Durante muito tempo pensei que ausência era falta.
Mas depois que partiste percebi que não existe falta na ausência...
Sim, estás ausente... e continuas a caminhar comigo.
Um dia tive um sonho. Sonhei que estava a andar na areia e passavam cenas da minha vida (…) e para trás ficavam sempre dois pares de pegadas (…) Sim, um meu e outro teu.
Reparei que nos momentos em que mais precisava (de partilhar, de carinho, de ti …) apenas existia um par de pegadas na areia.
Foi nessa altura que entristeci e perguntei: Porque me abandonaste?
E tu respondeste: A mãe ama-te, jamais te deixaria nas horas das tuas alegrias, da tua prova e sofrimento. Quando viste apenas um par de pegadas na areia, foi exatamente no momento em que te peguei ao colo e te carreguei.
A escravização a que as pessoas das sociedades “civilizadas” se submetem, para enquadrarem determinados padrões de beleza, tem sido um dos fatores socioculturais associados ao incremento da incidência de alguns dos chamados transtornos dismórficos, sejam corporais (anorexia, bulimia) ou musculares (vigorexia) ou obedecendo a dietas naturalistas (ortorexia).
Quando a preocupação com o corpo passa a uma obsessão geradora de sentimentos de insegurança, de introversão, de timidez, o corpo e a mente passam a ser “vítimas” de doenças de foro emocional. Podem ser acompanhadas de ansiedade, depressão, fobias, atitudes e comportamentos impulsivos e repetitivos e que conduzem ao já denominado Transtorno DismórficoCorporal (TDC), historicamente conhecido como Dismorfofobia ou medo da fealdade.
DEFEITO IMAGINÁRIO
A DSM-IV (Classificação Americana de Doenças Mentais) diz que a caraterística essencial do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é uma preocupação com um defeito na aparência, sendo este defeito imaginado ou, se houver uma ligeira anomalia de facto, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva e desproporcional. Esta preocupação deve causar sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social e/ou ocupacional, ou em outras áreas importantes da vida da pessoa.
ANOREXIA, VIGOREXIA E ORTOREXIA
A Anorexia Nervosa* é um transtorno alimentar caraterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso. E este medo, geralmente, não é aliviado pela perda de peso. Na verdade, a preocupação com o ganho ponderal, frequentemente, aumenta à medida que o peso real diminui.
A autoestima dos pacientes com anorexia nervosa depende, obsessivamente, da sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o aumento de peso é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrolo.
Escolhem a comida e o corpo representantes de um afeto que na verdade nada tem a ver com a alimentação no seu sentido mais concreto.
A Vigorexia (ou Complexo de Adónis) ainda não tem critérios definidos claramente pela CID.10 (Classificação Europeia das Doenças Mentais) e pela DSM-IV, mas algumas caraterísticas de personalidade começam a ser evidentes: baixa autoestima; dificuldades de integração social; introversão; rejeitar ou aceitar com sofrimento a própria imagem corporal; obsessão em tornarem-se musculosos; o sintoma central parece ser uma distorção na perceção do próprio corpo.
O culturismo é um desporto que se associa com este tipo de desordem, no entanto, não significa que todos os praticantes da modalidade tenham Vigorexia.
Emocionalmente, a Vigorexia pode ter como consequência um quadro de Perturbação Obsessiva-Compulsiva (POC), fazendo com que o próprio se sinta fracassado e abandone as suas atividades sociais, laborais, com o propósito de treinar e exercitar-se se pausa.
Estas duas doenças, Anorexia e Vigorexia, promovem a distorção da imagem que as pessoas têm de si mesmas: os anoréticos nunca se acham suficientemente magros, os vigoréticos nunca se acham suficientemente musculosos. Ambas podem ser, também consideradas, “patologias do narcisismo”, deficiência de amor próprio na saúde patológica.
A Ortorexia é um quadro onde a pessoa se preocupa muito com os os hábitos alimentares e dedica bastante tempo a planear, comprar e preparar e fazer refeições, ou seja, o exagero das dietas naturalistas, uma espécie de obsessão dietética.
CORPO IDEAL VS. CORPO REAL
O habitual, desejável para o ser humano em equilíbrio, é estar moderadamente preocupado com o seu corpo sem que esta preocupação se converta numa obsessão.
É olhar-se e sentir-se bem, é cuidá-lo.
O ideal, desejável e sadio não é o padrão imposto pelas revistas de beleza e pelos modelos publicitários, mas sim estar satisfeito consigo mesmo e saber aceitar-se como se é. A aceitação do corpo é a aceitação de quem somos, do todo que somos. É aceitar o local onde habitamos.
Referência Bibliográfica
Fonseca, A.F. (1985)."Psiquiatria e Psicopatologia", II Vol. Lisboa: Edições Calouste Gulbenkian.
* Estou a escrever texto sobre a Anorexia Nervosa e Bulimia, em breve partilho com vocês.
Um estudo publicado na revista científica britânica Proceedings of the Royal Society B: Biological Studies revela que uma mulher consegue avaliar a masculinidade de um homem ao olhar apenas para o seu rosto. A pesquisa foi realizada pelas Universidades de Santa Bárbara e de Chicago, nos Estados Unidos, e envolveu um grupo de 39 homens com idades entre os 18 e 33 anos. Os resultados demonstraram que a maioria das mulheres consultadas souberam avaliar exatamente quais os homens que gostavam de bebés, e souberam discriminar os que tinham altos níveis de testosterona dos que não tinham. Segundo Dario Maestripieri, coautor do estudo e professor de desenvolvimento humano comparativo da Universidade de Chicago, o estudo mostrou ainda que "as mulheres valorizam a masculinidade como um fator que contribui para relações de curto prazo e o interesse de homens por crianças como sendo um fator que os torna mais propícios para relacionamentos a longo prazo".
Tiffany Roberts, de 61 anos, nascido no estado americano de Indiana, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral, passou a falar inglês com sotaque britânico, sem ter estado na Grã-Bretanha. Os médicos afirmaram que estava a sofrer da chamada "Síndrome do Sotaque Estrangeiro", uma doença rara que ocorre quando uma parte do cérebro é danificada, após um acidente vascular cerebral, ou um traumatisma craniano.
Na literatura médica existem casos semelhantes registados, contudo, os especialistas ainda estão a estudar a forma como a doença se manifesta.
O primeiro caso registado surgiu na Noruega, em 1941, quando uma mulher passou a falar norueguês com um forte sotaque alemão, depois de ter sido atingida por um projétil durante um ataque aéreo. Consequentemente, passou a ser hostilizada na sua comunidade. Acredita-se que apenas 60 pessoas em todo o mundo sofram com a síndrome do sotaque estrangeiro.
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VIDEO: Síndrome do Sotaque Estrangeiro - Doença rara faz brasileiro ter sotaque de estrangeiro.