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Entendendo o autismo...

O autismo é uma das mais graves perturbações de desenvolvimento da criança, que resulta numa incapacidade que se prolonga durante toda a vida. Manifesta-se através de dificuldades muito especificas ao nível da interação social, da aquisição e uso convencional da comunicação e da linguagem, pela restrita variedade de interesses e alterações do comportamento.
Estas perturbações, estão geralmente associadas a dificuldades em utilizar a imaginação, em aceitar alterações de rotinas, a um défice de atenção e de concentração, à falta de motivação e à exibição de comportamentos estereotipados, implicam também um défice na flexibilidade de pensamento e um modo de aprender peculiar.


SUGESTÃO
Livro: O menino e o Cavalo. Autor Rupert Isaacson.

Autor de reportagens sobre viagens publicadas em prestigiados jornais e revistas, Rupert Isaacson, britânico a residir no Texas, utiliza a capacidade descritiva própria do jornalismo de género para partilhar a aventura mais importante da sua vida: uma viagem de cavalo pela Mongólia, na companhia da mulher, Kristin, e do filho, Rowan. O relato fascinante de um pai que descobre, por acidente, que o contacto do filho autista de cinco anos com Betsy, uma égua trigueira, desperta na criança reacções de afecto e progressos linguísticos.

Movido pela força do amor, Rupert ambiciona partir «para lá do Sol-posto», procurando juntar o poder curativo dos animais com o dos xamãs mongóis, os únicos elementos que exerceram alguma mudança no comportamento de Rowan. Durante muito tempo, Kristin, professora catedrática de Psicologia Clínica, mostra-se céptica face às ideias do marido, mas, cansada de submeter o filho a dezenas de terapias sem quaisquer resultados, sente que não tem nada a perder.

Além do receio das tempestades neurológicas de Rowan perante situações imprevisíveis, esta família, à beira da ruptura, carrega na bagagem a esperança de retirar o filho do seu mundo distante e incompreensível. «Oitenta por cento dos casais com filhos autistas, separam-se. Era fácil perceber porquê», escreve o autor.
Em permanente desespero para ajudar Rowan desde que confirmaram o seu autismo, aos 18 meses, estes pais reaprendem a sentir o espírito da aventura que os juntou e descobrem, que afinal, há lugar para os sonhos.

A cada passo de viagem, Rowan deixa o seu mundo fechado para partilhar emoções.
Um exemplo de coragem, apresentado com uma narrativa descontraída, mas profunda, que pode ajudar outras famílias com o mesmo problema.
Um livro que nos prova que, na vida, não existem impossíveis, por mais firmes que nos pareçam os obstáculos...
Trailer do livro

SÍNDROMES| Síndrome do Sotaque Estrangeiro

Tiffany Roberts, de 61 anos, nascido no estado americano de Indiana, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral, passou a falar inglês com sotaque britânico, sem ter estado na Grã-Bretanha. Os médicos afirmaram que estava a sofrer da chamada "Síndrome do Sotaque Estrangeiro", uma doença rara que ocorre quando uma parte do cérebro é danificada, após um acidente vascular cerebral, ou um traumatisma craniano.
Na literatura médica existem casos semelhantes registados, contudo, os especialistas ainda estão a estudar a forma como a doença se manifesta.
O primeiro caso registado surgiu na Noruega, em 1941, quando uma mulher passou a falar norueguês com um forte sotaque alemão, depois de ter sido atingida por um projétil durante um ataque aéreo. Consequentemente, passou a ser hostilizada na sua comunidade.
Acredita-se que apenas 60 pessoas em todo o mundo sofram com a síndrome do sotaque estrangeiro.

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VIDEO: Síndrome do Sotaque Estrangeiro - Doença rara faz brasileiro ter sotaque de estrangeiro.


SÍNDROME DA PRESSA, conhecem?

A síndrome da pressa é um problema psicológico e comportamental verificado, atualmente, num grande número de pessoas.
As características típicas desta síndrome são: tensão, hostilidade, impaciência, valorização da quantidade e desvalorização da qualidade, sono agitado, intolerância a atrasos, procura de substâncias que controlem as emoções, interrupção da fala de terceiros, passos rápidos entre outras.

Diretamente ligada ao stresse e ao “corre-corre” diário, a síndrome da pressa altera:
  • O convívio com outras pessoas, já que é sempre apressado na realização de suas tarefas;
  • A saúde do indivíduo, já que, por exemplo, não se consegue alimentar com calma, isso quando se alimenta;
  • O trabalho, já que assume muitas responsabilidades e delega poucas tarefas a terceiros;
  •  Entre outras áreas afetadas.
A síndrome da pressa não é reconhecida e nem classificada na psiquiatria, porém é conhecida e estudada desde 1980. Desde os primeiros estudos são detetadas alterações na autoestima e na confiança do apressado, pois normalmente procura realizar uma quantidade de tarefas irrealistas, ou seja, quase impossível. Dessa forma, os sentimentos de frustração, “autopunição” e incapacitação podem conduzir a outros problemas mais graves.

A mudança de rotinas é a única forma de inibir a síndrome da pressa, já que ainda não tem tratamento específico, a não ser se estiver ligada à ansiedade ou a altos níveis de stresse. Para melhorar a qualidade de vida e conseguir diminuir a pressa é importante relaxar com músicas leves, observar a natureza, dedicar-se mais à família, realizar tarefas fora do contexto diário, organizar as tarefas diárias priorizando as mais importantes, dormir no mínimo oito horas e alimentar-se de forma saudável.

“Na vida não tenhamos pressa,
 mas não percamos tempo!” – José Saramago
Artista: Noiserv
Música: Palco do Tempo -- Da banda sonora do documentário José & Pilar. (Para ouvir todas as faixas clique em: https://www.facebook.com/#!/pages/Noiserv/135045871677?sk=app_204974879526524)

É o palco do tempo
Sem tempo a mais
São voltas às voltas
Por querer sempre mais

É um verso atrás
Um degrau que não viu
São curvas as rectas
Num final não vazio

É o palco do tempo
Sobre o tempo a mais
São voltas à espera
Que não vivendo mais

SÍNDROME DE ESTOCOLMO: qual o significado?

Ouvir Muse já se tornou um caso sério de inspiração!!! Desta vez com o tema Stockholm Syndrome.


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Em Agosto de 2006 os jornais e telejornais de todo o mundo noticiavam a fuga da austríaca Natascha Kampusch, após 8 anos de cativeiro. Recordo-me que às imagens de estupefação e alegria do seu pai, seguiram-se a notícia do suicídio do presumível raptor e, para espanto de todos, as palavras de simpatia da jovem pelo mesmo. Os especialistas apressaram-se a esclarecer que estávamos apenas a presenciar mais um exemplo da “Síndrome de Estocolmo” (= simpatia da vítima pelo seu raptor).


Mas será assim tão estranha esta simpatia da vítima pelo seu raptor?
Este fenómeno não é estranho e nem sequer é raro, pois também está presente em situações de grande tensão emocional, como são exemplos o abuso infantil e a violência doméstica em geral. Estamos, portanto, perante um processo psicológico desencadeado para que a vítima consiga "suportar" a situação traumática.
A designação “Síndrome de Estocolmo” esclarece-nos, desde já, que algo aconteceu na capital da Suécia. De facto, nesta cidade, em Agosto de 1973, foi assaltada uma dependência do Kreditbanken e durante seis dias os empregados foram mantidos nas instalações pelos assaltantes. Após a sua libertação, e para espanto de todos, estes empregados bancários, em vez de acusarem os seus opressores, defenderam-nos.
Mas o mais estranho estava para chegar. Em Fevereiro do ano seguinte, Patty Hearst, uma herdeira multimilionária educada nas melhores escolas da costa leste norte-americana, é raptada pelo autodenominado Symbionese Liberation Army, que pediu como resgate a distribuição de 6 milhões de dólares de bens de primeira necessidade pelos pobres da cidade de São Francisco. Apesar da família Hearst ter distribuído a quantia, Patty não foi libertada. E 60 dias depois, foi fotografada a participar fortemente armada num assalto a uma dependência do Hibernia National Bank (por acaso propriedade da família da sua amiga de escola Patrícia Tobin).
Um terceiro e último exemplo é o de Yvonne Ridley, jornalista do “Daily Express”, que foi capturada e retida durante 11 dias pelos talibãs no Afeganistão, em Setembro de 2001. Durante a sua estada junto dos talibãs prometeu a um dos seus dirigentes religiosos que iria estudar o Islão se a deixasse regressar a Londres. O que fez, tendo-se convertido em 2003 ao Islamismo mais radical (mas não, ela não se considera uma vítima…).
Explicações para este fenómeno?
A duração parece desempenhar um papel importante. Nos quatro casos relatados, as vítimas/reféns/cativos passam dias, meses ou anos permanentemente com os seus agressores/raptores/guardas.
Os exemplos apresentados e outras situações semelhantes, como o abuso infantil e a violência doméstica, são situações de grande intensidade emocional, em que as vítimas estão constantemente receosas sobre o que lhes vai acontecer.
Um outro fator é a substancial diferença de poder das vítimas em relação aos agressores, possuindo, estes, plenos poderes sobre as suas vidas e a sua liberdade.
Como os exemplos sugerem nos mais diversos contextos culturais, a universalidade destes comportamentos dita a existência de um mecanismo de sobrevivência física mas também psicológica.
  • Será um mecanismo geneticamente desenvolvido para que o indivíduo sobreviva caso seja retirado do seu contexto social?
  • Ou talvez um mecanismo psicológico que auxilia o indivíduo a lidar com uma situação que de outro modo seria insuportável pela objetiva (e subjetiva) completa ausência de controlo?
  • Ou será antes um mecanismo psicológico de defesa que, ao permitir a identificação com o agressor todo-poderoso, garante a proteção e a sobrevivência da vítima? 
EXPLICANDO...
LIGAÇÃO AO CAPTOR
Dado que os comportamentos das vítimas são muito semelhantes, independentemente da sua cultura de origem, alguns autores sugerem que se trata de um mecanismo psicológico adaptativo que possibilitou a sobrevivência nas sociedades primitivas de caçadores coletores, especialmente das mulheres. O rapto de mulheres e criança por outras tribos de caçadores coletores foi um fenómeno comum, pelo que as mulheres nossas antepassadas, que desencadearam comportamentos de maior afeição interna pelos captores, tiveram maior probabilidade de sobrevivência de sobrevivência e passaram à descendência essa característica. Por exemplo, alguns dos bancários da situação original, que deu origem à designação do fenómeno, após o seu resgate organizaram uma recolha de fundos para defesa dos seus captores…

IDENTIFICAÇÃO COM O AGRESSOR 
O agressor é o que possui objetivamente mais poder, que decide sobre a vida e a morte da vítima. Para alguns autores, com base nos modelos psicanalíticos, a identificação com o agressor maximiza a probabilidade de sobrevivência. O caso da jornalista Yvonne Ridley, raptada pelos talibãs, é uma forte demonstração desta identificação, pois atualmente ela acusa os islamitas moderados de servos do ocidente e do capitalismo.

ILUSÃO DE ESTABILIDADE E CONTROLO
O ser humano, de modo a conter a sua ansiedade, necessita de perceber estabilidade no mundo que o rodeia e de sentir algum grau de controlo sobre esse mundo. A vítima está numa situação que, no limite, é cognitiva e emocionalmente insuportável: nunca sabe e não decide o que vai acontecer a seguir, a ligação emocional ao agressor torna mais suportável a sua situação, especialmente quando replica os seus comportamentos, como parece ser a situação vivida por Patty Hearst

Seja qual for a explicação que decida adotar, só há mais um grão a acrescentar à engrenagem: a Síndrome de Estocolmo poderá transformar-se na Síndrome de Lima. Nesta cidade peruana o Movimiento Revolucionario Túpac Amaru ocupou a Embaixada do Japão em finais de 1996, fazendo cerca de 140 reféns, mas aqui o processo psicológico desenrolou-se em sentido inverso, tendo os guerrilheiros ficado gradualmente sensibilizados com a situação vivida pelos seus reféns. Talvez, precisamente, porque o diferencial de poder não se registasse de forma tão dramática como noutras circunstâncias.