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RECORTES DE IMPRENSA| "Somos todos bonitos e feios"

"Gracie Hagen é uma fotógrafa e videógrafa americana, residente em Chicago. Como artista, aborda principalmente temas relacionados com o corpo — o conceito de beleza, os conceitos de perfeição, defeito e de realismo. Não destoando, Gracie criou o projecto "Illusions of the body". Neste projecto, a artista justapõe um retrato lisonjeiro e outro em que o mesmo sujeito aparece desfavorecido. Com isto, a autora pretende realçar que, apesar da discrepância visual, se trata do mesmo corpo e que a noção de beleza não depende de mais do que de um momento."Todos temos momentos em que parecemos bonitos e outros em que estamos desfavorecidos.", afirmou ao P3 numa entrevista por "e-mail". Segundo Hagen, os padrões culturais de beleza existirão sempre, mas chama a atenção para a tomada de consciência pública para o facto de os modelos apresentados nem sempre serem realistas. O papel dos media na criação e perpetuação dessa imagem é preponderante. A criação de um modelo inatingível fomenta o consumo. Em busca da perfeição, o cidadão médio vê-se na necessidade de se aperfeiçoar e de, para isso, consumir produtos que o permitam atingir os resultados pretendidos. "Comparamo-nos às fotografias de modelos, embora a grande maioria de nós saiba que essa também não é a sua aparência na vida real. [...] É iluminação, ângulo, photoshop, gestualidade..." Por isso, Hagen sublinha "Devemos celebrar as nossas diferenças e as estranhas contorções que o corpo humano é capaz de realizar.""

Vejam algumas fotografias aqui: Somos Todos Bonitos e Feios

De facto, depois de visualizar as fotografias, concluo que a atitude e postura fazem toda a diferença. Não concordam?!

O Bem-Estar da Criança - PARTE 2

O bem-estar da criança é fundamental para o seu desenvolvimento social e afetivo.


São vários os fatores que influenciam a qualidade de vida das crianças. Nesta publicação, abordo alguns desses fatores organizando-os em dois grandes grupos: características pessoais da criança e características sociais (família, amigos)

O sorriso da linda M é uma verdadeira delícia...e feliz!


CRIANÇA EM SI
As crianças que apresentam um bem-estar subjetivo positivo sentem com maior frequência emoções positivas e poucas emoções negativas, além de que avaliam a sua vida global de forma positiva.

Baixos níveis de bem-estar subjetivo trazem consequências negativas, tais como a rejeição e o isolamento, ansiedade e depressão, e risco de comportamentos desadaptados. O autoconceito da criança é um fator importante para a satisfação com a vida e a perceção de felicidade.
Entende-se por autoconceito global a avaliação da criança face às suas características pessoais e competência comportamental.

FAMÍLIA
A criança desenvolve-se no seio de um contexto familiar e é influenciada pelas características de pessoas significativas do mesmo, sobretudo pelas características dos pais. A natureza do desenvolvimento emocional e social precoce é a base ou alicerce do que será o seu desenvolvimento social ao longo da vida. 

A vinculação é uma relação afetiva que se estabelece entre a criança e o seu cuidador primário. Os bebés nascem com a propensão para desenvolverem comportamentos de vinculação a figuras humanas (chorar, olhar, sorrir, etc.), aos quais os cuidadores respondem, protegendo-os dos perigos ambientais e transmitindo-lhes uma sensação de segurança. Durante este período a criança vai desenvolvendo um modelo interno de vinculação que lhe fornece as representações mentais de si e dos outros. Este mecanismo precoce vai influenciar a qualidade das interações posteriores.

Ainsworth & Bell (1970) referem três tipos de comportamentos das crianças face a uma situação estranha:
  • Criança Segura: utiliza a mãe como base de exploração do meio, quando separada da mãe procura o seu contacto;
  • Criança Ansiosa-Ambivalente (ou resistente): não utiliza a mãe como base da exploração do meio, quando separada da mesma não procura o seu contacto e quando se encontram mostra-se zangada e afasta a mãe;
  • Criança Ansiosa-Evitante: não utiliza a mãe como base da exploração do meio, quando separada desta não procura o seu contacto e quando se encontram evita a mãe ou aproxima-se de forma indireta.
Estas classificações de vinculação ao longo da vida podem ser consideradas como um continuum ao nível da regulação emocional face aos afetos, acontecimentos e relações com os outros. E podem originar reações emocionais desadequadas, tais como impulsividade e agressividade verbal ou física, ou respostas extra-controladas com dificuldade em expressar as emoções.

Uma vinculação segura tem um efeito protetor, mesmo em situações psicossociais adversas, assim como suporte social. As características da família, educação e funcionamento familiar estão correlacionados com o bem-estar socio-emocional da criança, nomeadamente a sensibilidade e resposta às necessidades desta, o investimento, a perceção de competência parental por parte dos pais, em vez da agressividade, hostilidade, comportamentos punitivos e manipulativos.

Três aspetos do comportamento parental têm-se mostrado relacionados com o comportamento da criança: disciplina consistente, supervisão do seu comportamento e compreensão e carinho nas interações pais-criança.
As expetativas dos pais são um fator importante no desenvolvimento das crianças. Se os desejos e expetativas são congruentes com as características dos filhos, haverá um desenvolvimento mais positivo, caso contrário estes poderão vir a ter problemas de desenvolvimento e ajustamento.

AMIGOS
As amizades são cruciais para o desenvolvimento social da criança. A relação com os pares é especialmente significativa na infância e adolescência, uma vez que contribui para o ajustamento psicossocial, nomeadamente com o ajustamento escolar, a saúde psicológica (solidão/isolamento) e problemas de comportamento, pois estabelece-se uma relação clara entre aceitação por parte dos pares e ajustamento psicossocial.

A aceitação e a pertença a um grupo de pares têm um papel importante na forma como a criança se comporta e no seu bem-estar. As relações de amizade servem para aumentar o conhecimento sobre si própria e funcionam como suporte social.
A interação com os pares fornece um importante contexto para aprender competências sociais, competências de resolução de problemas e conhecimento social; as interações sociais duranta a brincadeira contribuem para o desenvolvimento da amizade, da autoestima e aceitação social.

Teste o seu conhecimento sobre o bem-estar global do(a) seu/sua filho(a) AQUI

“Só pode amar e amar-se quem foi amado”

Uma questão de autoestima
Quando se fala de autoestima há algumas questões que se levantam: o que é a autoestima? Qual o seu impacto e influência nas experiências do dia-a-dia? Como é que se desenvolve e evolui? Como se pode transformar uma baixa numa elevada estima de si?
A autoestima é o valor autoatribuído, aceitação pessoal pelo próprio ou um sentimento de competência pessoal auto-percebida.
A autoestima, à semelhança de muitos outros conceitos psicológicos, é algo que se desenvolve no berço e nas interações com os outros indivíduos nos primeiros anos de vida. Tal como defende Bandura, a ideia que os indivíduos têm de si mesmos deriva da forma como são tratados pelos contextos e pelo ambiente social. E aqui os pais ocupam um lugar privilegiado, pela ligação específica que o bebé e a criança vão estabelecendo com eles.
As expetativas, desejos e sonhos que os pais desenvolvem em relação ao seu/a filho/a relacionam-se com aquilo que ele/a será ou terá no futuro: advogado, médico, cabeleireiro, bom atleta, autónomo, integro, franco e honesto, preocupado com a sua aparência, respeito pelos outros, resistência à doença …
É num medir de forças entre as expetativas, desejos e sonhos dos pais e os reais interesses, competências e capacidades dos filhos, que se pode desenvolver um sentimento de incompetência, uma imagem empobrecida de si e das suas capacidades e o sentimento de não gostar de si mesmo/a, o que se designa por baixa autoestima.
Quando Coimbra de Matos nos diz que “só pode amar e amar-se quem foi amado” – numa sequência natural que inicia no ser-se amado (pelos pais), que passa pela capacidade de se amar (a si mesmo) para finalizar na possibilidade de amar o outro – possui subjacente a convicção de que os pais (os bons pais – biológicos ou adotivos, acrescenta ele) desempenham um papel fundamental no crescimento saudável e harmonioso do bebé e da criança, um papel onde a sua capacidade de amar incondicionalmente e a não exigência de retribuição desse amor são essenciais para o que o seu filho desenvolva uma boa estima de si.
SABIA QUE:
  • Será mais sensível ao que o seu filho pensa e sente se conseguir colocar-se na sua pele.
  • É muito importante para o seu filho ser levado a sério.
  • As crianças cujos pais têm uma imagem negativa de si têm mais dificuldade em ver-se de forma positiva.
  • As crianças dos 6 aos 12 anos dão muita importância á sua aparência física; são particularmente sensíveis á atração suscitam e à aprovação dos outros
  • A forma como o seu filho se vê e se avalia influencia os seus atos.
  • Ter uma autoestima positiva é ser capaz de aceitar os seus limites e erros.
  • A opinião que o seu filho tem de si próprio influencia consideravelmente a sua propensão para ter êxito e uma vida feliz.
A tarefa dos pais não é fácil, nem simples, pois exige encontrar um equilíbrio entre a necessidade de impor regras e limites (que são fundamentais para o desenvolvimento da capacidade de estabelecer relacionamentos harmoniosos com os outros indivíduos) e proporcionar situações em que o seu filho/a desenvolva gradualmente a capacidade de viver a sua vida de forma autónoma, independente e com respeito pelos outros. E essa capacidade é tanto mais fácil de alcançar quanto mais a criança se sentir confiante nas suas capacidades.
REGRAS E LIMITES
  • As crianças sentem-se seguras quando lhes fixamos limites.
  • As regras são necessárias ao bom funcionamento de todo o grupo social, incluindo da família.
  • As regras devem ser estabelecidas em função da idade das crianças. E, acima de tudo, devem ter em conta as suas necessidades.
  • Após terem estabelecido as regras, é importante que os adultos prevejam as consequências que delas decorrem, positivas ou negativas…
  • Os pais são os primeiros modelos dos seus filhos
  • Uma relação de amor está na base de toda a disciplina
  • Nos períodos de crise, a criança deve verificar que o amor dos pais não diminuiu. Aprende assim a manter a sua autoconfiança, apesar das dificuldades com que se depara ao longo da vida.
Uma elevada autoestima pode ser considerada como um mecanismo mental que incentiva o indivíduo a aceitar novos desafios e o auxilia a ultrapassar os problemas que naturalmente se vão colocando ao longo da vida. Não é por acaso que Carl Rogers considerava que uma boa estima de si constitui um excelente protetor da sanidade mental.

SUGESTÕES DE LEITURAS
Laporte, D. & Sévigny, L. (2006). A auto-estima dos 6 aos 12 anos. Coleção Crescer & Viver. Lisboa: Climepsi.
Duclos, G. (2006). A Autoestima, Um passaporte para a vida. Coleção Crescer & Viver. Lisboa: Climepsi.

FOTO: Família Carvalho (parte da minha linda família!)