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Desenvolvimento Social [Apontamento 2]

Primeira Parte AQUI 
Breve Resumo: A criança desenvolve-se no seio de um contexto familiar e é influenciada pelas características das pessoas significativas do mesmo, sobretudo as características dos seus pais. Ou seja, a socialização da criança inicia-se com os primeiros laços que estabelece, a vinculação à sua mãe ou à pessoa que cuida dela. Assim sendo, vinculação é o termo científico para "relação" afetiva (que se estabelece entre a criança e o seu cuidador primário) .
A figura de vinculação fornece conforto e segurança, ao passo que o seu afastamento fornece angústia.
Separações longas podem ter efeitos graves...
Até que ponto a experiência precoce é crucial?
A ausência de vinculação
Em estudos realizados com crianças institucionalizadas, verificou-se que: os bebés institucionalizados apresentavam sérias alterações no desenvolvimento social. Alguns eram insaciáveis nas exigências de atenção e amor individual. Mas a maioria tomava a direção oposta e tornava-se extremamente apática nas reações às pessoas. Raramente tentavam aproximar-se dos adultos, quer para os abraçar e acariciar, quer para ficarem tranquilos, se estavam aflitos.

Porquê? Porque em situação de institucionalização há poucas trocas sociais, poucas falas, pouca brincadeira,

Parece que, muitas das referidas deficiências precoces persistem na vida futura. Alguns estudos demonstraram que, num razoável número de casos, embora de forma nenhuma em todos, há vários défices intelectuais, por exemplo na linguagem e no raciocínio abstrato, que persistem na adolescência na adolescência e depois dela. Há também vários efeitos a longo prazo na esfera social e emocional: maior agressividade, delinquência e indiferença aos outros.

ANULAÇÃO DO PASSADO 
Os primeiros anos são decisivos, no sentido de que certos padrões sociais têm muito mais probabilidades de serem adquiridos nessa altura, como a capacidade de formar vínculos com as outras pessoas. Estes primeiros vínculos são um pré-requisito provável para a formação de vínculos posteriores. A criança que nunca foi amada pelos pais intimidar-se-á com os seus pares, e o seu desenvolvimento social ulterior ficará obstruído.
Contudo, é possível ao ser humano adquirir os instrumentos sociais para lidar com a vida posterior que contornem os males da primeira infância. Pois ainda que o passado afete o presente, ele não o predetermina.

Em resumo, a forma mais fácil de chegar ao segundo andar de uma casa é através do primeiro. mas num momento de crise é sempre possível ir buscar uma escada, trepar e entrar por uma janela.

SUGESTÃO: Nell (1994)Género: Drama. Direção: Michael Apted. País de produção: Estados Unidos. Duração: 115 min


O filme conta a história de uma jovem que é criada pela sua mãe numa floresta isolada de qualquer tipo de civilização. Após a morte da mãe, Nell ficou sozinha no mundo. Quando o médico da cidade descobre a existência de uma "mulher selvagem" resolve estudar o comportamento de Nell, e fica surpreendido com o modo como ela consegue garantir a sua sobrevivência mesmo estando isolada de qualquer outro ser humano. Outro fator que chama a atenção do médico é a linguagem que Nell desenvolveu para se comunicar. Ele percebe que na verdade não se trata de um dialeto totalmente desconhecido, e sim de um tipo de inglês destorcido, provavelmente ensinado pela sua mãe incapacitada. Ao estudo do médico junta-se a psicóloga Olsen…

ALGUMAS QUESTÕES QUE PODEM DERIVAR DO FILME:

Qual a importância do contato social na infância? Já que as relações interpessoais assumem o caráter de fatores imprescindíveis ao desenvolvimento psicológico global…
Qual a importância da construção social do sujeito?
Como a personalidade é formada?
O que é inato, o que se aprende?

A linguagem é um signo mediador por excelência, pois carrega em si conceitos generalizados e elaborados pela cultura humana. Entende-se assim, que a relação do homem para com o mundo não é uma relação direta do homem com a realidade, mas é mediada por meios que se constituem nas ferramentas auxiliares da atividade humana.  A linguagem tem papel de destaque no processo do pensamento. Sermos humanos é mais do que pertencemos a uma espécie de seres com determinada biologia e estrutura corporal: depende da participação em contextos sociais e culturais particulares, onde aprendemos formas de ser e de nos comportamos, assim tornamo-nos humanos através da aprendizagem de formas partilhadas e reconhecíveis de ser e de nos comportarmos. Tudo isto, nos leva a concluir que o papel das interacções sociais é fundamental no desenvolvimento humano.

SUGESTÃO DE LEITURA: Acrianca que não queria falar. A autora, Torey Hayden, fala do livro AQUI

Porque as palavras são: força, poder, valor, alimento e alicerce do pensamento...

Salma, um documentário de Kim Longinotto.


Como muitas outras mulheres na zona rural do sul da Ásia, Salma, uma jovem muçulmana na Índia, foi forçado à reclusão após atingir a puberdadeFoi proibida pela sua família de estudar e forçada a casar. As palavras eram a salvação de Salma. Uma vez casada,começou, secretamente, a compor poemas em pedaços de papel e, através de um sistema de contrabando intrincado, foi capaz de esgueirar-se para fora da casa, ...  Contra todas as expectativas, tornou-se numa poeta famosa: o primeiro passo para a descoberta de sua própria liberdade e desafiar as tradições e códigos de conduta na sua aldeia. A sua história demonstra uma extraordinária coragem e capacidade de resistência. Salma tem esperança de uma vida diferente para as próximas gerações mas, como os laços familiares são profundas, a mudança é lenta. 

**

Sou atraída sempre pelos rebeldes, pelos pioneiros. Admiro-os. Elevam-se contra a tradição com enorme coragem. Para eles, a maioria das vezes, é doloroso serem outsiders dentro da sua própria comunidade, muitas vezes sentem-se sozinhos e assustados...
São verdadeiros heróis.

Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes...


 ...e as suas existências nunca serão esquecidas. Aristides de Sousa Mendes foi uma dessas pessoas. Cônsul brilhante, marido feliz, pai orgulhoso, teve a sua vida destruída quando, para salvar 30.000 Judeus, ousou desafiar as ordens de Salazar.

"O Cônsul de Bordéus" é um filme, em estilo biográfico, escrito por António Torrado e João Nunes. que pretende prestar homenagem a este grande português (tão ou mais "importante" que Oskar Schindler), um herói com uma coragem sem limites...



SINOPSE: Alexandra Schmidt, uma jornalista portuguesa vai até Viana do Castelo para entrevistar o maestro brasileiro Francisco de Almeida, que se vai reformar. Aí confronta-o com o seu verdadeiro nome, Aaron Apelman. A curiosidade da jornalista leva o maestro a recordar uma série de eventos passados no longínquo mês de Junho de 1940, quando, aos 10 anos de idade, e ainda com esse nome, foi salvo da perseguição nazi pela ação do cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. O cônsul, por esses dias, é um homem dividido : sabe que os refugiados hebreus, em número cada vez maior, precisam de vistos para alcançar Portugal e daí partir para o Novo Mundo, mas tem as mãos tolhidas pela famigerada Circular 14, de Salazar, que proíbe a emissão de vistos a judeus. A pressão do rabino Krueger e a força das convicções católicas do próprio Sousa Mendes acabam por levar a melhor. O cônsul decide desobedecer a Salazar...

Entretanto, e enquanto o filme não estreia nos cinemas portugueses, deixo uma sugestão de leitura: "O Cônsul Desobediente", de Sónia Louro.

Nascido numa família com laços à aristocracia, cursa Direito em Coimbra e opta por uma carreira consular. Vive nos locais mais exóticos de África e nos mais cosmopolitas da Europa. Cônsul de Bordéus durante a Segunda Guerra Mundial, é procurado por milhares de refugiados para quem um visto para Portugal é a única Salvação. Sem ele, morrerão às mãos dos alemães...

"Não participo em chacinas, por isso desobedeço a Salazar!" (A. Sousa Mendes)

Só é possível compreender o seu feito se nos colocarmos no seu lugar: destruiríamos a nova vida (de conforto) e a da nossa família em nome da caridade e do amor ao próximo?
Até ao seu derradeiro fôlego, Aristides nunca se arrependeu…

Aristides morreu a 3 de Abril de 1954 no Hospital da Ordem Terceira, de uma trombose cerebral e uma bronco-pneumonia. Sem roupa para ser enterrado, o hospital deu-lhe vestes de franciscano com as quais foi sepultado.
Salazar enviou um telegrama a César (seu irmão gémeo), no qual escreveu apenas duas palavras: “Sentidos pêsames”.


Trailer do Livro

DISTÚRBIO BIPOLAR [1]

Forças contraditórias lutam dentro de ti,
umas impelem-te para a ação, outras para
o pensamento e a excessiva reflexão que te
faz cair num precipício chamado depressão.


Trata-se da doença da montanha-russa, cheia de altos e baixos. Lidar com um doente bipolar não é tarefa fácil, mas não é uma missão impossível. O importante é equilibrar os dois pólos numa balança com  conta, peso e medida.
O distúrbio bipolar, que afeta cerca de 150 mil portugueses (é verdade!) - a ONU indica que entre 1,3% e 1,6 % da população mundial sofre desta doença - , é caracterizada por dois pólos, um positivo e outro negativo, em que o indivíduo passa por altos e baixos, atravessando alternadamente períodos de euforia e períodos de profunda tristeza.

Nos períodos eufóricos, ou de mania, o indivíduo tem pensamentos como "Eu sou o melhor", e ideias megalómanas sobre a realidade. Nestas alturas, pode aventurar-se em novas ideias e em novos negócios, queimando rapidamente etapas para alcançar os seus objetivos. Este é um período de descontrolo total: a nível financeiro é possível que gaste muito mais do que aquele que tem disponível, sem se preocupar com isso. O descontrolo é de tal modo grande, que o indivíduo pode envolver-se no consumo de drogas e o recurso ao álcool é uma constante. Parece que não existe a necessidade de pôr travão aos gastos e ao consumo excessivo.

No outro pólo, da depressão, o sujeito é impelido para uma passividade marcada por períodos de intensa melancolia e tristeza profunda, em que surgem ideias de suicídio. Sentimentos como "Eu não valho nada" surgem constantemente no seu pensamento. E é permanente  um intenso sentimento de culpa pelas suas atividades durante o período de mania.

A DOENÇA DE ALGUNS DOS GRANDES GÉNIOS

Os efeitos desta doença são devastadores, cerca de 50% dos doentes bipolares não conseguem manter relacionamentos próximos. No entanto, alguns dos génios da Humanidade foram diagnosticados como bipolares. O doente bipolar possui geralmente uma inteligência acima da média e é muitas vezes genial na sua área de eleição. Por exemplo, atualmente pensa-se que Vincent Van Gogh, que cortou a própria orelha pois ouvia vozes, exteriorizou a sua patologia na arte. Contudo, o seu distúrbio estaria na ordem da psicose, em que as alucinações e os delírios eram um comportamento cristalizado.
Da nossa história pode-se categorizar Fernando Pessoa como bipolar, oscilando entre episódios maníacos e episódios depressivos, com os seus heterónimos Álvaro de Campos - caracterizado pela euforia, pela agitação frenética da cidade -, e Alberto Caeiro - poeta bucólico, do contacto com a natureza que remete para a melancolia. Outros poetas portugueses também sofreram de doença bipolar, como Mário de Sá Carneiro (que se suicidou em Paris no ano de 1917) ou Florbela Espanca, também com uma particular incidência para o pólo negativo, caracterizado pelo sofrimento ligado a uma depressão com instinto suicidário.

"Eu ...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada...a dolorida... 

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
--Florbela Espanca
Florbela, de Vicente Alves do Ó - Trailer do filme sobre Florbela Espanca
 (COM ESTREIA MARCADA PARA 8 MARÇO DE 2012)

RISOTERAPIA. ” O riso é uma opinião”- Eça de Queiroz


A terapia do riso ou a risoterapia é um método terapêutico existente desde a década de 60, do século passado. Foi propagado pelo médico americano Hunter Adams, conhecido como "Patch Adams", que desde a sua época de estudante já implantava este método em hospitais e escolas. Ele observou os baixos níveis de alegria e de humor dos seus doentes. Então, resolveu introduzir a terapia do riso, um descondicionamento de atitudes e hábitos nocivos enraizados na poersonalidade dos pacientes.
Quem viu o filme Patch Adams conhece bem a história. Era comum vê-lo, por exemplo, a atender os seus pacientes com nariz vermelho ou peruca de palhaço!

Para Patch, o humor é o melhor remédio. Na sua opinião o objetivo do médico não é curar e sim cuidar. Cuidar com muito amor, tocando nos doentes, olhando nos seus olhos, SORRINDO e fazendo sorrir...
VIDEO: Filme Patch Adams
(não há dúvidas de que na atitude do médico estão presentes as habilidades/competências inerentes à inteligência emociaonal)


Eduardo Lambert, autor do livro Terapia do Riso – A Cura pela Alegria, encara o riso como uma terapia complementar que auxilia na melhoria do estado emocional e orgânico das pessoas, em pacientes com os mais diversos tipos de doenças.

Cientificamente, Eduardo considera o riso como um grande estimulador. As substâncias produzidas nos momentos de bom humor, e consequentemente de riso, (as betas endorfinas) são analgésicas, similares às morfinas, mas com “potência” cem vezes maior.

O simples esboçar de um sorriso, o riso ou uma boa gargalhada - e quanto mais intensa melhor - cria uma onda vibratória que propicia de imediato um relaxamento corporal que se estende para todo o corpo, dando uma sensação de bem-estar físico, mental e emocional.

Eduardo Lambert reforça que um simples sorriso, uma graça, situações cómicas, bons pensamentos, bons sentimentos, boas lembranças, pensamentos positivos, palavras de apoio e incentivo são fatores importantes à síntese das endorfinas.

Rir é mesmo o melhor remédio. Aumenta a autoestima, afugenta a depressão, alivia as insónias e as doenças psicossomáticas.


DICA: procurem informação em: "Clube do Riso".
 http://yogadoriso.blogspot.com/

E riam, mas riam muito!!!

Cinematerapia

Uma simples ida ao cinema pode ser um bilhete para uma viagem aos meandros da nossa mente. Da sala semi-escura raramente saímos indiferentes. Soltamos gargalhadas, contemos o nó na garganta. Porque o cinema tem esse poder. Choca-nos. Afeta-nos. Sentimos. Pensamos. Criticamos. Esta é a base da cinematerapia. Técnica que pode ser usada como recurso no trabalho terapêutico.
A revista Saúde Mental publicou um estudo, realizado em Portugal, sobre os efeitos da cinematerapia. Tratou-se de uma Investigação realizada pelo Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria, na qual 10 doentes foram submetidos a análise. Ao fim de sete sessões em grupo com duas terapeutas e com filmes pré selecionados que focassem algumas problemáticas emocionais, "conclui-se que os resultados foram positivos e que esta técnica pode ser uma adjuvante ao tratamento Standard".

Lições de 40 Filmes...
As “lições” são retiradas de filmes que vão desde a série Star Wars, Clube dos Poetas Mortos, passando por Matrix, Gladiador, Forrest Gump, Rei Leão, ... e mais 34!

Para ver ou rever


Este fim-de-semana vi (pela primeira vez, confesso) o filme: “Separados de fresco”. Achava eu que ia ver uma comédia romântica, digna de uma tarde fria de inverno e dou por mim a pensar seriamente nas relações homens-mulheres e a irritar-me com a estupidez (desculpem!) das mulheres, com as reações básicas dos homens, e com o tempo que se perde em discussões!
Ri-me por vezes, é verdade, mas creio que o filme é uma armadilha: esconde-se por trás de uma aparência lúdica e afinal põe-nos a refletir.
Aconselho-o. No filme, podemos ver de uma forma bastante crua e básica, as grandes diferenças que separam, por vezes, abissalmente, as mulheres e os homens, e vice-versa.
Brooke (Jennifer Aniston) e Gary (Vince Vaughn) são o casal vítima desta análise: o que parecia ser uma relação amorosa promissora começa a deteriorar-se até que chega o momento de colapso no qual Brooke põe fim a tudo. Questão prática: a casa que partilham foi comprada por ambos. Depois de muito discutir, decidem partilhá-la até que um deles ceda.
Vemos então um casal que gosta genuinamente um do outro, mas incapaz de o mostrar, incapaz de assumir alguns erros, incapazes de conviver.
Na fase em que atravessamos, que muitos dizem ser a era da pastilha elástica ou do fast-food, em que tudo acontece muito rápido e é ainda mais rapidamente deitado fora, um filme como estes, por entre piadas, obriga a pensar. Retrata a vida como ela é: o dia-a-dia e as relações têm sempre um lado cómico e um dramático, têm sempre as suas dificuldades, os erros, os esforços em vão e os arrependimentos. Afinal, as relações idílicas não passam disso mesmo: idílicas e ilusões. É preciso trabalhar a relação para que esta seja “perfeita”.

No fim, e depois de algumas confusões e mal-entendidos, de seguidos ou não os conselhos dos amigos e colegas de trabalho surreais, as conclusões a que ambos chegam parecem ser as mais acertadas e sensatas!!

Autismo

O autismo é uma das mais graves perturbações de desenvolvimento da criança, que resulta numa incapacidade que se prolonga durante toda a vida. Manifesta-se através de dificuldades muito especificas ao nível da interação social, da aquisição e uso convencional da comunicação e da linguagem, pela restrita variedade de interesses e alterações do comportamento.
Estas perturbações, estão geralmente associadas a dificuldades em utilizar a imaginação, em aceitar alterações de rotinas, a um défice de atenção e de concentreção, à falta de motivação e à exibição de comportamentos estereotipados, implicam também um défice na flexibilidade de pensamento e um modo de aprender peculiar.

SUGESTÕES:
Filme: "Loucos e Apaixonados" (2005)
Antes de mais, queria salientar que o título original do filme  é "Mozart and the Whale", estando em sintonia com o filme e sendo uma metáfora correspondente a cada uma das personagens protagonistas. "Loucos e Apaixonados" parece-me um pouco descabido e a utilização do termo "loucos" infeliz.
De qualquer das maneiras, e adaptações ingratas à parte, queria falar sobre este filme, que é interessante e importante para o público em geral e especialmente para quem se interessa por psicologia. Apesar de ser, no geral, uma ficção em forma de comédia romântica, "Mozart and the Whale" baseia-se na história, vida e dados verídicos de um casal em que ambos sofrem da Síndrome de Asperger. No filme, Donald (Josh Harnett) forma um grupo no qual indivíduos com diferentes tipos de autismo se juntam para fazer atividades, conversarem, conviverem, enfim, para terem companhia. É assim que conhece Isabelle (Radha Mitchell), e rapidamente começa uma história de amor, mas que, devido às dificuldades relacionais de cada um, não se adivinha fácil.
Através de uma versão algo romantizada e "hollywoodesca", vemos estes dois jovens a chocarem entre si, a se encontrarem de novo, a desistir e voltar a tentar, sendo sempre acompanhados pelos membros do grupo, algo invulgares. Por entre os elementos típicos deste tipo de filmes, são-nos dadas a conhecer algumas das características das pessoas com esta síndrome: o facto de, muitas vezes, terem aptidões fora do normal (Donald é obcecado por números e é eximio em matemática), a rotina necessária no seu dia a dia, o medo da mudança, a ligação aos animais, as dificuldades de integração social. Tudo isto exposto de forma bonita, comovente e mesmo desmistificadora do preconceito relacionado com alguns tipos de autismo. O próprio Jerry Newport, em quem a personagem de Donald é baseada, ajudou o argumentista, o que traz mais beleza e veracidade à história.
Como qualquer filme a tender para o comercial, temos muitos momentos em que os alegados "loucos" afirmam inocentemente coisas que os supostos "sãos" não têm simplicidade para compreender. A chamada "estalada de luva branca" que resulta na perfeição.
Enfim, é para ver (ou rever) para crer, compreender, conhecer, analisar e criticar.


Livro: O menino e o Cavalo. Autor Rupert Isaacson.
Autor de reportagens sobre viagens publicadas em prestigiados jornais e revistas, Rupert Isaacson, britânico a residir no Texas, utiliza a capacidade descritiva própria do jornalismo de género para partilhar a aventura mais importante da sua vida: uma viagem de cavalo pela Mongólia, na companhia da mulher, Kristin, e do filho, Rowan. O relato fascinante de um pai que descobre, por acidente, que o contacto do filho autista de cinco anos com Betsy, uma égua trigueira, desperta na criança reacções de afecto e progressos linguísticos.

Movido pela força do amor, Rupert ambiciona partir «para lá do Sol-posto», procurando juntar o poder curativo dos animais com o dos xamãs mongóis, os únicos elementos que exerceram alguma mudança no comportamento de Rowan. Durante muito tempo, Kristin, professora catedrática de Psicologia Clínica, mostra-se céptica face às ideias do marido, mas, cansada de submeter o filho a dezenas de terapias sem quaisquer resultados, sente que não tem nada a perder.

Além do receio das tempestades neurológicas de Rowan perante situações imprevisíveis, esta família, à beira da ruptura, carrega na bagagem a esperança de retirar o filho do seu mundo distante e incompreensível. «Oitenta por cento dos casais com filhos autistas, separam-se. Era fácil perceber porquê», escreve o autor.

Em permanente desespero para ajudar Rowan desde que confirmaram o seu autismo, aos 18 meses, estes pais reaprendem a sentir o espírito da aventura que os juntou e descobrem, que afinal, há lugar para os sonhos.

A cada passo de viagem, Rowan deixa o seu mundo fechado para partilhar emoções.

Um exemplo de coragem, apresentado com uma narrativa descontraída, mas profunda, que pode ajudar outras famílias com o mesmo problema.
Um livro que nos prova que, na vida, não existem impossíveis, por mais firmes que nos pareçam os obstáculos..
Trailer do livro:

À procura da terra do nunca



Não sofro de Síndrome de Peter Pan, mas, por vezes, considero que nunca deixei de ser criança. Talvez por isso seja fã de contos infantis. Sim, e sinto uma especial simpatia pela magia de Peter Pan. O que justifica o facto de, em 2004, aquando do seu lançamento, ter ficado rendida ao filme: À Procura da Terra do Nunca”, de Marc Foster.
Vejo o mundo a cores. Acredito no que as crianças podem trazer de novo. Porque elas, afinal, “não são o melhor do mundo”, mas o melhor de nós mesmos…

Não é preciso muito para que existam coisas extraordinárias na vida e, apesar de poder parecer que vivemos num quadrado, há mais vida fora do perímetro do quadrado. É nesses quadrados da existência que estão os Capitães Ganchos que nos levam a repetir o conhecimento, ao invés de o alargar, achando que devemos ser todos iguais e uniformes, e não educados para a diferença, de modo a encontrar a prometida Terra do Nunca. É nesse quadrado que estão a inveja e a condescendência dos adultos (representado pelo Capitão Gancho, Smee, e os demais piratas), que vivem numa ilusão obstinadamente persistente. E é fora dele que está a terra dos sonhos, onde as fadas nascem quando um bebé esboça um sorriso perante os seus entes mais queridos, porque as fadas são esses familiares que vêm o sorriso e que levam, pelas suas mãos, as crianças à terra do nunca.


SINOPSE
À Procura da Terra do Nunca, é um conto mágico inspirado na vida do escritor James Barrie, que deu vida ao célebre Peter Pan, um dos maiores heróis das histórias infantis. Um génio literário, Barrie aborrecia-se com os temas da época e procurava inspiração para uma nova peça. E inesperadamente encontrou-a onde menos esperava, quando se cruza com uma bela viúva e os seus quatro filhos, os Llewelyn Davis. Barrie torna-se amigo dos cinco e transforma-se no seu companheiro de histórias e aventuras, onde todos se transfiguram em cowboys, índios, piratas, reis e fadas. Os jovens Llewelyn Davis acabam por ser batizados “Os Rapazes Perdidos da Terra do Nunca”. Assim Nasce “Peter pan”, a peça com que Barrie desafia todas as convenções, pondo atores a voar e a falar com pequenas fadas. Porque tudo isso é possível na terra do nunca.”
PARA COMPLEMENTAR: uma SUGESTÃO DE LEITURA
“Chega-te a mim e Deixa-te ficar", de Eduardo Sá
Editor: Oficina do Livro


Sinopse
"Há pessoas sem prazo de validade. E é por isso que quando escrevem, esses textos também ficam para sempre. Podemos lê-los hoje ou amanhã, duas horas antes das refeições ou deitados num sofá, e tocam-nos sempre. E alargam-nos os neurónios, e fazem melhor à alma do que as vitaminas. E às vezes dão-nos, finalmente, a autorização de que precisávamos para chorar. Outras fazem-nos desconfiar: "De onde é que este tipo me conhece?" Mas valem sempre a pena ler, porque quando se faz ginástica com a linha com a linha do horizonte e a curvamos à nossa medida encontramos o Eduardo Sá."
Isabel Stilwell

Excerto
Há pessoas que põem palavras nos nossos sentimentos. Parecem-se com os poetas. Mas depois, de surpresa, abandonam os nossos sonhos pé ante pé ou de «pantufas». Não sei... Na verdade, decepcionam-nos (devagarinho) e, quando damos por isso, apagam-se dentro de nós. Deixam de ser preciosas e, por tudo o que valeram, não podem voltar a ser só nossas amigas. Partem, portanto, para uma «terra de ninguém», muito distante do sítio onde vivem os génios da lâmpada, o Pai Natal, as fadas e os duendes. E por lá ficam. Mais ou menos errantes.
Imagino esse lugar, onde se acotovelam tantas pessoas que nos disseram tanto, como um Purgatório, com a particularidade de lá não se ser promovido, com facilidade, até ao Céu. É verdade que essas pessoas não se transformam num inferno dentro de nós, embora, por vezes, surjam, ora como um vulto ora como uma silhueta ou, até mesmo, como uma estrela cadente que, atravessando o nosso coração, já não provoca um arrepio (muito menos, um calafrio, que são aqueles sentimentos impetuosos que nos desabotoam a cabeça e nos deixam a arder de paixão e a tremer de medo, ao mesmo tempo).

Afinal, não são nem amigos nem amores. Transformam-se num museu? Numa arqueologia de todos os amores, por exemplo? Às vezes, nem nisso. Infelizmente. Se fosse assim, estáticas ou em pequenos pedaços de histórias, empoeirados, seguravam-se no nosso coração. O que não acontece às pessoas que foram perdendo a magia...

Este «não sei para onde» (eu sei que, dito assim, custa só de pensar) é uma espécie de cemitério de poetas dentro de nós. Um lugar de silêncio que convida a espreitar para o que sentimos. Com surpresa e com dor, ao descobrirmos que, ao contrário do que sempre desejámos, há relações — luminosas — que foram morrendo para nós. Às vezes, assusta. Afinal, não é simpático descobrirmos que mora em nós alguém que, não sendo o Capitão Gancho, tenha ajudado a morrer (de inanição, por exemplo) quem trouxe poesia, ou luz, ou um insustentável rebuliço ao que sentimos... Às vezes, atormenta. Porque magoa descobrirmos que — mesmo quando nos imaginamos a dar a sala mais espaçosa do nosso coração — também nós, dentro de algumas, vivemos sem viver, errantes, nesse «não sei onde» de alguém, entre os seus amigos e os seus amores. Às vezes ainda, somos tocados pêlos galanteios da vida e, levados pelo entusiasmo, imaginamos que, se desejarmos com muita força, algumas das pessoas que guardamos no nosso cemitério de poetas ressuscitam e regressam, cheias de luz, para surpresa do Pai Natal ou das fadas (que, sendo mágicos, parecem viver num mundo de bolas coloridas de sabão). Eu sei que também entre as pessoas há quem pareça mágico mas intocável. Como eles. Mas não se esqueça: esse é o cais de embarque que, de surpresa, nos pode levar (sem volta) para o cemitério dos poetas."