Frase do dia: "Mais depressa se apanha um mentiroso, que um coxo!" [11]

Investigadores encontraram quatro músculos faciais relacionados com as verdadeiras emoções, que podem denunciar culpa ou uma intensa pressão emocional.

A equipa da Universidade British Columbia, no Canadá, concluiu que os mentirosos podem ser “traídos” por subtis movimentos faciais, tais como erguer a sobrancelha ou esboçar um ligeiro sorriso.
Os inocentes, por outro lado, têm tendência a revelar expressões de angústia de forma bastante mais óbvia. 

O estudo, publicado na revista especializada Evolution and Human Behaviour, concluiu que a falta de controlo sobre as expressões faciais revela sentimentos genuínos, muito diferentes dos simulados.
Segundo os psicólogos, a maioria dos humanos consegue controlar os músculos da parte inferior do rosto, nomeadamente para falar ou comer, mas os músculos superiores são difíceis de manipular e manifestam-se involuntariamente.

Leanne Ten Brinke, que liderou o estudo, afirmou que a descoberta revela que as tentativas para encobrir as emoções tendem a falhar quando lidamos com momentos de verdadeira deceção.
“A nossa pesquisa sugere que os músculos faciais não estão completamente sobre o nosso controlo consciente e alguns deles provavelmente trairão um mentiroso, especialmente quando se trata de momentos emocionais muito fortes”, afirmou ao The Daily Telegraph.

“Dicas faciais são um aspeto importante, mas frequentemente ignorado, para avaliar a credibilidade comportamental, especialmente quando o que está em questão são emoções”, acrescentou.
Os cientistas analisaram as expressões faciais de 52 pessoas, metade das quais veio a descobrir-se mais tarde que estavam a mentir – enquanto faziam apelos na televisão de ajuda para encontrar um familiar desaparecido.
Mais de 23 mil fotogramas de vídeos de situações reais foram analisados oriundos da Grã-Bretanha, Canadá e Austrália.

O estudo “Darwin the Detective: Observable Facial Muscle Contractions Reveal Emotional High-Stakes Lies” procurou relacionar as emoções com as expressões faciais, tendo-se verificado que controlar os músculos é difícil em momentos de grande stresse.

Todavia, embora o estudo ajude a identificar um mentiroso, os cientistas ressalvam que “não é tão preciso quanto um nariz de Pinóquio”.
“Nem todos transmitem as suas verdadeiras emoções, algumas pessoas são melhores que outras a adotar expressões falsas, tais como os psicopatas”, concluiu Leanne Ten Brinke.



Ilustração by Mafalda Gomes

Música evoca emoções positivas

A música pode evocar emoções positivas, que por sua vez podem reduzir os níveis de stress, dá conta um estudo da University of Gothenburg.

Assim, de acordo com a autora do estudo, Marie Helsing, ouvir música todos os dias, pode ser uma forma simples e eficaz de melhorar o bem-estar e a saúde.
Este estudo contou com a participação de 42 indivíduos, metade dos quais ouviam, de acordo com as suas preferências, 30 minutos de música por dia, enquanto que a outra metade foi submetida a um ambiente relaxante durante o mesmo período de tempo.

Os resultados do estudo mostraram que as emoções positivas foram sentidas mais frequentemente e mais intensamente nos indivíduos que ouviam música. Os participantes deste grupo também sentiram menos stress e apresentaram níveis baixos da hormona do stress, o cortisol. Quanto mais os participantes gostavam das músicas que ouviam, menos stress sentiam.

Contudo, Marie Helsing salienta que “quando se estuda as respostas emocionais à música, é importante relembrar que nem todas as pessoas respondem da mesma forma ao mesmo trecho de música e que a mesma pessoa pode responder de um modo diferente ao mesmo trecho em ocasiões diferentes, dependendo dos fatores individuais e das circunstâncias”.
A investigadora revela ainda que “para obter estes efeitos benéficos da música, tem que se ouvir música que se gosta”.

FONTE: ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Ainda sobre as emoções evocadas pela música, António Damásio, neurocientista português, escreve em "Ao encontro de Espinosa", p.138: "Pensemos na facilidade com que escutar Bach ou Mozart, Shubert ou Mahler, nos conduz a uma experiência espiritual."
A magnífica composição: Concierto de Aranjuez, de Joaquin Rodrigo, produz em mim esse efeito...

2.º Movimento do "Concierto de Aranjuez" - Adagio, com performance de Paco de Lucía.

"As pobres de espírito e as outras"

Longe de mim querer dar protagonismo a um texto que condeno da primeira à última palavra. Mas tenho de partilhar com vocês que a minha vontade era sugerir à senhora Margarida Rebelo Pinto o seguinte: "Imagine-se sem matéria. Um círculo difuso. Interrogue-se sobre o que seria de admirar em si. Uma vez que é só espírito, vai ter que pensar em qualidades, princípios morais, carácter e inteligência. Não esqueça que a imagem corporal é apenas uma das dimensões da nossa identidade... 
Pois é, acertou. Existem 'As pobres de espírito e as outras'"

Segue-se o texto mais hediondo que li nos últimos tempos.
"As Gordinhas e as Outras"


(ACHO CURIOSO QUE DEPOIS DE TANTA INSENSIBILIDADE LHES CHAME GORDINHAS E NÃO GORDAS)

"Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’
(...) Ora acontece que a Gordinha é geralmente gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco apetecível, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando qualquer bisonte numa mulher sexy, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.
A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mascote do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos têm um bocado de pena dela (...)

À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto (...)

Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.

Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. Que o digam as minhas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as conseguiram levar para a cama e as gordas que teriam gostado de ter sido levadas para a cama por esses ou por outros. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.

Porquê? Porque não é vista como uma mulher? Porque todos têm pena dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?»
Como dizia a Wallis Simpson: «Never too rich, never too slim». E quanto às Gordinhas, o melhor é arranjarem um namorado. Ou uma dieta. Ou as duas coisas."
Margarida Rebelo Pinto
 in Semanário Sol