Sim, sou otimista!


Dizem-me que sou otimista porque não quero ver; que ser otimista é um luxo de quem tem, de algum modo, sucesso e de quem só vê o lado bom da vida porque assim pode. Afirmo o contrário.
O pessimismo, esse sim, é um luxo dos que podem, um desperdício de energia e uma falta de respeito para connosco próprios, para com a vida e acima de tudo, para com os outros.

Ser otimista não é, por isso, uma opção. É, antes, uma necessidade, um imperativo que temos de aprender a lançar sobre a nossa vida. Otimismo é começar por acreditar no sucesso como a única opção, é declarar “guerra” ao pessimismo, de modo a que seja possível, ver no futuro prosperidade.

Para ouvir: Crazy Clown Time, de David Lynch

A par de todo o somatório de experiências surrealistas, diálogos marcados pela densidade e a constante exposição de temáticas envolvidas por uma aura de mistério, encontramos a música enquanto elemento fundamental na carreira de David Lynch. Seja através das colaborações com o compositor Angelo Badalamenti, por exemplo, em Twin Peaks – para mim, a melhor banda sonora que uma série televisiva já teve – ou mesmo com as suas contribuições em trabalhos de outros artistas – como o ainda recente Dark Night of the Soul, trabalho em parceria com Dangermouse e Sparklehorse.
Longe das telas, o norte-americano, de 65 anos, surge agora com seu primeiro trabalho musical: Crazy Clown Time. Lynch e o engenheiro de som Dean Hurley, fazendo uso da música eletrónica, dão forma a um conjunto de 14 faixas (numa atmosfera sombria e experimental) que parecem intimamente ligadas à sua vasta obra cinematográfica.
Na minha opinião, David Lynch prova que, para além de ser um dos maiores e mais completos cineastas, está, também, habilmente preparado para “se movimentar” pelo mundo da música.
Fiquem com o video do tema Good Day Today, sem dúvida alguma com assinatura de Lynch... perturbador...


Nunca subestimar o poder da comunicação...

O encontro que leva à construção de uma relação entre um casal não pode ser encarado somente como o encontro de duas pessoas, mas sim como o encontro de dois mundos, dos seus respetivos valores, culturas, famílias, códigos de conduta, vivências individuais e experiências que se revivem no aqui e no agora. Pressupõe, à partida, pontos de vista diferentes.
Não resisto a contar uma pequena história (adoro histórias!!).
O tio do António era casado com uma mulher que não parava de falar. A uma dada altura disse-lhe: “Sabes, tenho uma ideia; tens uma vida tão repleta de aventuras fantásticas! Em vez de mas contares devias escrevê-las.” E ela assim o fez. Escrevia durante o dia e à noite lia-lhe o que tinha escrito.
O que é que terá falhado aqui? Quereria ele pedir à mulher para deixar de falar dessas histórias? Que não fosse uma chata? Que transformasse a competência de contadora de histórias numa atividade rentável? Toda e qualquer interpretação corre o risco de estar completamente al lado se não conhecermos bem o tipo de relação do casal. Só este aspeto poderá clarificar aquilo que é dito.
A comunicação no casal é de facto, a interseção de dois mundos e grande parte dos problemas que resultam do encontro destes dois mundos estão condensados na comunicação. É aí que se conjuga, se expressa e se procura resolver toda a espécie de diferendos. A procura de soluções passa sempre pela comunicação, através da palavra e do corpo e inclui aspetos como a palavra, o gesto, a mímica e o olhar. Estamos sempre em comunicação, e mesmo quando estamos em silêncio, estamos a dizer que não queremos comunicar!
É fundamental uma comunicação baseada na COMPREENSÃO DO OUTRO, na capacidade de escuta e na devolução ao outro daquilo que se compreendeu. Torna-se também fundamental uma maior congruência entre o verbal e o não-verbal, entre aquilo que se diz e aquilo que se faz.
Ideias que facilitam a comunicação com as pessoas que nos são mais próximas
  • Aceitar que a forma como cada um interpreta o mundo é única e que vários pontos de vista podem enriquecer e ajudar a encontrar melhores soluções.
  • Estar atento e demonstrar ao outro que compreendemos aquilo que ele está a querer transmitir.
  • Perceber que com frequência aquilo que é dito serve para falar da relação.
  • Não "obrigar" o outro a falar. Saber respeitar o silêncio do outro. Estar atento à comunicação não-verbal.
  • Não utilizar em excesso estilos de comunicação menos claros como as metáforas, a ironia, a brincadeira, o humor. Não deixar de os utilizar.
  • Não dizer tudo o que pensa. Ser capaz de guardar algumas coisas dentro de si próprio.
  • Interessar-se pelos conceitos e valores da família do seu amigo, parceiro...: eles são uma espécie de dicionário daquilo que o outro diz e pede.

Para ler

TÍTULO: O homem à procura de si mesmo
AUTOR: Rollo May
EDITORA: Editora Vozes
Rollo May é um dos maiores psicanalistas do século XXI.
Apesar de ter sido escrita em 1953, esta obra continua atual, ao propor que quanto mais conhecimento o indivíduo tiver sobre si mesmo, maior é a sua capacidade de lidar com ele, com os outros e com o mundo que o rodeia. Esse conhecimento libertador exige um esforço profundo de reflexão e, longe de receitas rápidas e superficiais, o autor põe em causa os valores da sociedade atual, referindo a necessidade do indivíduo se recentrar naquilo que é importante: a sua autorrealização como pessoa.

O autor trata com uma profundidade pouco vista temas como: solidão, liberdade, ansiedade, perdas, doença, crises existenciais, vazio existencial, ódio e ressentimento, dependência, autenticidade, maturidade e virtude.


Acabei de ler e aconselho.