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Refletindo sobre...| Legalização de "barrigas de aluguer", em Portugal, deverá ser votada em Maio

Quem são as barrigas de aluguer/mães hospedeiras?
“Barriga de aluguer/Mãe hospedeira refere-se, habitualmente, àquela mulher fértil que deu o seu acordo para desenvolver uma gravidez para um casal, com quem estabeleceu uma relação prévia contratual, perante o qual se compromete a entregar a criança recém-nascida e a renunciar a qualquer direito maternal.”

Para começar a minha (humilde) reflexão, inicio debruçando-me sobre as palavras “mãe” e “hospedeira”. E aqui, surgem-me já algumas dúvidas: Mãe? Mas qual Mãe? E o que é ser mãe? Hospedeira? Mas não serão todas as mães também hospedeiras?

Na verdade, com o avanço das novas tecnologias reprodutoras, o conceito tradicional de família alterou-se, pois deu-se a separação progressiva das diversas componentes – mãe: mãe genética (produtora ou dadora do óvulo), mãe gestadora (encarregada do desenvolvimento do feto) e a mãe cuidadora (que assume o desenvolvimento psicossocial da criança).

Mas, afinal, qual destas três será a mãe verdadeira? Se entregássemos a Salomão a tarefa de resolver este assunto, será que ele mandaria partir a criança em três? E qual das mães “prescindiria” da sua parte para que a criança ficasse inteira, viva? Deixarei a pergunta em aberto, mas penso que talvez as três…
Será que a mulher que traz na barriga durante 9 meses um bebé de outrem será apenas hospedeira/barriga de aluguer, isto é, será uma situação passageira que depois é esquecida e em que não há trocas entre ambos que irão durar toda a vida?

Claro que durante a gravidez há ligações não só afetivas e psicológicas, mas também fisiológicas e biológicas. Sabemos que as ligações hormonais, transmissão de imunidade, incompatibilidade sanguínea, etc., são feitas com a mãe que gera. Posso aqui concluir que o ambiente da gravidez é extremamente importante e, se pudesse quantificar aquilo que é genético e aquilo que é ambiental na gravidez, talvez pudesse dizer que este último aspeto é maioritário.
E será que a bi(tri)partição da entidade materna terá algumas vantagens? Ou será apenas desvantagens? 

Como argumentos a favor poderei nomear os seguintes:
  • Possibilitar o acesso à maternidade genética e/ou social a mulheres que, de outro modo, não a poderiam alcançar;
  • Possibilitar a parentalidade aos casais homossexuais;
  • Aceitar a especialização (na área da gestação) numa época de especializações;
  • O útero é um órgão reprodutor, não é um órgão sexual – atividade sexual e reprodutora não são uma e mesma coisa;
  • Podemos esperar bebés melhores se geneticistas, biólogos, endocrinologistas de reprodução, perinatologistas e mães gestadoras “derem as mãos”.

E quais as desvantagens? Vou ao outro lado da moeda!
Era uma vez um feto…E a importância da aprendizagem fetal? A partir da 6.ª semana de gestação começam a sensibilidade à luz e as capacidades gustativas e a partir do 7.º mês a aprendizagem das capacidades auditivas. E a vinculação intra-uterina? O estudo sobre os ruídos intra-amnióricos e o seu efeito no choro dos latentes e ainda a exposição prolongada do recém-nascido ao batimento cardíaco materno diz-nos que leva a criança a comer mais, a dormir melhor e a chorar menos.
E era uma vez uma mulher… E a ligação entre o bebé de fantasia, o bebé imaginário e o bebé real?

Para terminar, deixo mais uma questão em aberto: será que, mais uma vez, os ditados antigos, populares, é que estão certos? Veremos daqui a alguns anos se, na verdade, se confirma que PARIR É DOR, CRIAR É AMOR!

Defendo a irradicação dos trabalhos de casa, os famosos TPC


Para que fique tudo claro desde início, genericamente sou contra os trabalhos para casa. Quer dos vulgares TPC que muitas crianças e adolescentes têm de realizar diariamente, quer os trabalhos que muitos adultos levam sistematicamente para casa do seu emprego.

Centrando-me nos primeiros, a minha opinião alicerça-se em três importantes variáveis temporais: o tempo dedicado pela criança ou adolescente às tarefas escolares, o tempo dedicado pela criança ou adolescente a outras tarefas, o tempo de convívio no seio da família.

A resposta a perguntas como “TPC sim ou não?”; “Devem ser passados diariamente TPC às crianças e adolescentes?”, ou ainda “Quanto tempo diário as crianças e adolescentes devem dedicar aos TPC?” deve estar dependente da resposta a outras preguntas prévias como: “Quais os objetivos que se querem alcançar com os TPC?”, “Quantas horas diárias passa a criança ou o adolescente na escola ou a realizar tarefas escolares?” ou “Quais as atividades extracurriculares em que a criança ou adolescente está envolvido?”

Os TPC como ferramentas para alavancar as aprendizagens (como os economistas agora gostam de dizer) são algo pobres, como se obrigar as crianças e adolescentes a realizar mais tarefas escolares fosse a melhor solução para combater o insucesso. O facto das crianças e adolescentes passarem mais tempo em torno das tarefas escolares significa apenas e só que elas passam mais tempo em torno de tarefas e não que elas vão conseguir aprender com os TPC aquilo que não conseguiram aprender na sala de aula. Os TPC parecem-me razoáveis nas situações em que as crianças e adolescentes têm apenas metade do seu tempo ocupado na escola (sou de manhã ou só à tarde), em que a repetição dos exercícios escolares fora da sala de aula pode potenciar a aprendizagem. Nas outras situações os TPC soam muito a, por um lado, a chutar para fora da escola aquilo que deveria ser uma das mais importantes tarefas a realizar em âmbito escolar: o desenvolvimento e a consolidação das aprendizagens. Tanto mais quando se sabe que não é a ocupar as crianças com TPC que se faz com que elas passam a ter melhor desempenho escolar.

Se pensarmos que é na brincadeira que se desenvolvem muitas e importantes competências cognitivas e relacionais (e a brincar pode-se aprender muita coisa, como a importância das normas e regras sociais), será razoável pedir TPC diários a crianças de 6 ou 7 anos que passam 8 a 10 horas por dia em contexto escolar? Nessas circunstâncias, os TPC assemelham-se muito ao levar trabalho para casa por parte dos adultos: e tanto direito têm elas ao descanso e á brincadeira, como nós temos direito à vida própria.

É certo que a escola é uma coisa séria. Só que a brincadeira também o é. Encontrar um equilíbrio bem ajustado não é fácil. Mas também não é uma missão impossível, principalmente nesta época em que se encontraram formas de conseguir conciliar a brincadeira e o lúdico com a aprendizagem. Veja-se a “Rua Sésamo”, que em todo o mundo foi/é uma verdadeira escola encarregue das primeiras aprendizagens da leitura e da aritmética.

Curiosidade: os meninos e meninas finlandeses (que frequentam o sistema de ensino educativo que atualmente serve de exemplo para o resto do mundo pelos bons resultados) vêm a “Rua Sésamo” e outros programas do género (paradoxalmente – ou talvez não – as crianças na Finlândia só entram para a escola aos 7 anos e, quando entram, já sabem ler).

Para mim, e em relação aos TPC, a situação ideal era eles não existirem. Esta é a minha humilde opinião.

Não resisti...Vamos Ginasticar?!
“Vem ginasticar, ginasticar…
É bom ginasticar, vamos lá praticar
Dá mais força ao coração. Sim, sim…
Pois então, tens razão…”

Ode à Amizade

Nem demais e nem de menos. 
Nem tão longe e nem tão perto.
(...)
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar.
Sem forçar a tua vontade.
Sem falar quando for hora de calar.
E sem calar quando for hora de falar.
Nem ausente nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo
(...)
Espero conseguir acertar as nossas distâncias.
(Fernando Pessoa)
"A intimidade extrema não é a situação ideal para duas pessoas que se querem dar bem. A proximidade excessiva dá sempre origem a que as pessoas se magoem.
A independência e a distância que advêm do respeito são essenciais para a dignidade pessoal do indivíduo, e este respeito deve ser mantido até com as pessoas que nos são mais próximas.
Devemos manter uma distância adequada e concedermos uns aos outros espaço para respirarmos. Isto assemelha-se ao estado Budista Zen a que chamam “a flor que não está totalmente aberta, a lua que não está totalmente cheia”. Este é o melhor estado que pode existir entre as pessoas. Assim que uma flor se abre completamente começa a murchar; assim que a lua fica completamente cheia começa a minguar. Mas quando a flor não se encontra totalmente aberta nem a lua completamente cheia, ainda sentimos a antecipação e temos algo que desejar.
O mesmo acontece sempre com os amigos e a família. Ao conceder-lhes espaço descobrirmos que novos horizontes se abrem diante dos nossos olhos..." - Butterflies & Hurricanes

MUDAR O COMPORTAMENTO. Já se interrogou porque é tão difícil alterar alguns dos seus comportamentos?


Deixar de fumar, fazer dieta e respeitar o código da estrada são apenas alguns exemplos de comportamentos que, apesar de, em muitas circunstâncias, colocarem em risco a nossa vida, muito dificilmente os conseguimos modificar.


PORQUÊ?

Basicamente porque na generalidade dos casos o risco associado a um determinado comportamento (ou o ganho associado a um outro comportamento alternativo) não é óbvio e imediato. Afinal de contas, o cancro no pulmão derivado do consumo do tabaco ou os problemas cardíacos originados pela obesidade só surgem após muitas décadas de consumo inadequado ou excessivo. E os acidentes de viação com vítimas mortais são uma pequena exceção, sendo a regra a viagem que decorre sem incidentes de maior (para além disso, pensamos sistematicamente que os acidentes só acontecem aos outros).

Apesar de muitas vezes ser difícil mudar o comportamento, certamente que não é uma tarefa impossível e, em muitos casos, até é desejável que ocorra essa mudança.

A informação sobre os malefícios do tabaco e da obesidade é muito abundante. No entanto, o impacto dessa informação sobre o comportamento dos fumadores ou dos obesos é limitada. Exceto quando os indivíduos vivenciam direta ou indiretamente as consequências nefastas desses comportamentos. No entanto, mesmo nestas situações as alterações são momentâneas, pois os indivíduos muito rapidamente retornam aos seus hábitos e estilos de vida anteriores.

Há dias, um colega contava-me que chegou a fazer uma viagem de carrinha com mais cinco amigos por Portugal, Espanha e França. A rir comentava que “tivemos a preocupação de passar sempre os limites máximos de velocidade estabelecidos em cada um dos países”. Acontece que no regresso cruzaram-se com dois grandes acidentes numa das autoestradas mais movimentadas de França. Na sequência desses acidentes morreram no local 10 pessoas e em relação a muitas destas pessoas foi perfeitamente visível para o meu colega, e seus companheiros de viagem, que elas estavam mortas. CONSEQUÊNCIA: durante cerca de 800 Km o condutor andou sempre abaixo do limite máximo de velocidade, quer em França, quer em Espanha. Depois de dois dias de descanso numa estância balnear espanhola, a viagem prosseguiu ao ritmo inicial: a alteração de comportamento tinha sido momentânea.

É por isso que as campanhas de prevenção rodoviária nos meios de comunicação social possuem efeitos tão reduzidos: são apenas informação que (como se diz na linguagem corrente) “entra a 100 e sai a 200”.

Por vezes são desenvolvidas campanhas de prevenção rodoviária que conseguem pôr as pessoas a pensar e a conversar sobre o tema. Em Portugal foi desenvolvida, há já algum tempo, uma campanha que consistia na visualização de sobreviventes de acidentes de viação a desempenharem com extrema dificuldade ações do quotidiano que, em circunstâncias normais, não colocam qualquer tipo de dificuldade (como apertar um botão de uma camisa, por exemplo). Estavam planeados vários spots publicitários, cada um deles com uma pessoa diferente a apresentar o seu testemunho. Só o primeiro foi emitido na íntegra, pois alguém decidiu o cancelamento da campanha.

No entanto, se a razão da anulação da campanha foi o desconforto gerado pelo spot, esse mesmo desconforto é que justificava a implementação integral da campanha que estava a alcançar o seu objetivo – porque se as pessoas conversavam sobre a campanha , era certamente porque as suas crenças eram colocadas em causa, o que consequentemente punha em questão a sua atitude em relação à condução e talvez mesmo o seu comportamento de condução.

a PRIMAVERA e a LIBERDADE


Impressiono-me sempre que observo a Primavera chegar com o esplendor da renovação, como que dizendo “um novo trimestre surgiu!”, “o novo momento se ergueu”.
Estes são os meses da mudança e do progresso no mundo da natureza: porque seria diferente no mundo humano? 

No mês de Março, o Sol dota as coisas de um novo ímpeto: as plantas começam a brotar, o deserto transforma-se em planície, as árvores florescem e todas as coisas vivas parecem responder… A realidade humana muda e mescla-se o pensamento racional e o emocional.

Abril parece ser detentor de uma carga única. Começa com a Vasantotsava, o Festival da Primavera dos Vedas Hindus, praticado, em tempos imemoriais, na Índia. As Escrituras Hebraicas falam na Pessach, cujas preces falam de liberdade. Não é, então, por mero acaso que Frankl, apologista da liberdade, era Judeu. Este psiquiatra, preso de Auschwitz, afirma que o ser humano assume uma liberdade finita, pois não se é “livre de condicionamentos, apenas livre na atitude como os assume”: é detentor de liberdade de escolha, “de tomar posições perante si mesmo, de enfrentar-se a si mesmo e, com este fim, distanciar-se, em primeiro lugar, de si mesmo”.

É desse distanciamento que se consegue observar e entender-se melhor a si próprio. É talvez por isso que os Bahá’ís celebram entre 21 de Abril e 2 de Maio o que chamam de “O Rei dos Festivais”: o Ridván, um período de celebração, de júbilo espiritual e também de consultas administrativas onde todos podem (e devem até!) participar num espírito de iniciativa e de aprendizagem, com o intuito de contínuo progresso.

É essa a aprendizagem que retiramos também do Concílio de Niceia, no qual se estabeleceu o primeiro domingo a seguir à primeira lua cheia (eclesiástica), após o 21 de Março, como a Páscoa, o dia em que o cristo renasce, dando novo alento aos seres humanos. Jesus, crucificado, parece ressurgir ensinando que nada jamais se perde, que a vida é vivida em ciclos contínuos de persistência nas causas que se defendem, e jamais se deve parar perante os obstáculos!

A vida, já defendia Erickson, é composta de ciclos e períodos que assumem o seu sentido em todos os momentos. Mas é desde o antigo Zoroastrianismo que aprendemos a parar e refletir perante alguns desses momentos e ciclos, que terminam à medida que outros se iniciam; a 21 de Março, o Ano Novo, é o momento de festa e alegria, no qual se celebra a essência do Bem (Asura Mazda).

É aqui que grandes autores (Rogers, Maslow, Seligman e Peseschkian) teriam o derradeiro argumento, defendendo a essência positiva dos seres humanos, abonando a bondade que lhes é inerente e a capacidade de se ser melhor, levando avante uma civilização cada vez mais avançada.
Mas, Freud também teria razão se, apesar disso, dissesse que somos dotados de imperfeições; e, talvez, Bandura secundaria, dizendo que observamos tantas maldades que já as incorporamos. O que nos leva a Rumi, poeta islâmico, e à sua explicação:
“Aquilo que nos parece bem ou mau não tem qualquer existência absoluta, é somente como a espuma à superfície de um vasto oceano. Não se poderia ser virtuoso se não houvesse a tentação de se ter o vício”.

Não sei bem como seria a vida sem sofrimento, desgraça ou tragédia… O que sei é que quanto mais lavrado o solo, melhor será a colheita!


Para ver ou rever


Este fim-de-semana vi (pela primeira vez, confesso) o filme: “Separados de fresco”. Achava eu que ia ver uma comédia romântica, digna de uma tarde fria de inverno e dou por mim a pensar seriamente nas relações homens-mulheres e a irritar-me com a estupidez (desculpem!) das mulheres, com as reações básicas dos homens, e com o tempo que se perde em discussões!
Ri-me por vezes, é verdade, mas creio que o filme é uma armadilha: esconde-se por trás de uma aparência lúdica e afinal põe-nos a refletir.
Aconselho-o. No filme, podemos ver de uma forma bastante crua e básica, as grandes diferenças que separam, por vezes, abissalmente, as mulheres e os homens, e vice-versa.
Brooke (Jennifer Aniston) e Gary (Vince Vaughn) são o casal vítima desta análise: o que parecia ser uma relação amorosa promissora começa a deteriorar-se até que chega o momento de colapso no qual Brooke põe fim a tudo. Questão prática: a casa que partilham foi comprada por ambos. Depois de muito discutir, decidem partilhá-la até que um deles ceda.
Vemos então um casal que gosta genuinamente um do outro, mas incapaz de o mostrar, incapaz de assumir alguns erros, incapazes de conviver.
Na fase em que atravessamos, que muitos dizem ser a era da pastilha elástica ou do fast-food, em que tudo acontece muito rápido e é ainda mais rapidamente deitado fora, um filme como estes, por entre piadas, obriga a pensar. Retrata a vida como ela é: o dia-a-dia e as relações têm sempre um lado cómico e um dramático, têm sempre as suas dificuldades, os erros, os esforços em vão e os arrependimentos. Afinal, as relações idílicas não passam disso mesmo: idílicas e ilusões. É preciso trabalhar a relação para que esta seja “perfeita”.

No fim, e depois de algumas confusões e mal-entendidos, de seguidos ou não os conselhos dos amigos e colegas de trabalho surreais, as conclusões a que ambos chegam parecem ser as mais acertadas e sensatas!!

Todos temos o mesmo objetivo na vida: SER FELIZ.

Felicidade. Qual a sua definição? Quais as suas causas? Como atingi-la?

A felicidade não pode ser universalmente definida. Sendo relacionada à alegria e ao prazer, cada um tem a sua maneira própria de a atingir.
Pode-se ser feliz com a riqueza, a beleza, o conhecimento, o reconhecimento, as relações interpessoais...
Provocar e promover felicidade aos outros também pode surgir como fonte de felicidade individual. O nosso amor-próprio não pode ser separado do nosso desejo de ser amado, assim amar e ser amado, ou ajudar e ser ajudado, pode provocar sentimentos positivos, de bem-estar e, consequentemente, felicidade.

A realização da felicidade resulta da satisfação dos nossos sonhos e desejos, depende do sentimento de prazer e desprazer de cada um; e no mesmo indivíduo esse sentimento pode mudar com o tempo.

A felicidade pode resistir às adversidades da vida, só precisamos de sabedoria para avaliar as situações pela perspetiva mais positiva e construtiva.

Todos temos sonhos, projetos, ambições e desafios... a felicidade está no equilíbrio entre esses sonhos e a nossa capacidade em os atingir. Por exemplo, se a distância entre o que queremos e o que conseguimos for excessiva ficamos desiludidos, desanimados, ansiosos, irritados. Se a distância for muito reduzida, numa primeira fase ficamos calmos e tranquilos mas rapidamente ficamos entediados e limitados. Assim, para mim, a felicidade está em encontrar a distância certa entre o que se quer e o que se consegue.

Mas ... a felicidade é efémera, é um processo, é dinâmica, e não é um estado permanente ou um lugar onde se chega e não se faz mais nada.
Depende de nós passar a maior parte do tempo possível a usufruir, saborear e planear novas sensações de felicidade...

Como diria o imortal Tom Jobim: A felicidade é como uma gota de orvalho numa pétala de flor, brilha tranquila, depois de leve, oscila e cai, como uma lágrima de amor (…). A felicidade é como uma pluma que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve: precisa que haja vento sem parar. A minha felicidade está sonhando (…), e como esta noite, passando, passando, em busca da madrugada...
A tristeza não tem fim, a felicidade sim..."


Só para relembrar! A felicidade é algo pelo qual temos de lutar e procurar ... E nada é mais útil ao homem do que o próprio homem … pois na vida tudo pode acontecer, e sobretudo pode não acontecer absolutamente nada, tudo depende de nós enquanto realizadores (e atores!) do filme da nossa vida.

Os desafios da diferença


“Somos todos filhos do cosmos, mas transformamo-nos em estranhos através do nosso conhecimento e da nossa cultura”. -- Edgar Morin
No século XVIII, Voltaire, disse: “os chineses são iguais a nós, têm paixões, choram”. Herbert, o pensador alemão, afirmou:” entre uma cultura e outra não há comunicação, os seres são diferentes”. Afirmações polémicas?...Os dois tinham razão, mas na realidade essas duas verdades têm que ser articuladas. Nós temos os elementos genéticos da nossa diversidade e, é claro, os elementos culturais da nossa diversidade.
Hoje, perante uma sociedade multicultural, é preciso lembrar que rir, chorar, sorrir, não são atos aprendidos ao longo da educação, são inatos, mas modelados de acordo com a educação/cultura…
Falar de multiculturalidade é falar de diferenças: de língua, de religião, de costumes, …; é falar de uma cultura que acolhe outras culturas.
PALAVRA-CHAVE: Diferença. E a diferença constitui-se como um desafio.
O desafio de aceitar e respeitar a diferença. Perceber que não há culturas melhores que outras, mas que há apenas culturas diferentes.
A diferença é um valor que nos enriquece. Conhecer outras culturas, outras formas de estar e de pensar a realidade só nos valoriza e torna-nos mais capazes para nos aproximarmos e compreendermos o outro.
O respeito não passa só pela cultura que recebe, pela sociedade que acolhe. O respeito passa também pela cultura que é recebida, pelo indivíduo que é acolhido. Também ele tem de respeitar as regras da cultura, da sociedade que o acolhe.
O respeito é mútuo. Cabe a cada uma das partes não gerar um confronto de culturas, mas fomentar e construir um encontro de culturas e saberes.



  LÁGRIMA DE PRETA

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)
                                                        e cloreto de sódio.    (António Gedeão)

SUGESTÃO: http://www.acidi.gov.pt/

Tomadas de decisão

Parar para pensar...
Tomar decisões faz parte do nosso dia-a-dia.
Este processo, no qual é necessário avaliar as diversas alternativas existentes de forma a poder escolher as mais apropriadas, é elaborado, normalmente, através de atalhos cognitivos que determinam o nosso “percurso” até à tomada de decisão. E estes perante a dimensão e a complexidade de alguns problemas, são baseados na intuição e no conhecimento empírico acumulados, que sabemos não serem suficientes para tomar as melhores opções.
O estudo de Herbert Simon, 1957, pelo qual lhe foi atribuído o Prémio Nobel da Economia, em 1978, demonstrou que, usualmente, somos pouco sistemáticos e racionais na tomada de decisão, que apresentamos uma capacidade limitada para processar e avaliar as informações das diversas alternativas possíveis e que tendemos a usar estratégias elementares invocando apenas alguns aspetos das noções disponíveis.
Segundo a sua teoria sobre a racionalidade limitada, ao usarmos este tipo de estratégias, devido às nossas limitações cognitivas acabamos por adotar decisões “irracionais” que se revelam, por vezes, pouco acertadas ou até irresponsáveis quando efetuadas sob circunstâncias de incerteza. Estas limitações reforçam a ideia de parar para pensar. É indispensável que qualquer decisão que tomemos tenha como base uma atitude de humildade, na qual procuramos adquirir o conhecimento necessário para desencadear um pensamento crítico e criterioso, que passa por pôr em questão todos os argumentos que utilizamos e despender o tempo e o esforço necessários para pensarmos por nós próprios de uma forma racional. Porque as decisões devem ser tomadas sem subterfúgios como crenças, demagogias ou uma falsa consciência grupal.
Não estamos apenas a tentar interpretar o mundo e a dar uma mera opinião, mas sim a participar na sua transformação.


O próximo video, de apenas 51 segundos, demonstra como é habitual recorrermos a "atalhos mentais" nos nossos julgamentos...

...de certeza que pensei o mesmo que vocês!

À procura da terra do nunca



Não sofro de Síndrome de Peter Pan, mas, por vezes, considero que nunca deixei de ser criança. Talvez por isso seja fã de contos infantis. Sim, e sinto uma especial simpatia pela magia de Peter Pan. O que justifica o facto de, em 2004, aquando do seu lançamento, ter ficado rendida ao filme: À Procura da Terra do Nunca”, de Marc Foster.
Vejo o mundo a cores. Acredito no que as crianças podem trazer de novo. Porque elas, afinal, “não são o melhor do mundo”, mas o melhor de nós mesmos…

Não é preciso muito para que existam coisas extraordinárias na vida e, apesar de poder parecer que vivemos num quadrado, há mais vida fora do perímetro do quadrado. É nesses quadrados da existência que estão os Capitães Ganchos que nos levam a repetir o conhecimento, ao invés de o alargar, achando que devemos ser todos iguais e uniformes, e não educados para a diferença, de modo a encontrar a prometida Terra do Nunca. É nesse quadrado que estão a inveja e a condescendência dos adultos (representado pelo Capitão Gancho, Smee, e os demais piratas), que vivem numa ilusão obstinadamente persistente. E é fora dele que está a terra dos sonhos, onde as fadas nascem quando um bebé esboça um sorriso perante os seus entes mais queridos, porque as fadas são esses familiares que vêm o sorriso e que levam, pelas suas mãos, as crianças à terra do nunca.


SINOPSE
À Procura da Terra do Nunca, é um conto mágico inspirado na vida do escritor James Barrie, que deu vida ao célebre Peter Pan, um dos maiores heróis das histórias infantis. Um génio literário, Barrie aborrecia-se com os temas da época e procurava inspiração para uma nova peça. E inesperadamente encontrou-a onde menos esperava, quando se cruza com uma bela viúva e os seus quatro filhos, os Llewelyn Davis. Barrie torna-se amigo dos cinco e transforma-se no seu companheiro de histórias e aventuras, onde todos se transfiguram em cowboys, índios, piratas, reis e fadas. Os jovens Llewelyn Davis acabam por ser batizados “Os Rapazes Perdidos da Terra do Nunca”. Assim Nasce “Peter pan”, a peça com que Barrie desafia todas as convenções, pondo atores a voar e a falar com pequenas fadas. Porque tudo isso é possível na terra do nunca.”
PARA COMPLEMENTAR: uma SUGESTÃO DE LEITURA
“Chega-te a mim e Deixa-te ficar", de Eduardo Sá
Editor: Oficina do Livro


Sinopse
"Há pessoas sem prazo de validade. E é por isso que quando escrevem, esses textos também ficam para sempre. Podemos lê-los hoje ou amanhã, duas horas antes das refeições ou deitados num sofá, e tocam-nos sempre. E alargam-nos os neurónios, e fazem melhor à alma do que as vitaminas. E às vezes dão-nos, finalmente, a autorização de que precisávamos para chorar. Outras fazem-nos desconfiar: "De onde é que este tipo me conhece?" Mas valem sempre a pena ler, porque quando se faz ginástica com a linha com a linha do horizonte e a curvamos à nossa medida encontramos o Eduardo Sá."
Isabel Stilwell

Excerto
Há pessoas que põem palavras nos nossos sentimentos. Parecem-se com os poetas. Mas depois, de surpresa, abandonam os nossos sonhos pé ante pé ou de «pantufas». Não sei... Na verdade, decepcionam-nos (devagarinho) e, quando damos por isso, apagam-se dentro de nós. Deixam de ser preciosas e, por tudo o que valeram, não podem voltar a ser só nossas amigas. Partem, portanto, para uma «terra de ninguém», muito distante do sítio onde vivem os génios da lâmpada, o Pai Natal, as fadas e os duendes. E por lá ficam. Mais ou menos errantes.
Imagino esse lugar, onde se acotovelam tantas pessoas que nos disseram tanto, como um Purgatório, com a particularidade de lá não se ser promovido, com facilidade, até ao Céu. É verdade que essas pessoas não se transformam num inferno dentro de nós, embora, por vezes, surjam, ora como um vulto ora como uma silhueta ou, até mesmo, como uma estrela cadente que, atravessando o nosso coração, já não provoca um arrepio (muito menos, um calafrio, que são aqueles sentimentos impetuosos que nos desabotoam a cabeça e nos deixam a arder de paixão e a tremer de medo, ao mesmo tempo).

Afinal, não são nem amigos nem amores. Transformam-se num museu? Numa arqueologia de todos os amores, por exemplo? Às vezes, nem nisso. Infelizmente. Se fosse assim, estáticas ou em pequenos pedaços de histórias, empoeirados, seguravam-se no nosso coração. O que não acontece às pessoas que foram perdendo a magia...

Este «não sei para onde» (eu sei que, dito assim, custa só de pensar) é uma espécie de cemitério de poetas dentro de nós. Um lugar de silêncio que convida a espreitar para o que sentimos. Com surpresa e com dor, ao descobrirmos que, ao contrário do que sempre desejámos, há relações — luminosas — que foram morrendo para nós. Às vezes, assusta. Afinal, não é simpático descobrirmos que mora em nós alguém que, não sendo o Capitão Gancho, tenha ajudado a morrer (de inanição, por exemplo) quem trouxe poesia, ou luz, ou um insustentável rebuliço ao que sentimos... Às vezes, atormenta. Porque magoa descobrirmos que — mesmo quando nos imaginamos a dar a sala mais espaçosa do nosso coração — também nós, dentro de algumas, vivemos sem viver, errantes, nesse «não sei onde» de alguém, entre os seus amigos e os seus amores. Às vezes ainda, somos tocados pêlos galanteios da vida e, levados pelo entusiasmo, imaginamos que, se desejarmos com muita força, algumas das pessoas que guardamos no nosso cemitério de poetas ressuscitam e regressam, cheias de luz, para surpresa do Pai Natal ou das fadas (que, sendo mágicos, parecem viver num mundo de bolas coloridas de sabão). Eu sei que também entre as pessoas há quem pareça mágico mas intocável. Como eles. Mas não se esqueça: esse é o cais de embarque que, de surpresa, nos pode levar (sem volta) para o cemitério dos poetas."

Qual a distância ideal nos relacionamentos?

                                                                                                       @ Tibete

Pergunamo-nos muitas vezes o que devemos e não devemos fazer; o que é bom e o que é mau.
Na verdade, quando se trata de colocar estas questões, acontece com frequência que as coisas não podem ser divididas segundo ideias simples de: certo e errado, bom e mau, sim ou não. Aquilo que fazemos, e o ponto até o qual fazemos, tem também uma influência direta sobre como devemos agir. Chegar ao excesso ou não fazer o suficiente, são duas coisas que devem ser evitadas, tanto quanto possível.
Ir demasiado longe é tão mau como não ir suficientemente longe.
Onde quero chegar?! ... Aquando de uma publicação anterior dedicada ao tema da perturbação obsessiva-compulsiva, houve uma fecunda troca de ideias, com uma amiga do coração, sobre: " Até onde deveremos ir nos relacionamentos?" E, tal como lhe prometi, partilho o que, para mim, é a proximidade ideal…
Existe uma fábula que ilustra muito bem o meu ponto de vista.
Um grupo de porcos-espinhos, todos cobertos de picos aguçados, andavam juntos para se manterem mais quentes durante o Inverno, e não conseguiam perceber bem a que distância deviam estar uns dos outros. Se estivessem um nadinha demasiado afastados não conseguiam manter-se quentes, por isso chegavam-se mais uns aos outros; mas assim que se aproximavam mais os espinhos aguçados de uns picavam os outros, e assim começavam a afastar-se, só que mal o faziam começavam a sentir frio. Foram necessárias muitas tentativas e erros até que os porcos-espinhos conseguissem finalmente perceber qual o grau de afastamento a que deviam estar uns dos outros para se manterem quentes sem se magoarem.
A intimidade extrema não é a situação ideal para duas (ou mais) pessoas que se querem dar bem. A proximidade excessiva dá sempre origem a que as pessoas se magoem.
A independência e a distância que advêm do respeito são essenciais para a dignidade pessoal do indivíduo, e este respeito deve ser mantido até com as pessoas que nos são mais próximas.
Quer seja entre pais e filhos, entre marido e mulher, entre namorados ou entre amigos, uma vez quebrada essa distância de respeito, uma vez que tenha sido ultrapassada a marca e atingido o estado de “importunar”, de tal forma que as pessoas já não estão devidamente independentes umas das outras, então surgirão problemas. Não tardarão a verificar-se danos (que podem não ser percetíveis à primeira vista), o distanciamento ou até mesmo a rutura total no relacionamento.
Devemos manter uma distância adequada e concedermos uns aos outros espaço para respirarmos. Isto assemelha-se ao estado Budista Zen a que chamam “a flor que não está totalmente aberta, a lua que não está totalmente cheia”. Este é o melhor estado que pode existir entre as pessoas. Assim que uma flor se abre completamente começa a murchar; assim que a lua fica completamente cheia começa a minguar. Mas quando a flor não se encontra totalmente aberta nem a lua completamente cheia, ainda sentimos a antecipação e temos algo que desejar.
O mesmo acontece sempre com os amigos e a família. Ao conceder-lhes espaço descobrirmos que novos horizontes se abrem diante dos nossos olhos...


Torna-se necessário parar um pouco para voltar a refletir sobre o nosso papel, na sociedade e na vida...

O tempo...
Mais do que certezas em respostas às nossas incertezas de amanhã, qualquer reflexão sobre o futuro traz-nos incertezas às nossas certezas presentes.” (Edgar Morin, in O Método)
O tempo cronológico, também conhecido como a quarta dimensão (da física), é algo indefinido e, tal como a vida, é sempre limitado, mesmo quando não somos capazes de ver o princípio e o fim. Disse limitado, o que não significa necessariamente efémero, porque isso depende, quase só, da força do nosso testemunho forjado na memória do tempo – alquimia de mulheres e homens, sonhos e realidades, sucessos e insucessos… da realização das gerações que cumprem o seu “mandato” existencial.
Mas como se define tempo? ... Intervalo entre dois acontecimentos?
É uma ideia fascinante! O início de tudo. O momento em que tudo começa. Mas, efetivamente, começa o quê? A vida não, certamente. Neste aspeto, tanto físicos como metafísicos estão de acordo – a vida só apareceu mais tarde. Então, insiste-se, o que é que começou de facto? A matéria, a luz, a energia e todas as outras formas de uma mesma realidade, de uma mesma natureza que, temos de admitir, ainda não foi totalmente revelada? Talvez. O que importa reter é que começou. Ou seja, algo mudou naquele instante inicial.
Alguma coisa começou a mudar. Quando algo muda, há o momento da mudança ou, também, a duração da mudança. É a esse momento ou a essa duração que chamamos tempo. O tempo só existe porque existe mudança. Isto resolve, para já (!), uma das dúvidas mais prementes no espírito de muitos: existiu um momento antes da criação do Universo? Não. Antes do início (do big bang, para os espíritos mais científicos), o tempo não existia, uma vez que não havia mudança. Logo, não houve qualquer momento que antecedesse o Início.
Assim, podemos definir o tempo singelamente como sendo “o intervalo entre dois acontecimentos”. Ora, para que alguma coisa aconteça é necessário que algo mude: que se mova, por exemplo, que aumente ou diminua, que altere o seu aspeto, a sua temperatura, o seu estado, a cor, etc. Se nada mudar, o tempo não faz sentido. E não será de mais recordar que medir é sempre comparar!

O tempo e a sociedade dos nossos dias...
Vivemos num tempo em que as pessoas dizem não ter tempo para nada e vivem angustiadas, frequentemente, em função disso mesmo: “Ah, se eu pudesse parar o tempo!”, “Tenho que ter tempo para tudo e para todos menos para mim próprio” – (estes são alguns dos desabafos que povoam as consciências do nosso tempo).
As pessoas correm, correm freneticamente em todas as direções, por isto e por aquilo, aos ziguezagues…

Mas para onde estamos a ir?
Sem dúvida sempre em direção à menor fração de tempo. Atrás desta quimera vai o nosso ritmo de vida, cada vez mais rápido. O que dantes se media em dias ou em horas, agora é medido ao minuto (Ex.: ”Telefona-me daqui a 10 minutos, Ok?”- como ainda há pouco uma colega me disse!!). Em certas modalidades de alta competição já se medem os resultados em centésimas de segundo, como no atletismo, e em milésimas de segundo, como no automobilismo. E isto é só o começo! O movimento continua. Vamos certamente continuar a correr, em constante aceleração, perseguindo ou sendo perseguidos pelo tempo, sempre em busca daquela felicidade mítica a que o instinto nos conduz. Será apenas uma questão de tempo? Como alguém dizia, o tempo é um grande mestre. Só é pena que tenha o defeito de matar os seus discípulos!

Torna-se necessário, portanto, parar um pouco para voltar a refletir sobre o nosso papel, na sociedade e na vida.
No entanto, antes de perguntar: como posso esticar o tempo? – tarefa titânica reservada aos deuses do Olimpo -, devo questionar-me sobre quais as prioridades da minha vida, qual o sentido das minhas ações ou, de forma mais tecnocrática, como gerir melhor o meu tempo? (tentarei abordar a gestão do tempo numa publicação futura).
Não sendo capaz de responder a todas as solicitações devo, de entre o universo das possíveis, escolher aquelas que mais poderão contribuir para a minha alegria de viver, para a minha realização pessoal.
Mas este EU tem que ser utilizado com parcimónia, sob a pena de se confundir com egoísmo e, neste caso, voltaremos a ter mais do mesmo, ou seja, uma existência cheia de coisa nenhuma, balofa, pouco útil e sem sentido gregário…