Autismo

O autismo é uma das mais graves perturbações de desenvolvimento da criança, que resulta numa incapacidade que se prolonga durante toda a vida. Manifesta-se através de dificuldades muito especificas ao nível da interação social, da aquisição e uso convencional da comunicação e da linguagem, pela restrita variedade de interesses e alterações do comportamento.
Estas perturbações, estão geralmente associadas a dificuldades em utilizar a imaginação, em aceitar alterações de rotinas, a um défice de atenção e de concentreção, à falta de motivação e à exibição de comportamentos estereotipados, implicam também um défice na flexibilidade de pensamento e um modo de aprender peculiar.

SUGESTÕES:
Filme: "Loucos e Apaixonados" (2005)
Antes de mais, queria salientar que o título original do filme  é "Mozart and the Whale", estando em sintonia com o filme e sendo uma metáfora correspondente a cada uma das personagens protagonistas. "Loucos e Apaixonados" parece-me um pouco descabido e a utilização do termo "loucos" infeliz.
De qualquer das maneiras, e adaptações ingratas à parte, queria falar sobre este filme, que é interessante e importante para o público em geral e especialmente para quem se interessa por psicologia. Apesar de ser, no geral, uma ficção em forma de comédia romântica, "Mozart and the Whale" baseia-se na história, vida e dados verídicos de um casal em que ambos sofrem da Síndrome de Asperger. No filme, Donald (Josh Harnett) forma um grupo no qual indivíduos com diferentes tipos de autismo se juntam para fazer atividades, conversarem, conviverem, enfim, para terem companhia. É assim que conhece Isabelle (Radha Mitchell), e rapidamente começa uma história de amor, mas que, devido às dificuldades relacionais de cada um, não se adivinha fácil.
Através de uma versão algo romantizada e "hollywoodesca", vemos estes dois jovens a chocarem entre si, a se encontrarem de novo, a desistir e voltar a tentar, sendo sempre acompanhados pelos membros do grupo, algo invulgares. Por entre os elementos típicos deste tipo de filmes, são-nos dadas a conhecer algumas das características das pessoas com esta síndrome: o facto de, muitas vezes, terem aptidões fora do normal (Donald é obcecado por números e é eximio em matemática), a rotina necessária no seu dia a dia, o medo da mudança, a ligação aos animais, as dificuldades de integração social. Tudo isto exposto de forma bonita, comovente e mesmo desmistificadora do preconceito relacionado com alguns tipos de autismo. O próprio Jerry Newport, em quem a personagem de Donald é baseada, ajudou o argumentista, o que traz mais beleza e veracidade à história.
Como qualquer filme a tender para o comercial, temos muitos momentos em que os alegados "loucos" afirmam inocentemente coisas que os supostos "sãos" não têm simplicidade para compreender. A chamada "estalada de luva branca" que resulta na perfeição.
Enfim, é para ver (ou rever) para crer, compreender, conhecer, analisar e criticar.


Livro: O menino e o Cavalo. Autor Rupert Isaacson.
Autor de reportagens sobre viagens publicadas em prestigiados jornais e revistas, Rupert Isaacson, britânico a residir no Texas, utiliza a capacidade descritiva própria do jornalismo de género para partilhar a aventura mais importante da sua vida: uma viagem de cavalo pela Mongólia, na companhia da mulher, Kristin, e do filho, Rowan. O relato fascinante de um pai que descobre, por acidente, que o contacto do filho autista de cinco anos com Betsy, uma égua trigueira, desperta na criança reacções de afecto e progressos linguísticos.

Movido pela força do amor, Rupert ambiciona partir «para lá do Sol-posto», procurando juntar o poder curativo dos animais com o dos xamãs mongóis, os únicos elementos que exerceram alguma mudança no comportamento de Rowan. Durante muito tempo, Kristin, professora catedrática de Psicologia Clínica, mostra-se céptica face às ideias do marido, mas, cansada de submeter o filho a dezenas de terapias sem quaisquer resultados, sente que não tem nada a perder.

Além do receio das tempestades neurológicas de Rowan perante situações imprevisíveis, esta família, à beira da ruptura, carrega na bagagem a esperança de retirar o filho do seu mundo distante e incompreensível. «Oitenta por cento dos casais com filhos autistas, separam-se. Era fácil perceber porquê», escreve o autor.

Em permanente desespero para ajudar Rowan desde que confirmaram o seu autismo, aos 18 meses, estes pais reaprendem a sentir o espírito da aventura que os juntou e descobrem, que afinal, há lugar para os sonhos.

A cada passo de viagem, Rowan deixa o seu mundo fechado para partilhar emoções.

Um exemplo de coragem, apresentado com uma narrativa descontraída, mas profunda, que pode ajudar outras famílias com o mesmo problema.
Um livro que nos prova que, na vida, não existem impossíveis, por mais firmes que nos pareçam os obstáculos..
Trailer do livro:

Solidão

(...) Antes que o sol se vá
Como um gesto de agonia
Cairás nos olhos meus
Soledad

Indiazinha,
Indiazinha tão sentada
Na cinza do chão deserta
Que pensas, não pensas nada!
Soledad,
Soledad,
Que a vida é toda secreta.

Como estrela,
Como estrela nestas cinzas
Antes que o sol se vá
Nem depois não virá Deus
Soledad,
Soledad,
Nem depois não virá Deus (...)
-- Poema de Cecília Meireles



Pesquisadores da Universidade de Chicago concluem que a solidão é tão prejudicial à saúde, ao bem-estar físico e mental como a obesidade ou o vício de fumar.
A sensação de rejeição aumenta a pressão sanguínea, o nível de stresse e a probabilidade de desenvolver Alzheimer. Os solitários também têm dificuldade para dormir e uma diminuição de glóbulos brancos no sangue – o que prejudica o sistema imunológico. Consequentemente, causam perturbações psicológicas e isolamento social.
SUGESTÃO
Livro: Nagasáqui de Éric Faye, Gradiva Publicações.
Individualismo e solidão. Onde começa um e onde acaba o outro? Convivem de mãos dadas? Este romance fala disso mesmo. Relata a história de um homem que vive isolado numa casa silenciosa, perto dos estaleiros de Nagasáqui. Não gosta do canto das cigarras mas aprecia a ida, diariamente, à estação meteorológica da cidade. Conta escrupulosamente e regista os mantimentos que guarda no móvel da cozinha, até porque ele sabe que neste mundo os imprevistos, ainda que possam ser previstos, acontecem…

Filho único. O risco de criar um pequeno ditador existe

Caprichosos, mimados, egocêntricos. A lista de adjetivos é interminável quando falamos de filhos únicos.
MAS SERÃO ESSAS CACTERÍSTICAS COMUNS A TODAS AS CRIANÇAS QUE CRESCEM SEM IRMÃOS?
Num século em que a maioria dos casais opta por ter apenas um filho, os especialistas sublinham a importância dos limites, regras e afetos na educação. Ao contrário do que se possa pensar, um filho único pode representar um desafio maior do que gerir uma família numerosa. O risco de criar um pequeno ditador existe, mas é contornável com bom senso e imposição de limites. Estejam atentos: transformar o vosso(a) filho(a) numa criança responsável, sociável e com autoestima elevada só depende de vocês.
Não existem “famílias ideais” ou um número ideal de filhos por casal. Um filho único não tem necessariamente que ser um pequeno ditador, impertinente e intolerante. Tudo depende da educação e da relação que se estabelece entre pais e filhos: as pessoas são bastante complexas e, nessa medida, uma característica da história pessoal não dita o futuro.
Há especialistas que têm uma visão mais radical. Na opinião destes, é frequente que os filhos únicos sejam arrogantes e com sentimentos de grandeza. Defendem que (os filhos únicos) têm mais dificuldade em temperar o seu egoísmo natural. Paralelamente, os filhos únicos podem também ser crianças demasiado tímidas e introvertidas, por não terem passado por um processo de socialização que a existência de irmãos permite.
Para contrariar esta tendência, e para que a criança se sinta bem consigo própria, é fundamental que os pais sejam dialogantes e envolventes. Assim, tentem proporcionar ao vosso(a) filho(a) um ambiente rico em estímulos e sentimentos positivos. Transmitam-lhes valores e regras que o(a) ajudem a crescer de forma equilibrada, responsável e aberta ao mundo e, sobretudo, não cometam os exageros comuns da superproteção. Imponham limites, mas concedam também alguma liberdade: tropeçar, cair, errar e voltar a erguer-se são contrariedades que fazem parte do crescimento.
VANTAGEM DE SE SER FILHO ÚNICO: maior atenção e tempo recebidos por parte dos pais.
DESVANTAGEM: isolamento em que a criança pode viver, caso os pais tenham vidas muito ocupadas. Ela terá de brincar e passar muito tempo sozinha, podendo desenvolver sentimentos de desamparo e abandono.
A criança que tem irmãos vive desde cedo a experiência do ciúme e da partilha, uma vez que tem um “rival” face ao amor dos pais, enquanto o filho único concentra em si toda a atenção de ambos, para o bem e para o mal.
Assim, a forma como um filho é desejado e criado não depende da quantidade ou inexistência de irmãos, mas da educação e relação que se estabelece com ele.

O QUE DIZEM OS ESTUDOS -- O stresse crónico pode causar depressão

Qual a relação entre a ansiedade, o stresse e a depressão? Será o stresse causa ou consequência da depressão? Pesquisas recentes sugerem que o stresse  crónico pode ser um desencadeador  e não um sintoma da depressão. As pessoas com depressão tendem a possuir níveis elevados de hormona humana do stresse – o cortisol – , contudo não era totalmente claro se tal era causa ou efeito da depressão. Novos estudos com ratos demonstraram que a exposição por períodos prolongados ao cortisol pode de facto levar à depressão. Neste estudo, os ratos foram expostos a doses agudas (24 horas) e crónicas (entre 17 a 18 dias) da hormona do stresse dos roedores – a corticosterona. Comparados com os ratos expostos por um pequeno período de tempo, os resultados sugeriram que os ratos com uma exposição crónica estavam mais receosos e menos dispostos a explorar o seu novo ambiente. Estes demoraram muito mais tempo a sair de um pequeno compartimento escuro para um espaço aberto e bem iluminado (teste comportamental muito utilizado para avaliar a depressão nos animais). Segundo a equipa de investigação de Harvard Medical School, a descoberta pode ajudar a melhorar significativamente o tratamento da depressão.