Um bom desafio. Bom humor. Gente educada. Abraço apertadinho (e sincero). Escrever. Café quentinho. Gentileza. Perfume. Praia no início da manhã. Família. Uma boa piada. Música (muita e variada). O sorriso da minha afilhada. Livrarias. O cheiro de um livro novo. "TU". Os meus "leitores". Céu estrelado. Sexta-feira à noite. Ter saúde. Tardes de Inverno no conforte de casa. A liberdade. As covinhas da Maria! Dizerem que me querem bem. Ler à noite. O silêncio. Uma bela história de encantar. Olhar para o mar. A minha independência. Poder ajudar. A criatividade. Gente de bem com a vida. Sapatos (muitos!). O poder de decisão. Oito horas de sono. Livros. Ouvir o outro. O amor eterno da minha mãe (saudades). Ir ao cinema. Uma boa surpresa. O meu sobrinho pedir-me que lhe conte uma história ("Li tória, Li tória"). Um banho demorado. Um bom filme. Gente humilde. Viajar. Pessoas que sabem elogiar. Telefone no silêncio (!). Receber e dar miminhos. Ficar sem fazer nada (viva o ócio!). A psicologia. A amizade. Um bom pequeno-almoço. Integridade. Acordar tarde aos sábados. Cheiro a terra molhada. Pagar todas as contas do mês (e ainda sobrar dinheiro). A arte. O profissionalismo. Gente com atitude. Gente otimista. Homens bem resolvidos. Mulheres que se valorizam. Conversar só com o olhar. Beijo. Colecionar frases. Caminhadas. Sol de Inverno. As pequenas e as grandes conquistas. A natureza. Conversar com crianças. Pensamento mágico das crianças. Letras de música que falam por mim. Ver que alguém lavou a louça da cozinha (e não fui eu!). Lençóis cheirosos na cama. Casa arrumadinha. Carro limpinho. Fazer um “ok” em todos os itens do dia na minha agenda (é raro, mas acontece). Pessoas autênticas. Cantar enquanto conduzo. Céu azul. Uma boa conversa. Sentir-me em paz. Sentir amor. Acreditar (sempre!). E o melhor: saber que esta lista apenas começou…
Vale a pena efetuar este exercício, EXPERIMENTEM!! Afinal, não é preciso muito para que existam coisas extraordinárias na vida…
A criança/indivíduo é um ser bio-psico-social. Portanto, a nossa personalidade tem uma base biológica, mas, ao longo do nosso desenvolvimento, vamos moldando-a em função do meio (e os primeiros anos de vida são fundamentais) … Como já referi numa publicação anterior, as crianças “não são o melhor do mundo”, mas O MELHOR (ou o pior) de nós mesmos…Children see, children do.
O autismo é uma das mais graves perturbações de desenvolvimento da criança, que resulta numa incapacidade que se prolonga durante toda a vida. Manifesta-se através de dificuldades muito especificas ao nível da interação social, da aquisição e uso convencional da comunicação e da linguagem, pela restrita variedade de interesses e alterações do comportamento.
Estas perturbações, estão geralmente associadas a dificuldades em utilizar a imaginação, em aceitar alterações de rotinas, a um défice de atenção e de concentreção, à falta de motivação e à exibição de comportamentos estereotipados, implicam também um défice na flexibilidade de pensamento e um modo de aprender peculiar.
SUGESTÕES:
Filme: "Loucos e Apaixonados" (2005)
Antes de mais, queria salientar que o título original do filme é "Mozart and the Whale", estando em sintonia com o filme e sendo uma metáfora correspondente a cada uma das personagens protagonistas. "Loucos e Apaixonados" parece-me um pouco descabido e a utilização do termo "loucos" infeliz.
De qualquer das maneiras, e adaptações ingratas à parte, queria falar sobre este filme, que é interessante e importante para o público em geral e especialmente para quem se interessa por psicologia. Apesar de ser, no geral, uma ficção em forma de comédia romântica, "Mozart and the Whale" baseia-se na história, vida e dados verídicos de um casal em que ambos sofrem da Síndrome de Asperger. No filme, Donald (Josh Harnett) forma um grupo no qual indivíduos com diferentes tipos de autismo se juntam para fazer atividades, conversarem, conviverem, enfim, para terem companhia. É assim que conhece Isabelle (Radha Mitchell), e rapidamente começa uma história de amor, mas que, devido às dificuldades relacionais de cada um, não se adivinha fácil.
Através de uma versão algo romantizada e "hollywoodesca", vemos estes dois jovens a chocarem entre si, a se encontrarem de novo, a desistir e voltar a tentar, sendo sempre acompanhados pelos membros do grupo, algo invulgares. Por entre os elementos típicos deste tipo de filmes, são-nos dadas a conhecer algumas das características das pessoas com esta síndrome: o facto de, muitas vezes, terem aptidões fora do normal (Donald é obcecado por números e é eximio em matemática), a rotina necessária no seu dia a dia, o medo da mudança, a ligação aos animais, as dificuldades de integração social. Tudo isto exposto de forma bonita, comovente e mesmo desmistificadora do preconceito relacionado com alguns tipos de autismo. O próprio Jerry Newport, em quem a personagem de Donald é baseada, ajudou o argumentista, o que traz mais beleza e veracidade à história.
Como qualquer filme a tender para o comercial, temos muitos momentos em que os alegados "loucos" afirmam inocentemente coisas que os supostos "sãos" não têm simplicidade para compreender. A chamada "estalada de luva branca" que resulta na perfeição.
Enfim, é para ver (ou rever) para crer, compreender, conhecer, analisar e criticar.
Livro: O menino e o Cavalo. Autor Rupert Isaacson.
Autor de reportagens sobre viagens publicadas em prestigiados jornais e revistas, Rupert Isaacson, britânico a residir no Texas, utiliza a capacidade descritiva própria do jornalismo de género para partilhar a aventura mais importante da sua vida: uma viagem de cavalo pela Mongólia, na companhia da mulher, Kristin, e do filho, Rowan. O relato fascinante de um pai que descobre, por acidente, que o contacto do filho autista de cinco anos com Betsy, uma égua trigueira, desperta na criança reacções de afecto e progressos linguísticos.
Movido pela força do amor, Rupert ambiciona partir «para lá do Sol-posto», procurando juntar o poder curativo dos animais com o dos xamãs mongóis, os únicos elementos que exerceram alguma mudança no comportamento de Rowan. Durante muito tempo, Kristin, professora catedrática de Psicologia Clínica, mostra-se céptica face às ideias do marido, mas, cansada de submeter o filho a dezenas de terapias sem quaisquer resultados, sente que não tem nada a perder.
Além do receio das tempestades neurológicas de Rowan perante situações imprevisíveis, esta família, à beira da ruptura, carrega na bagagem a esperança de retirar o filho do seu mundo distante e incompreensível. «Oitenta por cento dos casais com filhos autistas, separam-se. Era fácil perceber porquê», escreve o autor.
Em permanente desespero para ajudar Rowan desde que confirmaram o seu autismo, aos 18 meses, estes pais reaprendem a sentir o espírito da aventura que os juntou e descobrem, que afinal, há lugar para os sonhos.
A cada passo de viagem, Rowan deixa o seu mundo fechado para partilhar emoções.
Um exemplo de coragem, apresentado com uma narrativa descontraída, mas profunda, que pode ajudar outras famílias com o mesmo problema.
Um livro que nos prova que, na vida, não existem impossíveis, por mais firmes que nos pareçam os obstáculos..