Conhece-te a ti mesmo

Conta um velho conto japonês que, certo dia, um aguerrido samurai desafiou um mestre zen a explicar-lhe os conceitos de Céu e Inferno. Mas o monge respondeu-lhe, trocista: “Não passas de um estúpido e eu não posso perder tempo com gente da tua laia!”

Ofendido na sua honra, o samurai encheu-se de raiva e, puxando da espada, gritou: “Podia matar-te pela tua impertinência!”

“Isto”, replicou calmamente o monge, “é o inferno”.

Sobressaltado ao ver a verdade naquilo que o mestre lhe dizia a respeito da fúria que o dominava, o samurai acalmou-se, devolveu a espada à bainha e fez uma vénia, agradecendo ao monge aquela lição.

“E isso”, disse o monge, “é o Céu”.

A maturidade de cada um de nós pode ser medida pela consciência dos nossos sentimentos. Quando não os conhecemos ou não temos consciência deles, eles tornam-se obstáculos no nosso caminho.

O súbito despertar do samurai para o seu próprio estado de agitação ilustra a diferença crucial entre ser-se apanhado por uma vaga de sensações e tomar consciência de que se está a ser arrastado por ela. A injunção de Sócrates “Conhece-te a Ti Mesmo” refere-se a esta pedra angular da Inteligência Emocional: a consciência dos nossos próprios sentimentos no instante em que eles ocorrem.

Me, Myself & I - The Gift


Sermos capazes de prestar atenção a nós próprios é uma exigência prévia da capacidade de prestarmos atenção aos restantes; sentirmo-nos à vontade connosco próprios é condição necessária para nos relacionarmos com os outros (...)
-- Erich Fromm in Ética e Psicanálise

Viva o "dolce fare niente"!

 Hoje foi dia de "recarregar baterias" :) 
Aproveitei, ainda, para escrever a todos aqueles que estão prestes a entrar, ou já estão, de FÉRIAS!

E a pergunta que se impõe é a seguinte: Sabe o que vai fazer nas suas férias? Tenho uma boa, mas difícil, sugestão: não faça nada! Sabe "fazer nada"?
Quanto a mim, confesso que tiro (em regra) uma hora por dia para "fazer nada", e um dia por semana! Na verdade, isto é que são férias repartidas!!

Lembre-se que:
Férias é tempo de pausa, é tempo de ser e estar com os outros, é tempo de se despojar de expetativas, preocupações, horários, pressas…Férias é tempo de fazer nada, de deitar numa rede brasileira (não tem que ser no Brasil, mas se for…melhor!) e contemplar o mar. É tempo de caminhar pela serra, de relaxar no campo.

Aparentemente simples, é extremamente difícil fazer o que nos dá prazer, temos tendência a sentirmo-nos culpados, até porque isto de ter prazer…não é pecado? Bem, a nossa forte cultura judaico-cristã ensinou-nos a sentir muito a culpa. Culpa de quê? Às vezes de nada. Sermos capazes de nos censurar é positivo, mas não deverá é tomar conta da nossa vida. Já agora, nas escrituras originais, “pecar” é quando fugimos aos nossos objetivos, é quando nos desviamos do nosso propósito de vida!...

O tempo de lazer é extremamente importante para os adultos, jovens e crianças. Além de proporcionar qualidade de vida, permite desenvolver aptidões e habilidades. O tempo de descanso permite-nos relaxar e lidar com o stresse do dia-a-dia. É o tempo ideal para conviver, partilhar os nossos sentimentos e ajuda-nos a desenvolver a nossa inteligência emocional. Para jovens e crianças é ideal o contacto com a natureza, principalmente para os que vivem em ambiente citadino, pois estimula a curiosidade e a criatividade.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES A DESENVOLVER NAS FÉRIAS
  • Divirta-se, faça algo que gosta, que lhe dê prazer, todos os dias;
  • Aprenda alguma coisa sobre si todos os dias, sobre o que gosta de fazer;
  • Faça algo de diferente todos os dias, estimule a sua criatividade e desenvolva formas de observar o mundo de diferentes perspetivas (sem juízos de valor), fazendo coisas que podem ser simples e engraçadas;
  • Não faça nada, descanse, relaxe;
  • Conviva, esteja verdadeiramente com os outros;
  • Faça da viagem (se for o caso) uma diversão…

E depois… Depois traga um pouco dessas férias para o seu dia-a-dia!

Ação, Reação, Repercução

Capítulo 1
Há 7 Meses

Enquanto almoçava com o CN, comentei: “Está decidido, vou criar um blog”, ao que ele respondeu: ”Vai em frente... tens é de pensar no nome”…
Dirigimo-nos para o carro, entramos,…ligou o rádio…Comecei a rir. O nome está escolhido!
Estávamos a ouvir MUSE e a primeira faixa a tocar foi: “Butterflies and Hurricanes”.
"Borboletas e Furacões" – Teoria do Caos: a ideia central, desta teoria, é a de que uma pequenina mudança no início de uma sequência de comportamentos (por exemplo) pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Pode parecer assustador, mas basta pensarmos em simples situações da nossa vida para perceber o quão sentido faz esta ideia.

Pretendendo abordar, principalmente, temas da minha área (Psicologia) o nome assenta que nem uma luva! (O meu caos de expetativas, buracos negros e revelações!)

 

Continuava insatisfeita: faltava-me a “imagem do blog”…

Capítulo 2
Em Maio

Li na “Cronologia do Facebook” de uma amiga: “Meus amigos... preciso do vosso voto... estou a concorrer para um projeto da Princess Pea e se gostarem deste meu desenho, cliquem nele e coloquem o vosso voto... há mais ilustradores a concurso, e se gostarem, votem também...
Gostei, votei…Entre outros trabalhos lindíssimos, gostei muito da Ilustração da simpática Mafalda Gomes.  (TRABALHOS AQUI)

Visitei o seu blog (http://mafaldapuu.blogspot.pt/) e enamorei-me pelo seu talentoso trabalho.
Decido dedicar uma publicação (neste blog) ao seu trabalho. A Mafalda teve conhecimento e comentou a mesma, agradecendo a partilha. VER AQUI
Respondo ao comentário. Trocamos breves mensagens e o resultado é este:

Quis contar a história deste desenho, porque ela tem tudo a ver com o nome do blog. Esta ilustração teve início num simples “clique"!...
“O bater de asas de uma borboleta na China pode provocar, pouco tempo depois, um furacão no Caribe.”-- Edward Lorenz.

Foi assim com a história deste desenho, mas na nossa história pessoal o princípio é o mesmo: pequenos cliques na nossa vida podem provocar grandes, e desejadas, reviravoltas... A lei é simples e clara: ação, reação, repercussão.

Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes...


 ...e as suas existências nunca serão esquecidas. Aristides de Sousa Mendes foi uma dessas pessoas. Cônsul brilhante, marido feliz, pai orgulhoso, teve a sua vida destruída quando, para salvar 30.000 Judeus, ousou desafiar as ordens de Salazar.

"O Cônsul de Bordéus" é um filme, em estilo biográfico, escrito por António Torrado e João Nunes. que pretende prestar homenagem a este grande português (tão ou mais "importante" que Oskar Schindler), um herói com uma coragem sem limites...



SINOPSE: Alexandra Schmidt, uma jornalista portuguesa vai até Viana do Castelo para entrevistar o maestro brasileiro Francisco de Almeida, que se vai reformar. Aí confronta-o com o seu verdadeiro nome, Aaron Apelman. A curiosidade da jornalista leva o maestro a recordar uma série de eventos passados no longínquo mês de Junho de 1940, quando, aos 10 anos de idade, e ainda com esse nome, foi salvo da perseguição nazi pela ação do cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. O cônsul, por esses dias, é um homem dividido : sabe que os refugiados hebreus, em número cada vez maior, precisam de vistos para alcançar Portugal e daí partir para o Novo Mundo, mas tem as mãos tolhidas pela famigerada Circular 14, de Salazar, que proíbe a emissão de vistos a judeus. A pressão do rabino Krueger e a força das convicções católicas do próprio Sousa Mendes acabam por levar a melhor. O cônsul decide desobedecer a Salazar...

Entretanto, e enquanto o filme não estreia nos cinemas portugueses, deixo uma sugestão de leitura: "O Cônsul Desobediente", de Sónia Louro.

Nascido numa família com laços à aristocracia, cursa Direito em Coimbra e opta por uma carreira consular. Vive nos locais mais exóticos de África e nos mais cosmopolitas da Europa. Cônsul de Bordéus durante a Segunda Guerra Mundial, é procurado por milhares de refugiados para quem um visto para Portugal é a única Salvação. Sem ele, morrerão às mãos dos alemães...

"Não participo em chacinas, por isso desobedeço a Salazar!" (A. Sousa Mendes)

Só é possível compreender o seu feito se nos colocarmos no seu lugar: destruiríamos a nova vida (de conforto) e a da nossa família em nome da caridade e do amor ao próximo?
Até ao seu derradeiro fôlego, Aristides nunca se arrependeu…

Aristides morreu a 3 de Abril de 1954 no Hospital da Ordem Terceira, de uma trombose cerebral e uma bronco-pneumonia. Sem roupa para ser enterrado, o hospital deu-lhe vestes de franciscano com as quais foi sepultado.
Salazar enviou um telegrama a César (seu irmão gémeo), no qual escreveu apenas duas palavras: “Sentidos pêsames”.


Trailer do Livro