Decoramos o discurso sobre a Paz e a Não-Violência mas não aprendemos a ser a Paz e a Não-Violência.

Foto by Rafael Peixoto     

Por que continuam as pessoas a viver em permanente agitação e a ser violentas consigo mesmo, com os outros e com a natureza? Qual a origem da discrepância entre o que dizem, o que conseguem ser e o que colocam em prática?

A verdade é que somos educados com base numa orientação assente no paradigma newtaniano-cartesiano, que coloca a ênfase sobretudo na razão e numa lógica mutuamente exclusiva, isto é, nada é verdadeiramente digno de consideração, a não ser que quantificável e analisável pelo Pensamento e pela Lógica de que A é necessariamente diferente de B.

Foi com base neste paradigma que construímos um mundo interno e externo fragmentado e mutuamente exclusivo.

Vejamos:

Ao nível externo, este paradigma trouxe-nos uma sociedade com um modelo competitivo e exclusivo, “só posso ganhar, se tu perderes”, “só posso ter lucro, se tu tiveres prejuízo”, “só posso ser rico, se tu fores pobre” e desenvolveu um sistema de ensino assente sobretudo no pensamento, na passagem discursiva de informação.

Ao nível interno, trouxe-nos um ser humano desarmonioso, pois é fruto de uma visão fragmentada do ser, que apenas considera a função razão, a aquisição da informação e do saber técnico e se esquece de educar as outras funções psíquicas que, tal como definido por Yung, são o Sentimento, a Sensação e a Intuição. Temos um sistema de ensino que promove doutorados, que permanecem, inúmeras vezes, no bê-á-bá da capacidade de lidar com as emoções pessoais e as dos outros e no jardim-de-infância das suas capacidades intuitiva e sensitiva.

Decoramos o discurso sobre a Paz e a Não-Violência mas não aprendemos a ser a Paz e a Não-Violência.

" Say a Little Prayer for YOU" ♥

Só quero ser Julieta
Fazer de ti meu Romeu
E viver um grande amor!


Aretha Franklin: Say a Litle Prayer

Como esticar o tempo?

Harold Lloyd's 'Safety Last'
Fonte: Revista  obvious

Antes de me perguntar: como posso esticar o tempo? – tarefa titânica reservada aos deuses do Olimpo -, devo questionar-me sobre quais as prioridades da minha vida, qual o sentido das minhas ações ou, de forma mais tecnocrática, como gerir melhor o meu tempo? 

Não sendo capaz de responder a todas as solicitações devo, de entre o universo das possíveis, escolher aquelas que mais poderão contribuir para a minha alegria de viver, para a minha realização pessoal.

Mas este EU tem que ser utilizado com parcimónia, sob a pena de se confundir com egoísmo e, neste caso, voltaremos a ter mais do mesmo, ou seja, uma existência cheia de coisa nenhuma, balofa, pouco útil e sem sentido gregário…

Nudez

Tomar consciência de nós próprios (conhecer as nossas qualidades, defeitos, potencialidades, medos, sentimentos, …) é o processo mais importante e útil da nossa vida.

Autoconhecermo-nos e sentirmo-nos à vontade connosco próprios é condição necessária para nos relacionarmos com os outros. E "estar com o outro" em pleno exige a capacidade de nos despirmos por dentro - a mais bela e premente das nudezes!

Porque será que é cada vez mais difícil ter a coragem da dádiva e da entrega por completo?


Encomendas: mafaldaliliana.encomendas@gmail.com