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Entre a imaginação e a realidade: A Hipocondría

SER HIPOCONDRÍACO É...
Uma perturbação vista aos olhos da ciência
A Sociedade Americana de Psiquiatria define hipocondria como uma perturbação em que estão presentes as seguintes características em simultâneo:

  • Medo excessivo de ter uma doença, acompanhado por alguns sintomas.
  • A preocupação persiste apesar da avaliação médica se revelar negativa e do especialista assegurar que não há qualquer problema de saúde.
  • A situação leva a um estado de ansiedade e stresse que prejudica o comportamento do dia-a-dia em várias áreas (social, pessoal, profissional).
  • Mantém-se ao longo do tempo. Dura, pelo menos, seis meses.
O PÚBLICO-ALVO
A hipocondría é mais frequente entre as mulheres e surge principalmente entre os 30 e os 40 anos.

TESTE
Tendência para a hipocondria (descubra a probabilidade de vir a ter uma perturbação que é muito mais do que imaginação)
  1. Preocupação constantemente com a probabilidade de ter alguma doença grave?
  2. Sofre de dores e sintomas variados?
  3. Presta muita atenção a tudo o que acontece no seu corpo?
  4. Está muito preocupado/a com a sua saúde?
  5. Com frequência, tem sintomas de doenças muito graves?
  6. Se tem informação de alguma doença grave (através da imprensa, por exemplo) preocupa-se com a possibilidade de adoecer?
  7. Quando está doente, preocupa-se e incomoda-se se alguém diz que você já está melhor?
  8. Sente-se atingido por muitos sintomas diferentes?
  9. Custa-lhe a acreditar no médico quando ele afirma que não tem nenhuma doença?
  10. Tem a sensação de que as pessoas não levam a sério a sua doença ou queixas?
  11. Tem convicção de que a sua preocupação com a saúde é maior do que as dos seus amigos?
  12. Acredita que há algo no seu corpo que está a funcionar mal?
  13. Tem medo de ter alguma doença?
Avaliação: cada resposta afirmativa vale um ponto. Resultado igual ou superior a oito deve fazer com que questione a importância de procurar ajuda profissional.
Nota: Baseado no índice de Witeley

A EFICÁCIA DE UMA SOLUÇÃO porque a hipocondia tem tratamento
  • O tratamento da hipocondria tem duas componentes, a farmacológica e a comportamental.
  • Através da psicoterapia, psicólogos ou psiquiatras, procuram desconstruir a perturbação e todos os comportamentos que lhe estão associados.
  • Adaptando a terapêutica a cada caso, os psiquiatras têm como principais ferramentas farmacológicas os ansiolíticos e os anti-depressivos.
  • A duração do tratamento pode ir até um ano, mas este é, em geral, eficaz.
**
MÚSICA DO DIA

1 OUTUBRO| Dia Mundial da Música

A ciência diz-nos que ouvir música todos os dias, pode ser uma forma simples e eficaz de melhorar o bem-estar e a saúde.
A propósito das emoções evocadas pela música, António Damásio, neurocientista português, escreve em Ao Encontro de Espinosa, p.138: "pensemos na facilidade com que escutar Bach ou Mozart, Shubert ou Mahler, nos conduz a uma experiência esperitual"...Já pensaram nisso? Que músicas vos conduzem a tal experiência?!

Tenho várias: a generalidade das músicas de Sigur Rós, o Concerto de Aranjuez de Joaquín Rodrigo, ... A lista é extensa. Mas hoje partilho a música que dá nome a este meu "Chaos of expectatios, balack holes and revelations": Butterflies & Hurricanes dos meus queridos MUSE! (tudo sobre a origem do blog AQUI)

Como é bom quando as expetativas não são defraudadas!...

Alinhamento TOP| Supremacy; Supermassive Black Hole;Panic Station; Bliss; Resistance; Animals; Knights of Cydonia; Dracula Mountain (Lightning Bolt); Guiding Light; Feeling Good; Follow Me; Madness; Time Is Running Out; New Born; Unintended; Hysteria; Undisclosed Desires; The 2nd Law: Unsustainable; Plug In Baby; Survival; The 2nd Law: Isolated System; Uprising; Starlight...






Momento "Unintended" 
 Fotografias: Butterflies & Hurricanes 
@Oporto| Muse Live

"...Um concerto onde se deu tudo aquilo que era esperado. Um alinhamento desenhado a régua e esquadro, uma invasão de luzes e fogo e todo o entretenimento que se pede a um concerto de estádio. É como dizem os americanos: "there's no business like show business". "
Ler mais: AQUI



Frase do dia: "We will be victorious"

Se é verdade que "os tempos de hoje são lixívia, descolorindo os encantos", também é verdade que temos de contrariar a realidade (pelo menos tentar). A passividade estagna-nos. O silêncio apaga-nos.


...It's time the fat cats had a heart attack...
We have to unify and watch our flag ascend
They will not force us
They will stop degrading us
They will not enslave us
We will be victorious...

Muse  - Uprising

"Cada povo tem direito à sua música e ao silêncio. Tem direito a dicidir de que modo quer interromper o silêncio. Direito a escolher que sons quer: que palavra e que nota musical. Mas, repara: não há silêncios populares. Como isso assusta." -- Gonçalo Tavares

Animals

O novo videoclip dos Muse foi criado por uma dupla portuguesa:Inês Freitas & Miguel Mendes. 
Para não variar ...gosto muito da letra, uma crítica ao capitalismo selvagem e à ganância dos mais poderosos. Quanto ao vídeo, esse acompanha-a na perfeição. Excelente! E a felicidade passa por isto: correr em busca dos nossos sonhos. Parabéns Inês! Parabéns Miguel!



"O que é feito em Portugal não é bom...é excecional!"

"You should make a stand. Stand up for what you believe"

.SOM DO DIA



Follow through
Make your dreams come true
Don't give up the fight
You will be alright
'Cause there's no one like you
In the universe
Don't be afraid
Of what you're mind conceals
You should make a stand
Stand up for what you believe
And tonight we can truly say
Together we're invincible (...)


PENSAMENTO DO DIA
Não gosto do medo. Não gosto de ter medo. E não gosto do que o medo faz às pessoas. Inibe-as, constrange-as, às vezes, paralisa-as, impedindo-as de agir, de lutar pelos seus direitos, pelo seu bem-estar, pelos seus sonhos e de se tornarem protagonistas na sua própria vida.
Atreve-te a sair da tua "zona de conforto". Deixa que os teus sonhos sejam maiores que os teus medos.
 Não é fácil, dá trabalho... mas vale a pena!

Partilho um video fabuloso que identifica muitos dos medos que nos atormentam ao longo da nossa vida...

"Quando trabalhas muito por uma coisa, todo o Universo conspira para a alcançares." - Goethe

Nós somos aquilo em que pensamos?
Nós não obtemos aquilo que queremos, obtemos aquilo que somos...
E aquilo que somos é aquilo que pensamos...
Se pensar "não sou capaz", não serei mesmo capaz. Mas se pensar "sou criativo, sou capaz, tenho inspiração, sou bom nisto, sou perseverante...", a obra nasce, é ou não é verdade?
Os pensamentos em que acreditamos são as nossas crenças (penamentos continuados), que desencadeiam emoções, e delas dependem, numa porproção direta, aquilo que a vida nos dá.
Penso no fracasso, na derrota, terei fracasso e derrota. Penso no sucesso, na vitória, terei sucesso e vitória.
 
[Causa - Efeito]
A causa é o pensamento e o sentimento, o efeito é a maniefestação.
Reconhecer as causas é realmente pensar (admito que por vezes é desgastante e gera desassossego!).
Ouvi, há já algum tempo, uma entrevista feita por Judite de Sousa a alguém que tinha superado mais de uma dezena de cancros... como é possível? Para além de outras contigências, deve-se muito à força mental, pensamento positivo, acreditar na cura, pensamentos de bem-estar... Meio caminho andado para a cura de uma doença é a crença nessa cura, a ausência de dúvidas, de medo... mas acreditar com todas as forças nessa verdade...Vou Vencer.
Pensando no hipocondriaco, este procura e procura a doença até que encontra uma, dirá: "Estão a ver, afinal tinha razão, sempre tenho uma doença". Não acredito nisso, acredito que a sua crença na doença a tornou real.
 
Daniel Sampaio compara a ação dos psicólogos aos remos de um barco: orientamos, apoiamos, ajudamos, mas a força tem de ser de quem rema.
 
Mais uma vez a força, o poder daquilo em que se acredita.
Perante uma depressão, uma obsessão, uma dependência... a pessoa pode obter ajuda junto de um pscólogo/psiquiatra, recorrer a medicação, mas vencer...vencer depende principalmente dela.
 
Recordo-me de um filme fantástico baseado na vida do matemático John Nash (Prémio Nobel da Economia): "Uma mente brilhante". John Nash (protagonizado pelo fabuloso Russel Crowe!!) era esquizofrénico. A esquizofrenia não tem cura. O esquizofrénico tem de ser medicado e nunca terá uma vida dita normal. John Nash foi várias vezes internado, era medicado, mas conseguiu algo absolutamente extraordinário: consciencializou-se da sua doença ("Eu sou esquizofrénico e tenho alucinações") e usou toda a sua racionalidade para distinguir o real do imaginário (alucinações). O poder da mente em todo o seu esplendor.
A força do nosso EU é capaz de tudo: sucesso/insucesso; saúde/doença; mais longevidade/menos longevidade;...
 
Aquilo que somos é aquilo que pensamos...E o que a vida dá é aquilo em que pensamos/acreditamos.
Não esquecer, contudo, que só "quando trabalhamos muito por uma coisa, (é que) todo o Universo conspira para o alcançarmos".
Quando Goethe defende que é preciso "trabalhar" para alcançarmos os nossos objetivos, significa que, eventualmente, precisamos alterar contigências na nossa vida e de agir de forma operante sobre elas.
 
Em suma, é preciso acreditar e AGIR. Só assim o mundo, efetivamente, muda e o Universo conspira a nosso favor!
 

Muse: Butterflies and Hurricanes
"Best
You've got to be the best
You've got to change the world
And you use this chance to be heard
Your time is now

Don't
Let yourself down
Don't let yourself go
Your last chance has arrived"
 
 
Afinal, nada faz mais falta ao homem do que o próprio homem!

Banda Sonora do Dia [Muse - Live iTunes Festival 2012] ❤



Fabulosos ao vivo! As músicas ficam ainda melhores, ganham outra "força"...

ALINHAMENTO
01 - Supremacy 0:00:00
02 - Map of the Problematique [With Who Knows Who Riff Outro]0:05:50
03 - Panic Station [With Voodoo Child Riff Intro] 0:11:10
04 - Resistance 0:14:49
05 - Supermassive Black Hole 0:20:31
06 - Animals [With Improvisation Intro] 0:25:54
07 - Time Is Running Out [With Heartbreaker Riff Outro] 0:29:53
08 - Save Me 0:34:35 
09 - Madnes0:40:09 
10 - Uprising [With Extended Outro Riff] 0:45:11
11 - Follow Me 0:51:06
12 - Plug In Baby 0:54:59
13 - Knights of Cydonia [Man With A Harmonica Intro] 0:59:27
Encore:
14 - New Born [With Head Up Riff Outro] 1:11:09
15 - Starlight 1:18:33
16 - Survival 1:23:07

E já só faltam 18 semanas!!!!
Será a terceira vez que os vejo ao vivo, mas será a primeira em estádio. Pareço uma criança, estou ansiosa!
Eles são, para mim, a verdadeira banda de palco ...
Extremamente perfecionistas.



Gosto da letra da grande maioria das músicas, muitas das quais inspiram-se em temas da minha área: hysteria, stockolm syndrome, darkshines, space dementia, megalomania, muscle museum... Uma verdadeira complementariedade entre a música e a Psicologia!!!

Para os mais curiosos VER AQUI

Exorcizar fantasmas

Uma certa dose de preocupação é benéfica ao ser humano. Como diria o poeta: "na medida certa, nem demais e nem de menos."

É inegável que as pessoas têm desassossegos sobre muitas coisas. Eu tenho! Há quem se preocupe legitimamente com questões de dinheiro e segurança familiar, questões de saúde, relacionamentos pessoais, profissionais, etc. 

Porém, existe uma outra categoria de preocupações que além de não ajudarem em nada são até perigosas para a nossa saúde... Estou a referir-me àquele tipo de preocupações criadas pela nossa imaginação…

Se não “exorcizarmos esses fantasmas” que residem em nós, eles acabam por nos bloquear e impedir-nos de avançar...
Aviso de amiga: "eles são péssimos conselheiros!"…
Qual a ironia da situação? A ironia é que ficamos à mercê de algo que fomos nós que arquitetamos na nossa  própria mente.

Afinal de contas, somos fruto da nossa imaginação, não é verdade?! 

Em modo de encerramento [E a minha medalha de ouro vai para...]

“ A saúde mental positiva está diretamente correlacionada com o sucesso no desporto” 
(Morgan, 1985)

Os jamaicanos Carter, Frater, Blake & Bolt (que venceram a estafeta 4X100 mais rápida de sempre) são o espelho desta afirmação.
"Quando nos divertimos reduzimos muito a pressão... e assim conseguimos ser mais rápidos...". A verdade é que deram espetáculo, divertiram-se e divertiram...e a brincadeira só parou por 36,84 segundos!!
Vale a pena ver  
AQUI vídeo da RTP. 
É impossível ficarmos indiferentes à boa disposição e ao pensamento positivo destes 4 atletas. Sou Fã!

Assumo, se tivesse de eleger O ATLETA, destes jogos, seria Usain Bolt.
(Não pelo nº. de medalhas, mas pelo atleta em si. Pelas suas qualidades enquanto desportista, pelo espetáculo que proporciona, pela empatia que cria com o público e, acima de tudo, porque "respira garra"!)

ImagemDiario Olimpico

Vou dizer algo que pode  não ser bem aceite, mas mesmo assim arrisco (!): causa-me um nervoso miudinho quando, após um mau resultado, afirmam: "Para mim estar nos Jogos Olímpicos já é um prémio".  Creio que nos falta, muitas vezes, espírito vencedor... Não nos podemos esquecer que o estado português investiu 15,1 milhões de euros que resultou APENAS numa medalha de prata e 9 diplomas.
***

E o que é que os melhores têm (para além das competências desportivas) que os outros não têm?

Níveis elevados de: Autoestima, Autoeficácia, Expetativas e Motivação/Determinação. Qualquer treinador ou atleta sabe reconhecer a importância destes atributos como condição necessária para se competir com êxito e sucesso. “Podes fazê-lo, só necessitas de um pouco de confiança”, é uma expressão muito familiar para os treinadores e desportistas.

O QUE É A AUTO-EFICÁCIA?
Para Bandura, a autoeficácia é a crença de que somos capazes de executar ou atingir determinados níveis de rendimento. É o grau de convicção que o desportista coloca ao executar um determinado comportamento, acreditando que irá ser produzido um determinado resultado. 

O VALOR DA AVALIAÇÃO DAS PRÓPRIAS CAPACIDADES É IMPORTANTE?
Sim, na medida em que as expetativas de eficácia pessoal influenciam a quantidade de esforço a despender.
E o grau de persistência face a obstáculos ou experiências desagradáveis, na realização de tarefas com que o atleta se confronta.

EXPETATIVAS DE EFICÁCIA PESSOAL
Referem-se ao grau de certeza e de convicção pessoal do atleta, de que é capaz de realizar com sucesso os comportamentos exigidos, para produzir um determinado resultado. “Tenho 90% de certeza que sou capaz de ganhar esta prova”.

EXPETATIVAS DE RESULTADO
Referem-se à crença pessoal do atleta, de que um determinado comportamento leva ou origina determinados resultados. “Se ganhar esta prova, serei considerado o atleta mais rápido do planeta (!), por exemplo”.

AUTOESTIMA
O autoconceito é uma descrição do que o indivíduo sente acerca de si próprio; a autoestima dá um valor a esses sentimentos, representando uma autoavaliação da sua forma de ser ou estar; ou seja, a autoestima é o constructo que melhor representa o bem estar psicológico do sujeito.

O QUE É A MOTIVAÇÃO
É muito fácil um atleta sentir-se motivado quando os seus objetivos são atingidos (bons desempenhos desportivos, ausência de lesões, vitórias); difícil é continuar motivado quando as expetativas não são cumpridas, ou no surgimento de adversidades (injustiças, frustração, lesões graves).

MAS O QUE SIGNIFICA ESTAR MOTIVADO
A motivação é o processo de ativação que ajuda a dirigir e a manter o comportamento; é a tendência para lutar pelo sucesso, de persistir face ao fracasso e experienciar orgulho pelos resultados conseguidos; é a direção (”sei o quero fazer, ter ou conseguir”) e intensidade (“envolvo-me com diferentes graus de intensidade, na direção que selecionei para a minha ação”) do esforço de um indivíduo.

"Race, life’s a race 
And I am gonna win 
Yes, I am gonna win 
And I’ll light the fuse 
And I’ll never lose 
And I choose to survive”

 (Survival-MUSE)

Dark Shines

"Quando encaramos o modo de vida dos outros através do nosso próprio sistema de valores, podemos ficar chocados; mas se soubermos o que levou determinada pessoa ao ponto onde agora se encontra, então talvez consigamos ser um pouco mais compreensivos..."
 (Butterflies & Hurricanes)

Há algum tempo perdi alguém muito especial. é difícil dizer-vos o quão especial era...
Admirado por muitos; não sei de ninguém que, depois de o conhecer, não se rendesse à sua genuinidade, bondade e humildade…
Era trabalhador, honesto, altruísta, teimoso (como eras teimoso!), lutador, verdadeiro, generoso (pensou sempre mais nos outros do que em si mesmo),…
Fará sempre parte daquele grupo de pessoas maravilhosas que designo de: “Cometas brilhantes: passam pelas nossas vidas e enchem o nosso coração de luz (sentimentos nobres)…”
Mas perdemo-lo para uma dependência…Como me dói dizê-lo, mas era fraco. Revolta-me tanto que não tenha conseguido fazer por si, o TANTO que conseguiu fazer pelos outros. Como é que alguém tão forte, que conseguiu contrariar as duras partidas que a vida lhe foi pregando, sem nunca baixar os braços, se deixa levar dessa forma?...Não tenho o direito de a partilhar, mas sei que a sua história agridoce dá parte da resposta a essa questão...

Pensem na diferença de julgamento: se ao invés destas palavras, vos disse-se apenas: morreu porque era um "viciado/dependente". Haveria diferenças no julgamento, não é verdade? Mas nunca se esqueçam que a droga costuma ser apenas a superfície visível do fenómeno, é a topografia da resposta a um estilo de vida autodestrutivo (mas porquê?).

Lamento muito sempre que se perde alguém PARA as drogas. Fácil é julgar, difícil é deixá-las. Fugir delas? Mas quais as razões para as procurar? As razões são várias, e não são elas que fazem do indivíduo melhor ou pior, trata-se de um indivíduo com uma fraqueza que, aliada às mais diversas contingências da vida, o empurra para um mundo muitas vezes sem volta…Dark Shines.

(Com esta publicação, não quero que pensem que defendo as drogas, muito pelo contrário...)


Unintented





"Aqui e ali" oiço a frase: "Se se pudesse escolher, mas não se escolhe quem se ama".... E porque se haveria de escolher?
Afinal, em todas as nossas escolhas existe sempre um potencial de engano, de erro. Porque haveria de ser diferente na escolha do amor?
Deixemo-nos de "coisas" (!!). O erro faz parte. Passamos a vida a dizer que errar é aprender, mas no amor deveríamos acertar à primeira... e porquê?!

JOGOS OLÍMPICOS ["No coração, a minha força, a minha nação"]

Desde miúda que sou fã dos Jogos Olímpicos. O curioso é que, independentemente da identidade do atleta, emociono-me com as vitórias, principalmente com as mais "suadas". Talvez por considerar admirável a capacidade do ser humano levar ao limite a sua FORÇA e a sua DETERMINAÇÃO.
"No Coração, a minha Força, a minha Nação", frase de MOTIVAÇÃO gravada no blazer dos Atletas Olímpicos Portugueses. Boa sorte para eles!
Sim, este ano há mais uma boa razão para não os perder... O tema oficial: Survival dos MUSE! Um tema que nos fala da perseverança, convicção e determinação na vitória... ADORO!


"Race, life’s a race 
And I am gonna win 
Yes, I am gonna win 
And I’ll light the fuse 
And I’ll never lose 
And I choose to survive 
Whatever it takes 
You won’t pull ahead 
I’ll keep up the pace 
And i’ll give you my strenght 
To the whole human race 
Yes i am prepared 
To stay alive 
And i won’t fogive, vengance is mine 
And i won’t give in 
Because i choose to thrive (...)
Fight! Fight! Fight! Fight! 
Win! Win! Win! Win! 
Yes i’m gonna win "

Ação, Reação, Repercução

Capítulo 1
Há 7 Meses

Enquanto almoçava com o CN, comentei: “Está decidido, vou criar um blog”, ao que ele respondeu: ”Vai em frente... tens é de pensar no nome”…
Dirigimo-nos para o carro, entramos,…ligou o rádio…Comecei a rir. O nome está escolhido!
Estávamos a ouvir MUSE e a primeira faixa a tocar foi: “Butterflies and Hurricanes”.
"Borboletas e Furacões" – Teoria do Caos: a ideia central, desta teoria, é a de que uma pequenina mudança no início de uma sequência de comportamentos (por exemplo) pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Pode parecer assustador, mas basta pensarmos em simples situações da nossa vida para perceber o quão sentido faz esta ideia.

Pretendendo abordar, principalmente, temas da minha área (Psicologia) o nome assenta que nem uma luva! (O meu caos de expetativas, buracos negros e revelações!)

 

Continuava insatisfeita: faltava-me a “imagem do blog”…

Capítulo 2
Em Maio

Li na “Cronologia do Facebook” de uma amiga: “Meus amigos... preciso do vosso voto... estou a concorrer para um projeto da Princess Pea e se gostarem deste meu desenho, cliquem nele e coloquem o vosso voto... há mais ilustradores a concurso, e se gostarem, votem também...
Gostei, votei…Entre outros trabalhos lindíssimos, gostei muito da Ilustração da simpática Mafalda Gomes.  (TRABALHOS AQUI)

Visitei o seu blog (http://mafaldapuu.blogspot.pt/) e enamorei-me pelo seu talentoso trabalho.
Decido dedicar uma publicação (neste blog) ao seu trabalho. A Mafalda teve conhecimento e comentou a mesma, agradecendo a partilha. VER AQUI
Respondo ao comentário. Trocamos breves mensagens e o resultado é este:

Quis contar a história deste desenho, porque ela tem tudo a ver com o nome do blog. Esta ilustração teve início num simples “clique"!...
“O bater de asas de uma borboleta na China pode provocar, pouco tempo depois, um furacão no Caribe.”-- Edward Lorenz.

Foi assim com a história deste desenho, mas na nossa história pessoal o princípio é o mesmo: pequenos cliques na nossa vida podem provocar grandes, e desejadas, reviravoltas... A lei é simples e clara: ação, reação, repercussão.

Distúrbios alimentares. Padrão de Beleza, a quanto obrigas?...

A escravização a que as pessoas das sociedades “civilizadas” se submetem, para enquadrarem determinados padrões de beleza, tem sido um dos fatores socioculturais associados ao incremento da incidência de alguns dos chamados transtornos dismórficos, sejam corporais (anorexia, bulimia) ou musculares (vigorexia) ou obedecendo a dietas naturalistas (ortorexia).
Quando a preocupação com o corpo passa a uma obsessão geradora de sentimentos de insegurança, de introversão, de timidez, o corpo e a mente passam a ser “vítimas” de doenças de foro emocional. Podem ser acompanhadas de ansiedade, depressão, fobias, atitudes e comportamentos impulsivos e repetitivos e que conduzem ao já denominado Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), historicamente conhecido como Dismorfofobia ou medo da fealdade.
DEFEITO IMAGINÁRIO
A DSM-IV (Classificação Americana de Doenças Mentais) diz que a caraterística essencial do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é uma preocupação com um defeito na aparência, sendo este defeito imaginado ou, se houver uma ligeira anomalia de facto, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva e desproporcional. Esta preocupação deve causar sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social e/ou ocupacional, ou em outras áreas importantes da vida da pessoa.

ANOREXIA, VIGOREXIA E ORTOREXIA

A Anorexia Nervosa* é um transtorno alimentar caraterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso. E este medo, geralmente, não é aliviado pela perda de peso. Na verdade, a preocupação com o ganho ponderal, frequentemente, aumenta à medida que o peso real diminui.
A autoestima dos pacientes com anorexia nervosa depende, obsessivamente, da sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o aumento de peso é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrolo.
Escolhem a comida e o corpo representantes de um afeto que na verdade nada tem a ver com a alimentação no seu sentido mais concreto.
A Vigorexia (ou Complexo de Adónis) ainda não tem critérios definidos claramente pela CID.10 (Classificação Europeia das Doenças Mentais) e pela DSM-IV, mas algumas caraterísticas de personalidade começam a ser evidentes: baixa autoestima; dificuldades de integração social; introversão; rejeitar ou aceitar com sofrimento a própria imagem corporal; obsessão em tornarem-se musculosos; o sintoma central parece ser uma distorção na perceção do próprio corpo.
O culturismo é um desporto que se associa com este tipo de desordem, no entanto, não significa que todos os praticantes da modalidade tenham Vigorexia.
Emocionalmente, a Vigorexia pode ter como consequência um quadro de Perturbação Obsessiva-Compulsiva (POC), fazendo com que o próprio se sinta fracassado e abandone as suas atividades sociais, laborais, com o propósito de treinar e exercitar-se se pausa.
Estas duas doenças, Anorexia e Vigorexia, promovem a distorção da imagem que as pessoas têm de si mesmas: os anoréticos nunca se acham suficientemente magros, os vigoréticos nunca se acham suficientemente musculosos. Ambas podem ser, também consideradas, “patologias do narcisismo”, deficiência de amor próprio na saúde patológica.
A Ortorexia é um quadro onde a pessoa se preocupa muito com os os hábitos alimentares e dedica bastante tempo a planear, comprar e preparar e fazer refeições, ou seja, o exagero das dietas naturalistas, uma espécie de obsessão dietética.

CORPO IDEAL VS. CORPO REAL
O habitual, desejável para o ser humano em equilíbrio, é estar moderadamente preocupado com o seu corpo sem que esta preocupação se converta numa obsessão.
É olhar-se e sentir-se bem, é cuidá-lo.
O ideal, desejável e sadio não é o padrão imposto pelas revistas de beleza e pelos modelos publicitários, mas sim estar satisfeito consigo mesmo e saber aceitar-se como se é. A aceitação do corpo é a aceitação de quem somos, do todo que somos. É aceitar o local onde habitamos.

Referência Bibliográfica
Fonseca, A.F. (1985). "Psiquiatria e Psicopatologia", II Vol. Lisboa: Edições Calouste Gulbenkian.
 * Estou a escrever texto sobre a Anorexia Nervosa e Bulimia, em breve partilho com vocês.

MUSE - Muscle Museum

Histeria



"It's bugging me
Grating me
And twisting me around..."



Histeria é um tipo de neurose que se caracteriza, predominantemente, pela transformação da ansiedade subjacente para um estado físico. A palavra vem do termo grego “hystéra”, que significa útero. A própria palavra sugere o caráter feminino da doença, já que era atribuída a uma disfunção uterina.

As pessoas que sofrem de histeria apresentam uma situação de pânico intensa, traduzida sobre a forma de sintomas físicos, como por exemplo, paralisia, cegueira, surdez, etc., perdendo assim o autocontrole.
Sigmund Freud (1856-1939) estudou os mecanismos psíquicos da histeria, e concluiu que os distúrbios poderiam abranger os sentidos da visão, audição, paladar e olfato e variar desde simples sensações até a anestesia total e intensas dores agudas.

A maioria dos sintomas da histeria apresenta-se de forma combinada com outros tipos de distúrbios neuróticos. Quem sofre de histeria geralmente possui problemas em manter um relacionamento, seja de que natureza for.
O doente deve fazer psicoterapia cognitiva comportamental, acompanhada por tratamento farmacológico. A psicoterapia possibilita que a pessoa entenda os seus próprios sentimentos e simbologias, além de aprender a lidar com eles coordenadamente.


Freud e Breuer falam sobre a Histeria na sua Comunicação Preliminar (1893) e, posteriormente, nos seus Estudos Sobre a Histeria (1895)
"De maneira análoga, as nossas pesquisas revelam que a maioria dos sintomas histéricos são desencadeados por causas que só podem ser descritas como traumas psíquicos. Qualquer experiência que possa evocar afetos aflitivos tais como os de susto, angustia, vergonha ou dor física — pode atuar como um trauma dessa natureza; e o fato de isso acontecer de verdade depende, naturalmente, da suscetibilidade da pessoa afetada (bem como de outra condição que será mencionada adiante). No caso da histeria comum não é rara a ocorrência, em vez de um trauma principal isolado, de vários traumas parciais que formam um grupo de causas "desencadeadoras". Essas causas só puderam exercer um efeito traumático por adição e constituem um conjunto por serem, em parte, componentes de uma mesma história de sofrimento. Existem outros casos em que uma circunstância aparentemente trivial se combina com o fato realmente atuante ou ocorre numa ocasião de peculiar suscetibilidade ao estímulo e, dessa forma, atinge a categoria de um trauma, que de outra forma não teria tido, mas que daí por diante persiste". (Std. Ed. VolII pág.41)

A doença dos rituais

Quando uma simples mania toma conta de nós…
Quantas vezes lava as mãos, por dia? Quantas vezes verifica se o gás está desligado? Se desligou o fogão ou se as janelas estão fechadas? Quantas vezes se certifica que a porta está trancada ou se o carro ficou aberto? Quanto tempo perde a organizar a roupa antes de se deitar, ou a secretária antes de começar a trabalhar?
Estas e outras perguntas podem ter uma única resposta: Perturbação obsessivo-compulsiva. Começam por simples “manias”, que não afetam, mas, com o tempo, evoluem para rituais ilógicos capazes de transformar qualquer um em autêntico escravo da sua própria mente.

  • De acordo com a quarta edição do MANUAL DE DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICA DA ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA (DSM-IV), a perturbação obsessivo-compulsiva é uma situação crónica caraterizada pela presença de obsessões e/ou compulsões, que consomem, pelo menos, uma hora por dia, e causam sofrimento ao doente e/ou aos seus familiares.
  • Obsessões são ideias ou impulsos persistentes, que são vivenciados como intrusivos, ou seja, contra vontade do indivíduo e inadequados, causando ansiedade e sofrimento. A pessoa tem a noção de que alguma coisa não está bem com ela, mas que escapa ao seu controlo.
  • Compulsões são comportamentos repetitivos (como lavar as mãos, a híper-organização, rituais de verificação), ou ações “executadas” mentalmente (como repetir frases, contar, repetir palavras em silêncio) cujo objetivo é prevenir ou reduzir a ansiedade ou sofrimento, ao invés de oferecer prazer ou gratificação. A pessoa sente-se obrigada a executar a compulsão para reduzir o sofrimento que acompanha uma obsessão.
AUMENTO EXPONENCIAL
Os números têm vindo a aumentar e a perturbação obsessivo-compulsiva é já a quarta perturbação psicológica mais frequente. De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde, até ao ano de 2020, estima-se que estará entre as 10 causas mais importantes de doença.
Sim, esta é a minha mania...não a "das grandezas", mas ouvir MUSE...!

SÍNDROME DE ESTOCOLMO: qual o significado?

Ouvir Muse já se tornou um caso sério de inspiração!!! Desta vez com o tema Stockholm Syndrome.


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Em Agosto de 2006 os jornais e telejornais de todo o mundo noticiavam a fuga da austríaca Natascha Kampusch, após 8 anos de cativeiro. Recordo-me que às imagens de estupefação e alegria do seu pai, seguiram-se a notícia do suicídio do presumível raptor e, para espanto de todos, as palavras de simpatia da jovem pelo mesmo. Os especialistas apressaram-se a esclarecer que estávamos apenas a presenciar mais um exemplo da “Síndrome de Estocolmo” (= simpatia da vítima pelo seu raptor).


Mas será assim tão estranha esta simpatia da vítima pelo seu raptor?
Este fenómeno não é estranho e nem sequer é raro, pois também está presente em situações de grande tensão emocional, como são exemplos o abuso infantil e a violência doméstica em geral. Estamos, portanto, perante um processo psicológico desencadeado para que a vítima consiga "suportar" a situação traumática.
A designação “Síndrome de Estocolmo” esclarece-nos, desde já, que algo aconteceu na capital da Suécia. De facto, nesta cidade, em Agosto de 1973, foi assaltada uma dependência do Kreditbanken e durante seis dias os empregados foram mantidos nas instalações pelos assaltantes. Após a sua libertação, e para espanto de todos, estes empregados bancários, em vez de acusarem os seus opressores, defenderam-nos.
Mas o mais estranho estava para chegar. Em Fevereiro do ano seguinte, Patty Hearst, uma herdeira multimilionária educada nas melhores escolas da costa leste norte-americana, é raptada pelo autodenominado Symbionese Liberation Army, que pediu como resgate a distribuição de 6 milhões de dólares de bens de primeira necessidade pelos pobres da cidade de São Francisco. Apesar da família Hearst ter distribuído a quantia, Patty não foi libertada. E 60 dias depois, foi fotografada a participar fortemente armada num assalto a uma dependência do Hibernia National Bank (por acaso propriedade da família da sua amiga de escola Patrícia Tobin).
Um terceiro e último exemplo é o de Yvonne Ridley, jornalista do “Daily Express”, que foi capturada e retida durante 11 dias pelos talibãs no Afeganistão, em Setembro de 2001. Durante a sua estada junto dos talibãs prometeu a um dos seus dirigentes religiosos que iria estudar o Islão se a deixasse regressar a Londres. O que fez, tendo-se convertido em 2003 ao Islamismo mais radical (mas não, ela não se considera uma vítima…).
Explicações para este fenómeno?
A duração parece desempenhar um papel importante. Nos quatro casos relatados, as vítimas/reféns/cativos passam dias, meses ou anos permanentemente com os seus agressores/raptores/guardas.
Os exemplos apresentados e outras situações semelhantes, como o abuso infantil e a violência doméstica, são situações de grande intensidade emocional, em que as vítimas estão constantemente receosas sobre o que lhes vai acontecer.
Um outro fator é a substancial diferença de poder das vítimas em relação aos agressores, possuindo, estes, plenos poderes sobre as suas vidas e a sua liberdade.
Como os exemplos sugerem nos mais diversos contextos culturais, a universalidade destes comportamentos dita a existência de um mecanismo de sobrevivência física mas também psicológica.
  • Será um mecanismo geneticamente desenvolvido para que o indivíduo sobreviva caso seja retirado do seu contexto social?
  • Ou talvez um mecanismo psicológico que auxilia o indivíduo a lidar com uma situação que de outro modo seria insuportável pela objetiva (e subjetiva) completa ausência de controlo?
  • Ou será antes um mecanismo psicológico de defesa que, ao permitir a identificação com o agressor todo-poderoso, garante a proteção e a sobrevivência da vítima? 
EXPLICANDO...
LIGAÇÃO AO CAPTOR
Dado que os comportamentos das vítimas são muito semelhantes, independentemente da sua cultura de origem, alguns autores sugerem que se trata de um mecanismo psicológico adaptativo que possibilitou a sobrevivência nas sociedades primitivas de caçadores coletores, especialmente das mulheres. O rapto de mulheres e criança por outras tribos de caçadores coletores foi um fenómeno comum, pelo que as mulheres nossas antepassadas, que desencadearam comportamentos de maior afeição interna pelos captores, tiveram maior probabilidade de sobrevivência de sobrevivência e passaram à descendência essa característica. Por exemplo, alguns dos bancários da situação original, que deu origem à designação do fenómeno, após o seu resgate organizaram uma recolha de fundos para defesa dos seus captores…

IDENTIFICAÇÃO COM O AGRESSOR 
O agressor é o que possui objetivamente mais poder, que decide sobre a vida e a morte da vítima. Para alguns autores, com base nos modelos psicanalíticos, a identificação com o agressor maximiza a probabilidade de sobrevivência. O caso da jornalista Yvonne Ridley, raptada pelos talibãs, é uma forte demonstração desta identificação, pois atualmente ela acusa os islamitas moderados de servos do ocidente e do capitalismo.

ILUSÃO DE ESTABILIDADE E CONTROLO
O ser humano, de modo a conter a sua ansiedade, necessita de perceber estabilidade no mundo que o rodeia e de sentir algum grau de controlo sobre esse mundo. A vítima está numa situação que, no limite, é cognitiva e emocionalmente insuportável: nunca sabe e não decide o que vai acontecer a seguir, a ligação emocional ao agressor torna mais suportável a sua situação, especialmente quando replica os seus comportamentos, como parece ser a situação vivida por Patty Hearst

Seja qual for a explicação que decida adotar, só há mais um grão a acrescentar à engrenagem: a Síndrome de Estocolmo poderá transformar-se na Síndrome de Lima. Nesta cidade peruana o Movimiento Revolucionario Túpac Amaru ocupou a Embaixada do Japão em finais de 1996, fazendo cerca de 140 reféns, mas aqui o processo psicológico desenrolou-se em sentido inverso, tendo os guerrilheiros ficado gradualmente sensibilizados com a situação vivida pelos seus reféns. Talvez, precisamente, porque o diferencial de poder não se registasse de forma tão dramática como noutras circunstâncias.