Homossexualidade e os factores biológicos

As condições do útero materno e o sistema imunitário da mãe podem determinar a orientação sexual do homem, de acordo com um estudo divulgado na publicação científica "Proceedings of the National Academy of Sciences". "Os resultados indicam uma origem pré-natal para a orientação sexual do homem", afirma o responsável pela equipa, Anthony Bogaert da Brock University de Ontário. Para este, o efeito é presumivelmente causado por uma "memória maternal", que se encontra no útero. O corpo da mãe pode perceber um feto masculino como um corpo "estranho", produzindo uma reação que se torna progressivamente mais forte a cada filho rapaz. Os anticorpos produzidos pela reação podem atravessar a placenta, afetando o desenvolvimento do cérebro masculino. Pesquisas anteriores mostraram que quantos mais irmãos mais velhos um homem tem, maiores são as probabilidades deste ser homossexual, mas as razões ainda são desconhecidas. Este estudo sugere que a orientação pode estar mais ligada a fatores biológicos do que sociais. Os pesquisadores estudaram 944 homens homossexuais e heterossexuais. A relação entre irmãos mais velhos e a homossexualidade foi averiguada apenas quando os irmãos mais velhos eram de facto consanguíneos.

a PRIMAVERA e a LIBERDADE


Impressiono-me sempre que observo a Primavera chegar com o esplendor da renovação, como que dizendo “um novo trimestre surgiu!”, “o novo momento se ergueu”.
Estes são os meses da mudança e do progresso no mundo da natureza: porque seria diferente no mundo humano? 

No mês de Março, o Sol dota as coisas de um novo ímpeto: as plantas começam a brotar, o deserto transforma-se em planície, as árvores florescem e todas as coisas vivas parecem responder… A realidade humana muda e mescla-se o pensamento racional e o emocional.

Abril parece ser detentor de uma carga única. Começa com a Vasantotsava, o Festival da Primavera dos Vedas Hindus, praticado, em tempos imemoriais, na Índia. As Escrituras Hebraicas falam na Pessach, cujas preces falam de liberdade. Não é, então, por mero acaso que Frankl, apologista da liberdade, era Judeu. Este psiquiatra, preso de Auschwitz, afirma que o ser humano assume uma liberdade finita, pois não se é “livre de condicionamentos, apenas livre na atitude como os assume”: é detentor de liberdade de escolha, “de tomar posições perante si mesmo, de enfrentar-se a si mesmo e, com este fim, distanciar-se, em primeiro lugar, de si mesmo”.

É desse distanciamento que se consegue observar e entender-se melhor a si próprio. É talvez por isso que os Bahá’ís celebram entre 21 de Abril e 2 de Maio o que chamam de “O Rei dos Festivais”: o Ridván, um período de celebração, de júbilo espiritual e também de consultas administrativas onde todos podem (e devem até!) participar num espírito de iniciativa e de aprendizagem, com o intuito de contínuo progresso.

É essa a aprendizagem que retiramos também do Concílio de Niceia, no qual se estabeleceu o primeiro domingo a seguir à primeira lua cheia (eclesiástica), após o 21 de Março, como a Páscoa, o dia em que o cristo renasce, dando novo alento aos seres humanos. Jesus, crucificado, parece ressurgir ensinando que nada jamais se perde, que a vida é vivida em ciclos contínuos de persistência nas causas que se defendem, e jamais se deve parar perante os obstáculos!

A vida, já defendia Erickson, é composta de ciclos e períodos que assumem o seu sentido em todos os momentos. Mas é desde o antigo Zoroastrianismo que aprendemos a parar e refletir perante alguns desses momentos e ciclos, que terminam à medida que outros se iniciam; a 21 de Março, o Ano Novo, é o momento de festa e alegria, no qual se celebra a essência do Bem (Asura Mazda).

É aqui que grandes autores (Rogers, Maslow, Seligman e Peseschkian) teriam o derradeiro argumento, defendendo a essência positiva dos seres humanos, abonando a bondade que lhes é inerente e a capacidade de se ser melhor, levando avante uma civilização cada vez mais avançada.
Mas, Freud também teria razão se, apesar disso, dissesse que somos dotados de imperfeições; e, talvez, Bandura secundaria, dizendo que observamos tantas maldades que já as incorporamos. O que nos leva a Rumi, poeta islâmico, e à sua explicação:
“Aquilo que nos parece bem ou mau não tem qualquer existência absoluta, é somente como a espuma à superfície de um vasto oceano. Não se poderia ser virtuoso se não houvesse a tentação de se ter o vício”.

Não sei bem como seria a vida sem sofrimento, desgraça ou tragédia… O que sei é que quanto mais lavrado o solo, melhor será a colheita!


A audácia tem génio

Depois de estar à conversa com uma amiga que está “híper” entusiasmada com o próximo concerto de Madona em Portugal, dei comigo a pensar no percurso da cantora… No seu “ingrediente secreto” para o sucesso.
Eu teria começado a falar quando o álbum “Like a Virgem” foi lançado… Estavamos na década de 80, Madona transpirava irreverência e criatividade… com uma atitude rebelde que atraía… Seguiram-se  outros grandes sucessos, e algumas polémicas também, como o lançamento do livro Sex, já na década de 90. Mas a atitude implacável permanecia. Audaz, a quebrar barreiras… Traçando o seu caminho, sem aceitar que lhe dissessem “é por ali”…
Se me perguntarem: “És fã da Madona?”, “Já assististe a algum concerto dela?”, … A resposta é:" NÃO".
Mas admiro o seu percurso. A extraordinária capacidade que tem de inovar, quando o caminho mais fácil seria copiar ou continuar a fazer o mesmo (não é o que todos fazem? Ou quase todos!). Aprecio a forma como ignora os críticos (e se ela foi criticada!), mantendo-se firme. Enquanto isso, somou sucessos junto do público (que é afinal, quem interessa atingir), deixando os críticos entretidos em esgrimir argumentos para a fragilizarem.
Há quem diga que as árvores são mais resistentes nos locais onde o vento e as tempestades sopram mais forte. Madona tem mostrado que é assim…!
A audácia tem génio, força e magia em si.
-- Goethe
Alguns dos “Ingredientes secretos”: audácia, determinação, irreverência, criatividade, inovação, firmeza/persistência, disciplina, muito trabalho…
… acrescento ainda: estar rodeada (ou saber fazer-se rodear) pelas pessoas certas!...

E aqui está ela, aos 54 ANOS, com mais uma super produção...

Criatividade… [2]


Terá a criatividade  uma base biológica?

Os cérebros das pessoas criativas parecem estar mais recetivos aos estímulos provenientes do meio ambiente circundante, enquanto os cérebros das outras pessoas parecem fechar-se a essa mesma informação. Estas últimas têm a capacidade de ignorar os estímulos considerados irrelevantes (processo a que nós psicólogos designamos de “inibição latente”). Assim, Jordan Peterson (University of Toronto), Shelley Carson (Harvard University) e Daniel Higgins (Harvard University) consideram ter identificado uma das bases biológicas da criatividade.

As pessoas criativas possuem níveis mais baixos de inibição latente, o que implica um trabalho contínuo de recolha da informação adicional, proveniente do exterior, com que são constantemente bombardeados. Em oposição, as pessoas pouco criativas classificam um objeto e posteriormente esquecem-no, mesmo que este seja mais complexo e interessante que aquilo que elas pensam.

Uma das questões que ocupam há mais tempo os cientistas é a relação entre loucura e criatividade. Ao que parece, os baixos níveis de inibição latente e a flexibilidade de pensamento excecional podem predispor para a doença em determinadas condições e para a criatividade noutras. Por exemplo:  nas etapas iniciais de doenças como a esquizofrenia, muitas vezes acompanhadas por sentimentos de profundo insight, conhecimento místico e experiências religiosas, ocorrem alterações químicas que fazem desaparecer a inibição latente.