Qual a distância ideal nos relacionamentos?

                                                                                                       @ Tibete

Pergunamo-nos muitas vezes o que devemos e não devemos fazer; o que é bom e o que é mau.
Na verdade, quando se trata de colocar estas questões, acontece com frequência que as coisas não podem ser divididas segundo ideias simples de: certo e errado, bom e mau, sim ou não. Aquilo que fazemos, e o ponto até o qual fazemos, tem também uma influência direta sobre como devemos agir. Chegar ao excesso ou não fazer o suficiente, são duas coisas que devem ser evitadas, tanto quanto possível.
Ir demasiado longe é tão mau como não ir suficientemente longe.
Onde quero chegar?! ... Aquando de uma publicação anterior dedicada ao tema da perturbação obsessiva-compulsiva, houve uma fecunda troca de ideias, com uma amiga do coração, sobre: " Até onde deveremos ir nos relacionamentos?" E, tal como lhe prometi, partilho o que, para mim, é a proximidade ideal…
Existe uma fábula que ilustra muito bem o meu ponto de vista.
Um grupo de porcos-espinhos, todos cobertos de picos aguçados, andavam juntos para se manterem mais quentes durante o Inverno, e não conseguiam perceber bem a que distância deviam estar uns dos outros. Se estivessem um nadinha demasiado afastados não conseguiam manter-se quentes, por isso chegavam-se mais uns aos outros; mas assim que se aproximavam mais os espinhos aguçados de uns picavam os outros, e assim começavam a afastar-se, só que mal o faziam começavam a sentir frio. Foram necessárias muitas tentativas e erros até que os porcos-espinhos conseguissem finalmente perceber qual o grau de afastamento a que deviam estar uns dos outros para se manterem quentes sem se magoarem.
A intimidade extrema não é a situação ideal para duas (ou mais) pessoas que se querem dar bem. A proximidade excessiva dá sempre origem a que as pessoas se magoem.
A independência e a distância que advêm do respeito são essenciais para a dignidade pessoal do indivíduo, e este respeito deve ser mantido até com as pessoas que nos são mais próximas.
Quer seja entre pais e filhos, entre marido e mulher, entre namorados ou entre amigos, uma vez quebrada essa distância de respeito, uma vez que tenha sido ultrapassada a marca e atingido o estado de “importunar”, de tal forma que as pessoas já não estão devidamente independentes umas das outras, então surgirão problemas. Não tardarão a verificar-se danos (que podem não ser percetíveis à primeira vista), o distanciamento ou até mesmo a rutura total no relacionamento.
Devemos manter uma distância adequada e concedermos uns aos outros espaço para respirarmos. Isto assemelha-se ao estado Budista Zen a que chamam “a flor que não está totalmente aberta, a lua que não está totalmente cheia”. Este é o melhor estado que pode existir entre as pessoas. Assim que uma flor se abre completamente começa a murchar; assim que a lua fica completamente cheia começa a minguar. Mas quando a flor não se encontra totalmente aberta nem a lua completamente cheia, ainda sentimos a antecipação e temos algo que desejar.
O mesmo acontece sempre com os amigos e a família. Ao conceder-lhes espaço descobrirmos que novos horizontes se abrem diante dos nossos olhos...