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Feliz Dia das Irmãs

"ainda que tu estejas aí e tu estejas aí e
eu esteja aqui estaremos sempre no
mesmo sítio se fecharmos os olhos
serás sempre tu e tu que me ensinarás
a nadar seremos sempre nós sob
o sol morno de julho e o véu ténue
do nosso silêncio será sempre o
teu e o teu e o meu sorriso a cair
e a gritar de alegria ao mergulhar
na água ao procurar um abraço que
não precisa de ser dado serão
sempre os teus e os teus e os meus
cabelos molhados na respiração
suave das parreiras sempre as tuas
e as tuas e as minhas mãos que não
precisam de se dar para se sentir
ainda que tu estejas aí e tu estejas aí e
eu esteja aqui estaremos sempre
juntos nesta tarde de sol de julho
a nadarmos sob o planar sereno dos
pombos no tanque pouco fundo da
nossa horta sempre no tanque fresco
da horta que construíram para nós
para que na vida pudéssemos ser
mana e mana e mano sempre." José Luís Peixoto

CRESCER É | GROWING UP IS

Crescer é uma receita razoavelmente simples: dar o mais possível de colo, um q.b. de autoridade e o mais possível de autonomia.
As crianças autónomas são expeditas, afoitas, sentem, pensam e fazem. Passividade e paixão não casam.
Eduardo Sá
(Psicólogo Clínico e Psicanalista)

Growing up is a fairly simple recipe: care and comfort the most, a bit of authority and autonomy as much as you can. The autonomous children are resourceful, reckless, they feel, think and do. Passivity and passion do not get married.
Eduardo Sá
(Clinical Psychologist and Psychoanalyst)

O Respeito, O Segredo e A Mentira

"- Nunca te irei pressionar, nunca, ou insistir em saber coisas que são apenas tuas (...). Há coisas que não posso contar-te, pelo menos por enquanto. E não te peço nada que não me possas dar. Mas o que te peço é que, quando realmente me contares alguma coisa, que seja verdadeira. Prometerei fazer o mesmo. Não temos nada entre nós neste momento, a não ser, talvez, respeito. E acho que o respeito pode ter espaço para segredos, mas não para mentiras. Concordas? (...)
- Sim, concordo. Serei sincera."
Diana Gabaldon in Nas Asas do Tempo

Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes...

 ...e as suas existências jamais serão esquecidas. Principalmente quando o seu brilho fica eternizado nas páginas dos livros.
"A vida de uma pessoa não é o que lhe acontece, mas aquilo que recorda e a maneira como o recorda." 

Gabriel Garcia Marquez em "Cem anos de Solidão"

Chico Buarque define, sabiamente, solidão...

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência!
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade!
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio!
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente... Isto é um princípio da natureza!
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto e circunstância!
Solidão é muito mais do que isto...
SOLIDÃO é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.

Francisco Buarque de Holanda
 (Poeta, compositor e cantor)

SOBRE A REVOLTA DO MAR


Fotografia| Rafael Peixoto

Saímos de casa e a rua tornou-se nossa e os heróis, em cima de chaimites, eram iguais a nós, estavam ali e também eram nossos…

As fábricas, os campos, os barcos pertenceram-nos; homens e mulheres, de rosto queimado pelo sol e pela geada do interior da nossa terra, saíram das aldeias, vieram ver o outro lado do mundo e exclamaram: Olha o mar! e ficaram encantados, porque o mar também lhes pertencia…

Correu um vento novo pelas planícies e pelas serras e mãos calejadas sentaram-se pela primeira vez em bancos de escola e aprenderam a escrever o seu nome em letras grandes e assumidas.

O futuro já tinha chegado e o impossível tinha-se cumprido.
Os vampiros refugiavam-se atrás do nevoeiro e as hienas trabalhavam na sombra….

O amor, esse inventava-se, sem sinais proibidos, descia a avenida de mãos dadas com o sol e até a liberdade tinha atracado no Tejo.
Hoje, as hienas estão aí, os vampiros escondem o céu do nosso país e só o mar mostra a revolta…

Nenhum povo, depois de ter conhecido o sol, pode ficar silenciado por um tempo de chuva! Se somos um país de marinheiros, por que é que estamos a deixar o mar sozinho?!


Memória de um tempo que tem de ser presente por Ana Paula Alexandre.


FRASE DO DIA| "I am the master of my fate; I am the captain of my soul."

‘(...) It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.’

Invictus,
William Ernest Henley 

Mais do que dizer o quanto sinto a partida de Nelson Mandela, mais do que partilhar as suas sábias palavras, procuro, neste breve texto, demonstrar porque é que Mandiba (ou Madiba) é um daqueles casos raros de seres humanos dos quais se pode afirmar que chegou ao último estádio/nível de desenvolvimento moral - ponto máximo de maturidade e consciência moral
Para iniciar, coloco uma questão: quantos de nós se revelaria pronto a morrer por uma causa/por um princípio ético e universal?

Moralidade tem a ver com a ação de um ego, de um sujeito que relaciona a sua ação com a ação dos outros (interação). Pressupõe uma causa de ação, uma explicação para as razões, motivos, intencionalidade do ator/sujeito.

De acordo com a teoria de Kohlberg, o desenvolvimento moral evolui ao longo de 6 estádios/níveis, independentemente da cultura, grupo social ou país.. Os estádios/níveis representam o desenvolvimento da perspetiva sociomoral dos indivíduos em direção à descentralização crescente, partindo-se do interesse pessoal (egocentrismo/heteronomia), passando pelo dever de manutenção de normas (semi-autonomia), até o pensamento orientado por princípios éticos universais (autonomia/descentração), ponto máximo de maturidade e consciência moral. Segundo Kohlberg, muitos adultos não chegam ao estádio/nível 5 e são raros os que chegam ao estádio 6.

[6º Princípios Éticos e Universais: o indivíduo reconhece esses princípios e age de acordo com eles. Se as leis injustas não puderem ser modificadas pelos canais democráticos legais, o indivíduo ainda assim resiste-lhes. É a moralidade da desobediência civil, dos mártires e dos revolucionários pacifistas e de todos os que permanecem fiéis aos seus princípios, sem se conformarem com o poder, quando este estabelece uma ordem injusta. A perspetiva adotada é a de um ponto de vista moral, onde qualquer ser racional que reconhce como natureza da moralidade o facto de que as pessoas são um fim em si mesmas e precisam ser tratadas como tal.]

Existem dúvidas de que Nelson Mandela, há muito, se encontrava no 6.º estádio de desenvolvimento moral?
Mandela, no seu julgamento por atividades de sediação e sabotagem em 1963-1964 (‘Rivonia Trial’), declarou-se pronto a morrer pelos seus ideais de igualdade e democracia. Os advogados de defesa terão tentado convencê-lo do contrário, mas Mandela manteve-se  ‘Invictus’ e preferiu correr o risco de ser condenado à pena de morte. Felizmente tal não aconteceu mas passou quase 3 décadas na prisão.
O poema Invictus , de William Ernest Henley, inspirou Nelson Mandela durante o seu calvário de 27 anos na prisão, a maioria dos quais passados em trabalhos forçados e condições desumanas em  Robben Island.
Durante toda a sua vida, mas principalmente nessa fase, Mandiba revelou uma extraordinária capacidade de resistir integro (invictus) à terrível opressão que sofreu em função da sua longa luta pelo fim da Discriminação Racial (cristalizada em lei, durante o apartheid, no seu país).

Para além dessa fase, Mandela lutou em prol da reconciliação interna e externa. Perdoou, publicamente, os próprios carrascos e ter criou uma comissão para investigar os crimes cometidos tanto pela oposição negra como pelos dirigentes brancos. Se isso não bastasse, apanhou todos de surpresa ao ter abandonado, voluntariamente,  o poder, coisa rara entre os presidentes africanos.

Se ainda não viram o filme aconselho. Pela história, pelo realizador, pelos atores, mas, acima de tudo, pela lição de vida. Este filme, para além de muitos outros aspetos, deixa bem evidente a importância de um povo, de uma nação, partilhar a mesma linguagem, principalmente partilhar uma mesma linguagem de emoções. Isso une. 
Só de rever o Trailer emocionei-me.

Muito mais poderia dizer acerca deste meu ídolo, mas prefiro apenas acrescentar a pergunta: “Como é possível alguém sofrer o que este HOMEM sofreu e, ainda assim, ser capaz de perdoar?” Parte da resposta talvez esteja na deixa de um segurança de Mandiba que, numa cena de Invictus, afirma para outro colega: “para ele, ninguém é invisível”.

Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes.
Obrigada.

PALAVRAS QUE ME INSPIRAM| Procura-se um amigo


Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir o que as palavras não dizem. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, das estrelas, do sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. 
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. 
Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem de ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações da infância. Preciso de um amigo para não enlouquecer, para contar o que vi de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças d´água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Preciso de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela,mas porque já tenho um amigo. Preciso de um amigo para parar de chorar. Para não viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que bata nos ombros sorrindo e chorando, mas que me chame de amigo, para que eu tenha a consciência de que ainda vivo.  -- Vinicius de Moraes

DOS DIAS DE OUTONO| Domingo

© Fotografias| Liliana Fernandes - Butterflies & Hurricanes

Os dias bons são os dias em que se acorda, tendo dormido oito, nove ou, melhor ainda, dez horas e, refletindo naquela ronha de quem já não consegue dormir mais mas gosta de ficar na cama (porque a temperatura e a companhia são perfeitas), se lembra que não tem nada para fazer, senão tomar o pequeno-almoço, o almoço, o chá e o jantar. E, se quiser, entretanto, nalgum intervalo qualquer, trabalhar, tanto melhor. Mas não importa. Dias de domingos…: dias de prazer sem saber. 
Os dias bons nunca acontecem. Acontecem, quando muito, cinco ou dez mil vezes numa vida...
Miguel Esteves Cardoso

Palco do Tempo

08 de Outubro de 1998, José Saramago torna-se o primeiro autor de língua portuguesa a ganhar o Prémio Nobel de Literatura.
Existe uma frase do "nosso Nobel da Literatura" que gosto de parafrasear: " Na vida não tenhamos pressa, mas não percamos tempo."

"Este ano, a Academia atribui o prémio Nobel da Literatura ao escritor português José Saramago...
que através de parábolas sustentadas pela imaginação, compaixão e ironia nos permite aprender continuamente uma realidade ilusória..."

Para ouvir| Noiserv - Palco do Tempo... da banda sonora do documentário José & Pilar.

FRASE DO DIA| Paciência: intervalo entre o casulo e uma linda borboleta...

© Fotografia: Butterflies & Hurricanes| Butterfly Mary

Deixo-vos com as palavras de uma amiga* especial...

"(...) Como a lagarta transformamo-nos enquanto aprendemos, precisamos de alimento, calor, água, sol e o mais importante, de medida. Entretanto, cada pessoa ou lagarta vai ter a sua medida e o seu tempo.
Por isso, não adianta querer apressar o processo, pois para as asas da borboleta se abrirem e, esta, mostrar a sua beleza por completo, é necessário ter paciência e sabedoria, sendo que o momento de ser casulo é necessário para acomodarmos novas informações e assimilá-las. Enfim, não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."

*Cibele Simões - Psicóloga Social e Clínica (Psicoterapeuta Sistêmica)
Texto disponível em:  www.psicologiaviva.com.br (Ciclo-Ceap - Centro de Estudos Avançados de Psicologia)

Mr. Carousel

"Das habilidades que o mundo sabe, essa ainda é a que faz melhor: dar voltas.''- José Saramago

E é sobre essas voltas que nos fala esta música de Noiserv. Gosto tanto!

Frase do dia: "We will be victorious"

Se é verdade que "os tempos de hoje são lixívia, descolorindo os encantos", também é verdade que temos de contrariar a realidade (pelo menos tentar). A passividade estagna-nos. O silêncio apaga-nos.


...It's time the fat cats had a heart attack...
We have to unify and watch our flag ascend
They will not force us
They will stop degrading us
They will not enslave us
We will be victorious...

Muse  - Uprising

"Cada povo tem direito à sua música e ao silêncio. Tem direito a dicidir de que modo quer interromper o silêncio. Direito a escolher que sons quer: que palavra e que nota musical. Mas, repara: não há silêncios populares. Como isso assusta." -- Gonçalo Tavares

“Só pode amar e amar-se quem foi amado”


“(…) Depois, toda ela se adoçou, maternalmente. E se aproximou do marido, acatando-o no peito. E sentiu que já não era apenas o espreitar da lágrima. O seu homem se desatava num pranto. Vendo-o assim, babado, e minguado, minha mãe entendia que o velho, seu velho homem, queria, afinal, ser sua única atenção.

Conduziu-o pela mão, minha mãe o fez entrar e lhe mostrou o neto já dormido. Pela primeira vez, meu pai contemplou o menino como se ele acabasse de nascer. Ou como se ambos fossem recém-nascidos. Com desajeitadas mãos, o velho Zedmundo levantou o bebé e o beijou longamente. Assim, demorou como se saboreasse o seu cheiro. Minha mãe corrigiu aquele excesso e fez com que o miúdo voltasse ao quente do colchão. Depois o meu pai se enroscou no desbotado sofá e minha mãe colocou-se por detrás dele a jeito de o embalar em seus braços até que ele adormecesse.

Na manhã seguinte, ainda cedo, encontrei os dois ainda dormidos: meu velho no sofá e, a seu lado, o adiado neto. Minha mãe já tinha saído. Dela restara um bilhete rabiscado por sua mão. Não resisti e espreitei o papel. Era um recado para meu pai. Assim:
“Meu Zedmundo: durma comprido. E trate desse menino, enquanto eu vou à cidade.”
Entre rabiscos, emendas e gatafunhos, o bilhete era mais de ser adivinhado que lido. Dizia que meu pai ainda estava em tempo de ser filho. Culpa era dela, que ela já te esquecido: afinal, meu pai nunca antes fora filho de ninguém. Por isso não sabia ser avô. Mas agora, ele podia, sem medo, voltar a ser seu filho.
“Seja meu filho, Zedmundo, me deixe ser sua mãe. E vai ver que esse nosso neto nos vai fazer sermos nós, menos sós, mais avós.”"
Mia Couto in Fio das Missangas/O Adiado Avô

Foto: Butterflies & Hurricanes
(uso desta foto não autorizado)

Tal como defende Bandura, a ideia que os indivíduos têm de si mesmos deriva da forma como são tratados pelos contextos e pelo ambiente social. E aqui os pais ocupam um lugar priveligiado, pela ligação específica que o bebé e a criança vão estabelecendo com eles.
A socialização é uma rua de dois sentidos. Quando Coimbra de Matos nos diz que "só pode amar e amar-se quem foi amado" - numa sequência natural que inicia no ser-se amado (pelos pais), que passa pela capacidade de se amar (a si mesmo) para finalizar na possibilidade de amar o outro - possui subjacente a convicção de que os pais (os bons pais - biológicos ou adotivos, acrescenta ele) desempenham um papel fundamental no crescimento saudável e harmonioso do bebé e da criança, um papel onde a sua capacidade de amar incondicionalmente e a não exigência de retribuição desse amor são essenciais para que o seu filho desenvolva uma boa estima de si.

Hoje o Fernando Pessoa faz 123 anos, poeta português.


Hoje de manhã saí muito cedo

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
     Alberto Caeiro (pseudónimo de Pessoa)

 Álvaro de Campos (pseudónimo de Pessoa)
por Noiserv 
Ah! Ser indiferente!



Um lugar qualquer no espaço




Imagine

A dream you dream alone is only a dream, a dream you dream together is a reality. 
John Lennon


A ideia do projeto, Playing for Change, formado por músicos vindos dos 4 cantos do mundo, surgiu da crença de que a música tem o poder de atravessar fronteiras e superar a distância entre as pessoas. Sejam as diferenças geográficas, políticas, económicas, espirituais ou ideológicas, a música tem o poder universal de transcender e unir a todos como um só povo. 
Sou fã do projeto, dos talentos, da ideia... Vejam o vídeo e entendam porquê!

Se...



Ilustração by Ana Ascenção

Se eu pudesse te dizer, aquilo que nunca te direi.
Tu poderias entender, aquilo que nem eu sei.

S. Freud (caso Dora)

Sobre as crianças, diz Fernando Pessoa...




Grande é a poesia,
a bondade
 e as danças...

Mas o melhor
 do mundo são as
CRIANÇAS.


                                                                                                                                         (Sobrinha & Afilhada)

O Amor


O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que  há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P´ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa