Tudo anda à volta do "antes de" e do “naqueles tempos”.


Acredito que tudo anda à volta do "antes de" e do “naqueles tempos”, que tudo gira em redor da antecipação do momento, mas não do momento em si, ao contrário do que nos diz a filosofia Zen.
Em alemão, existe uma bela palavrinha para isto: Vorfreude, que é ligeiramente diferente de “deleite” e de “prazer”. Digamos que é o “antes da alegria”, o “pré-gozo”, ou seja, o prazer de esperar pela chegada de um determinado momento, os estados de júbilo do tipo “mal posso esperar”, o esperar-desejar alguma coisa ou alguém…

Os sábios, os Dalai-Lamas, … dizem-nos que tudo está, supostamente, nos momentos – que devemos entesourar o momento e não nos importarmos com a continuação do tempo. Mas desde muito cedo, me apercebi de que, de alguma maneira, a beleza reside no tempo antes, na expectativa, na espera, na imagem imaginária, pintada na perfeição, desse instante no tempo. E então, depois que esse passou, num piscar de olhos, o que permanece connosco é a memória, o reflexo, a lembrança desse tempo.

Esperar pelo primeiro beijo pode dar-nos vagos arrepios de emoção pela espinha, mas quando acontece mesmo é um monte de moléculas em colisão – na verdade uma confusão. Em antecipação, o momento será glorificado pela inocência, pelo não saber. Na recordação, o momento será purificado pelos filtros da memória. E são estas fases, do antes e do depois, que sufocam por completo a monotonia diária (...)

Butterflies & Hurricanes, in "A minha pomposa teoria filosófica!"

Como sabem este blog tem uma "MUSE" inspiradora!

Os que não sabem podem ver AQUI

E como fã, a senhora dona deste blog teve direito a esta maravilhosa prendinha :)

Sigur Rós - Valtari



O amor e o resgate da alma.
- Caos. Delicadeza. Beleza. Sensualidade.-

Enamorei-me.

Prazer

“Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentindo prazer em ter vergonha.”
Mia Couto, in “O Fio das Missangas”

«(...) Aparentemente simples, muitas vezes é extremamente difícil fazer o que nos dá prazer, temos tendência a sentirmo-nos culpados, até porque isto de ter prazer... não é pecado? (...) Sabemos que a nossa forte cultura judaico-cristã, os tempos da inquisição e da ditadura ensinaram-nos a ser recatados e sentir muito a culpa. Mas culpa de quê? Às vezes de nada... 
Sermos capazes de nos censurar mostra uma evolução saudável da nossa personalidade, não deverá é tomar conta da nossa vida. O que é preciso é encontrar (como em tudo na vida) o ponto de equilíbrio...


(...) Nas escrituras originais, “pecar” é quando fugimos aos nossos objetivos, segundo Jean-Ives Leloup (e não só) é quando nos desviamos do nosso propósito de vida!»



Butterflies & Hurricanes, in "Viva o dolce fare niente!"