Educam-nos para nós abotoarmos o coração até o último botão. E, às vezes, as pessoas despem-se facilmente por fora e têm dificuldade em perceber que o grande desafio da vida é despirmo-nos por dentro. É darmo-nos a conhecer por dentro.-- Eduardo Sá
A palavra constrói/mantém; o silêncio afasta/isola
A comunicação é algo de extremamente complexo e extraordinário… Imaginar a construção (e manutenção) de uma relação (de amizade, amorosa, parental,…) sem comunicação é tão difícil como imaginar o infinito. É retirar algo de fundamental dessa mesma relação.
Acabei de estar IMENSO TEMPO ao telefone com uma AMIGA. Conversamos, rimos, exclamamos, interrogamos, quase choramos… Se me perguntarem sobre o que falamos, ao certo, eu respondo-vos: já não me recordo muito bem, só sei que A CONVERSA SOUBE TÃO BEM!!
Como é possível? Porque a conversa cumpriu a sua função: pôs em contacto emocional duas pessoas que se querem muito bem. O importante foram os conteúdos afetivos (o termos conversado) e não tanto aquilo que foi dito.
Mas estamos sempre a adiar aquele telefonema, aquela conversa, não é verdade?! E assim, vamos maltratando as nossas relações, e muitas vezes as mais preciosas...
Para ouvir
Completamente rendida a NOISERV
O projecto musical Noiserv (David Santos) tem vindo a afirmar-se como um dos mais criativos e estimulantes, de entre os surgidos em Portugal na última década. O seu percurso tem sido marcado pela criação de peças musicais de um minimalismo capaz de atingir cada individuo na sua intimidade, relembrando-lhe vivências, momentos e memórias intrincadas entre a realidade e o sonho, e por concertos de elevadíssima intensidade, nos quais o público é suspenso a partir de uma teia sonora, criada por um vasto leque de instrumentos inusuais.
Uma Oficina Chamada NOISERV - Diário de Notícias
Teclados, guitarras, xilofones, instrumento de sopro e percussão convivem com instrumentos tão improváveis como máquinas fotográficas, de escrever, relógios, brinquedos infantis... qualquer objeto, no projeto Noiserv, pode acabar como um instrumento. A composição musical obriga David Santos a explorar sons. muitos do quotidiano, em cima de linhas musicais repetidas.
As paredes da sala onde trabalha estão repletas de recordações de espetáculos passados e de ideias rabiscadas para projetos futuros. Um homem com formação em engenharia, muitos instrumentos e uma sala onde pensa construir muitas mais músicas.
"A day in the day of the days"... a banda-sonora para um dos nossos dias!
O QUE DIZEM OS ESTUDOS -- O AMOR é uma receita fisiológica e com prazo de validade
Como que por acaso, e naquele lugar, os nossos olhares, que vagos giravam, cruzaram-se… de súbito fui invadida por aquela sensação de ritmo cardíaco a disparar e maças do rosto a corar! Mas nessa hora a viver começamos...
Recordo-me de no nosso primeiro encontro sentir uma ansiedade, um calor no peito que logo se espalhou em calafrios que procurei disfarçar. Um leve suor nas mãos. As palavras tremeram embaraçadas em pensamentos confusos. Joelhos que mal sustentavam o peso do meu corpo. Recordas-te do nosso primeiro beijo?...
E, desde então, quantas vezes nos esquecemos do mundo lá fora...?!
Será? Mas até que ponto a ciência pode, efetivamente, traduzir em experiências químicas o que para muitos é a verdadeira essência do ser humano?
Apesar de tudo, é provável estarmos certos, quando assumimos sentirmos química por alguém. Só que essa química, para os cientistas, traduz-se na seguinte receita (!):
- Feniletilamina - provoca sensações de exaltação, alegria e euforia;
- Dopamina - responsável pela sensação de prazer que sentimos, e pelas manipulações físicas, tais como: pele avermelhada, mãos húmidas, … e
- Ocitocina - um neurotransmissor associado ao AMOR.
Helen Fisher, antropóloga da Universidade de Rutgers, New Jersey, demonstrou, ainda, que a: instabilidade; exaltação; euforia e falta de apetite, sentidos pelos apaixonados, estão associados a altos níveis de dopamina e norepinefrina, estimulantes naturais do cérebro.
Posto isto, concluímos que para os cientistas o AMOR não passa de uma receita fisiológica de vários compostos físicos que se dá no cérebro de cada um de nós.
Mas, em última análise, porque é que acontece somente entre algumas pessoas e não com todas, porque nos sentimos “atraídos” por determinado indivíduo e não por outro?
Dra. Helen Fisher tenta dar uma resposta: "Normalmente, as pessoas apaixonam-se por alguém com quem interagem, mas, sobretudo, por alguém que considerem misterioso. Depois, a maior parte interessa-se por pessoas com o mesmo background sociocultural e com atitudes, expectativas e interesses paralelos." Verdade ou não, cada um sabe de si!
Mas, então se realmente o amor e a paixão não passam de reações químicas do corpo, será que duram para sempre? Ou pelo contrário existe um limite de tempo para homens e mulheres sentirem o arrebatamento da paixão?
Segundo a professora Cindy Hazan, da Universidade Cornell, Nova Iorque: "os seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses". Ela entrevistou e testou 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes e descobriu que o "amor" possui um limite para o seu "tempo de vida". Com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos - e toda a "loucura" da paixão desvanece gradualmente - a fase de atração não dura para sempre. Posteriormente, o casal, habitua-se a manifestações mais brandas de amor - companheirismo, afeto e tolerância…
Em jeito de conclusão, só vos digo que, como explicação do AMOR, esse cúmulo de loucura e sabedoria, continuo a preferir as palavras de Fernando Pessoa:
“Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que
TE AMO?”
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