado, assim amar e ser amado, ou ajudar e ser ajudado, pode provocar sentimentos positivos, de bem-estar e, consequentemente, felicidade.

A realização da felicidade resulta da satisfação dos nossos sonhos e desejos, depende do sentimento de prazer e desprazer de cada um; e no mesmo indivíduo esse sentimento pode mudar com o tempo.

A felicidade pode resistir às adversidades da vida, só precisamos de sabedoria para avaliar as situações pela perspetiva mais positiva e construtiva.

Todos temos sonhos, projetos, ambições e desafios... a felicidade está no equilíbrio entre esses sonhos e a nossa capacidade em os atingir. Por exemplo, se a distância entre o que queremos e o que conseguimos for excessiva ficamos desiludidos, desanimados, ansiosos, irritados. Se a distância for muito reduzida, numa primeira fase ficamos calmos e tranquilos mas rapidamente ficamos entediados e limitados. Assim, para mim, a felicidade está em encontrar a distância certa entre o que se quer e o que se consegue.

Mas ... a felicidade é efémera, é um processo, é dinâmica, e não é um estado permanente ou um lugar onde se chega e não se faz mais nada.
Depende de nós passar a maior parte do tempo possível a usufruir, saborear e planear novas sensações de felicidade...

Como diria o imortal Tom Jobim: A felicidade é como uma gota de orvalho numa pétala de flor, brilha tranquila, depois de leve, oscila e cai, como uma lágrima de amor (…). A felicidade é como uma pluma que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve: precisa que haja vento sem parar. A minha felicidade está sonhando (…), e como esta noite, passando, passando, em busca da madrugada...
A tristeza não tem fim, a felicidade sim..."


Só para relembrar! A felicidade é algo pelo qual temos de lutar e procurar ... E nada é mais útil ao homem do que o próprio homem … pois na vida tudo pode acontecer, e sobretudo pode não acontecer absolutamente nada, tudo depende de nós enquanto realizadores (e atores!) do filme da nossa vida.

Os desafios da diferença


“Somos todos filhos do cosmos, mas transformamo-nos em estranhos através do nosso conhecimento e da nossa cultura”. -- Edgar Morin
No século XVIII, Voltaire, disse: “os chineses são iguais a nós, têm paixões, choram”. Herbert, o pensador alemão, afirmou:” entre uma cultura e outra não há comunicação, os seres são diferentes”. Afirmações polémicas?...Os dois tinham razão, mas na realidade essas duas verdades têm que ser articuladas. Nós temos os elementos genéticos da nossa diversidade e, é claro, os elementos culturais da nossa diversidade.
Hoje, perante uma sociedade multicultural, é preciso lembrar que rir, chorar, sorrir, não são atos aprendidos ao longo da educação, são inatos, mas modelados de acordo com a educação/cultura…
Falar de multiculturalidade é falar de diferenças: de língua, de religião, de costumes, …; é falar de uma cultura que acolhe outras culturas.
PALAVRA-CHAVE: Diferença. E a diferença constitui-se como um desafio.
O desafio de aceitar e respeitar a diferença. Perceber que não há culturas melhores que outras, mas que há apenas culturas diferentes.
A diferença é um valor que nos enriquece. Conhecer outras culturas, outras formas de estar e de pensar a realidade só nos valoriza e torna-nos mais capazes para nos aproximarmos e compreendermos o outro.
O respeito não passa só pela cultura que recebe, pela sociedade que acolhe. O respeito passa também pela cultura que é recebida, pelo indivíduo que é acolhido. Também ele tem de respeitar as regras da cultura, da sociedade que o acolhe.
O respeito é mútuo. Cabe a cada uma das partes não gerar um confronto de culturas, mas fomentar e construir um encontro de culturas e saberes.



  LÁGRIMA DE PRETA

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)
                                                        e cloreto de sódio.    (António Gedeão)

SUGESTÃO: http://www.acidi.gov.pt/

Memorizarção, em vias de extinção!!

No livro “A Arte de Memorizar”, de Joshua Foer, encontramos um capítulo intitulado: “O fim do recordar”, no qual é abordada a história da memorização, e é curioso constatar como esta faculdade humana foi perdendo “protagonismo”. 
Antes da invenção da imprensa, por exemplo, as poucas pessoas que tinham acesso a livros, os quais eram manuscritos, não tinham, em regra, a oportunidade de os consultar mais do que uma vez. Era necessário memorizar o seu conteúdo. A transmissão oral de conhecimentos era, pela inexistência de outros meios, importante e necessária.
Como atualmente possuímos diversos mecanismos externos de armazenamento de informações (cadernos, livros, telemóveis, computadores e a própria internet), os mecanismos internos de memorização foram-se tornando irrelevantes. Não precisamos mais de memorizar o telefone de ninguém, temos o telemóvel para isso; nem de saber a data de aniversário dos nossos amigos, pois o Facebook sabe; nem de guardar qualquer informação específica aprendida em sala de aula, afinal é só pesquisar no Google e encontrámos a informação em poucos segundos...
Foer afirma que "… estamos acostu­mados a não lembrar… dependemos tanto da tecnologia que não confiamos na nossa memória".

EMOÇÕES


As emoções são um GPS fantástico…


Acho que somos todos mal-educados. Todos tivemos uma educação judaico-cristã, uma educação positivista que, em muitos aspetos foi importante, mas que criou um vício de forma muito cartesiano que nos leva a imaginar que, quanto mais racionais, melhores pessoas. Fomos todos mal-educados para as emoções. Ainda continuamos a achar que ter raiva é uma coisa feia, como se a raiva não fosse o melhor ansiolítico do mundo. Quem assume que tem ódio de vez em quando? E o ódio só acontece quando alguém que nos ama nos magoa muito. As emoções são um GPS fantástico que temos na nossa vida e nós somos educados para reprimir as emoções. Quando reprimimos as emoções, além dos efeitos neurológicos que isto provoca, vai introduzir uma coisa que é pior: à medida que não transformamos as emoções em palavras, passamos a ficar partidos ao meio. Sentimos tudo, somos tremendamente intuitivos, mas depois deixamos de aprender a falar. Quanto menos somos educados para as emoções, menos educados nos tornamos para as palavras e mais começamos a adoecer.” – Eduardo Sá