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Yo soy Yo. Tú eres Tú.

Fotografia| Butterflies & Hurricanes
Yo soy Yo.
Tú eres Tú.
Yo no estoy en este mundo para cumplir tus expectativas.
Tú no estás en este mundo para cumplir las mías.
Tú eres Tú.
Yo soy Yo.
Si en algún momento o en algún punto nos encontramos,
será maravilloso.
Si no, no puede remediarse.
Falto de amor a mí mismo,
cuando en el intento de complacerte me traiciono.
Falto de amor a ti,
cuando intento que seas como yo quiero,
en vez de aceptarte como realmente eres.
Tú eres Tú y Yo soy Yo. (Fritz Perls)




No encontro de duas pessoas que se querem bem, como no amor romântico, é criada a união em que, ao mesmo tempo, ambos permanecem indivíduos sem desistir das suas características de personalidade que os distinguem, da sua identidade individual. Assim, os protagonistas de uma relação serão sempre três: "eu", "tu" e "nós"!

A intimidade extrema não é a situação ideal para duas pessoas que se querem dar bem. A proximidade excessiva dá sempre origem a que as pessoas se magoem.
A independência e a distância que advêm do respeito são essenciais para a dignidade pessoal do indivíduo, e este respeito deve ser mantido até com as pessoas que nos são mais próximas.
Uma vez quebrada essa distância de respeito, uma vez que tenha sido ultrapassada a marca e atingido o estado de “importunar”, de tal forma que as pessoas já não estão devidamente independentes umas das outras, então surgirão problemas. Não tardarão a verificar-se danos (que podem não ser percetíveis à primeira vista), o distanciamento ou até mesmo a rutura total no relacionamento.

By Liliana Fernandes

O MEU MUNDO EM POEMAS| "Ela canta, pobre ceifeira"

Várias vezes me questiono, e já o fiz aqui no blog: Quando a cabeça não pensa o corpo adoece. Mas...quando a cabeça pensa demais o que é que acontece? Enriquece?... Sempre pensei muito, em tudo e em todos. Não, não estou insatisfeita com a vida, mas um pouquinho de racionalidade a menos não me ficava mal! É que esta atitude, diria natural e inconsciente, por vezes cansa, desgasta...
Posto isto,  o poema "Ela canta, pobre ceifeira", de Fernando Pessoa, teria de ser um dos "meus" poemas...

Ela canta, pobre ceifeira, 
Julgando-se feliz talvez; 
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia 
De alegre e anônima viuvez, 

Ondula como um canto de ave 
No ar limpo como um limiar, 
E há curvas no enredo suave 
Do som que ela tem a cantar. 

Ouvi-la alegra e entristece, 
Na sua voz há o campo e a lida, 
E canta como se tivesse 
Mais razões pra cantar que a vida. 

Ah, canta, canta sem razão! 
O que em mim sente ‘stá pensando. 
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando! 

Ah, poder ser tu, sendo eu! 
Ter a tua alegre inconsciência, 
E a consciência disso! Ó céu! 
Ó campo! Ó canção! A ciência 

Pesa tanto e a vida é tão breve! 
Entrai por mim dentro! 
Tornai Minha alma a vossa sombra leve! 
Depois, levando-me, passai! 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

O MEU MUNDO EM POEMAS| Noturnamente

© Fotografia: Butterflies & Hurricanes

Noturnamente te construo 
para que sejas palavra do meu corpo 

Peito que em mim respira 
olhar em que me despojo 
na rouquidão da tua carne 
me inicio 
me anuncio 
e me denuncio 

Sabes agora para o que venho 
e por isso me desconheces 


© MIA COUTO 
In Raiz de Orvalho e outros poemas, 1999 

O meu mundo em poemas [7] "E por vezes..."

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira
1927-1996

Na minha humilde opinião, este é um dos mais belos sonetos escrito em língua portuguesa.

O meu mundo em poemas [6]

Poeme-se by Vânia Jordão
* Só para que não hajam confusões, com "lenine-se" Vãnia refere-se a Lenine: cantor, compositor, escritor, ator...

O meu mundo em poemas [5]


Sou composta de urgências.
As minhas alegrias são intensas;
as minhas tristezas, absolutas.
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos.
Eu não caibo no estreito,
eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve,
médio não me satisfaz,
metades nunca foram o meu forte!

Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são para mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas as atitudes ou me perdem, ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender
não é uma questão de inteligência
e sim de sentir,de entrar em contacto.
               Ou toca, ou não toca.
Clarice Lispector

O Meu Mundo em Poemas [4]

Foto by Rute Melo
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim.
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa


Também eu invejo a simples felicidade que existe quando se vive plenamente as coisas sem pensar...
Mas eu penso e sinto tudo demais...

O Meu Mundo em Poemas [3]


~~~

A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.
***


A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
Fernando Pessoa

Sinto-te...

O Meu Mundo em Poemas [2]

@Costa Norte de Portugal

Mar, 
Metade da minha alma é feita de maresia
***
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim
A tua beleza aumenta quando estamos sós.
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
***
Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar...

Sophia de Mello Breyner Andersen
(Atlântico, p.9; Mar Sonoro, p.16; Inscrição, p.40)

O Meu Mundo em Poemas [1]

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!...
Se têm a verdade guardem-na!...
(...)sou doido, com todo o direito a sê-lo...

Queriam-me casado, cotidiano, fútil e tributável?
Queriam-me o contrário disso,
o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa,
faria a vontade de todo o mundo.
Assim, como sou, tenham paciência!
Álvaro de Campos