PENSAMENTOS SOLTOS

Cedo me fizeram entender, felizmente, que todo o ponto de vista é a vista de um ponto. Por isso mesmo aprecio tanto a tolerância. Por isso mesmo me incomoda tanto aquela teimosa insistência de verdade pessoal como se fosse única e absoluta.

Eu sinto, sinto muito, sinto demais! Tudo,todos.

Verbo que me define? Diria que é o verbo SENTIR.
Eu sinto, sinto muito, sinto demais! Tudo, todos.
Mesmo quando tento não me envolver. Mesmo quando tento não sofrer. Mesmo quando me tento desligar. Mesmo quando tento não amar. 
Mesmo na falta de sentido para este sentir.
Eu sinto, sinto muito, sinto demais! Tudo. Todos. 
E é por isso que as minhas tristezas são profundas. E é por isso que o mínimo me diz tanto. E é por isso que as minhas alegrias são intensas. E é por isso que os meus (des)amores são eternos.
Não tenho solução. O meu coração será sempre a minha razão.
Fotografia: Butterflies & Hurricacanes
@ Scotland

(Porque) o bom filho a casa torna!



Ando há meses a viver com esta interrogação: escrevo, não escrevo? E eu que sou de pontos finais.

Desde a última publicação aconteceram tantas coisas: boas e menos boas, sendo que todas elas, de alguma forma, me fizeram amadurecer, ser mais e melhor, viver e sentir mais. Crescer, concluo. - desde um problema de saúde (um dia destes partilho) a novas responsabilidades profissionais. Situações que fizeram com que a minha disponibilidade e motivação para escrever, neste espaço, esmorecesse.
Ontem dei comigo a ler publicações que me fizeram sorrir (muitas das quais já nem me recordava de ter escrito), e só o que me faz bem me faz sorrir; dei comigo a sentir saudades, e só o que me faz bem me faz sentir saudades ...

(Porque) o bom filho a casa torna! E eu que sou uma pessoa de poucos amores, amores simples, amores intensos e verdadeiros...está-se mesmo a ver, o meu amor por este espacinho venceu. Hoje decidi: voltei!

Palavras que poderiam ser minhas| "A vontade e o mundo"

"Sim, um dia vou cansar-me de querer conhecer o mundo, mas hoje ainda não é esse dia. Sinto uma espécie de tontura só de começar a conceber todos os lugares onde posso ir. Tenho os sentidos ávidos por tudo aquilo que me espera. Não tenho qualquer receio de estar sozinho, sem mapa, no centro de Singapura, numa avenida de Caracas, diante de uma paisagem do Alasca. Anseio por esse momento.
Quero aterrar em todos os aeroportos do mundo, quero conversar por gestos com gente de todos os países, quero provar o sal de todos os oceanos, senti-lo a cristalizar-se na pele. É muito fácil que chegue um dia em que deixe de acreditar em tudo o que acredito agora. A vida é composta por materiais bastante mais transitórios do que estamos dispostos a admitir. Mas, até lá, sempre que esteja diante de uma ementa onde não perceba uma palavra, continuarei a fechar os olhos e a pedir a primeira coisa onde deixe cair o meu indicador."
José Luís Peixoto, in Revista Volta ao Mundo (Abril 2014)
www.joseluispeixoto.net