EM VIAGEM| Memórias do Tibete

Em 2010, tive a oportunidade de realizar uma das viagens dos meus sonhos: Tibete. Viagem que teve início em Katmandu, Nepal (onde aguardamos o visto que nos autorizou a entrada no Tibete), seguindo-se Lhasa (capital tibetena) e, posteriormente, subida até ao acampamento base (norte) do Monte Everest, situado a uma altitude de 5150 m, aí conheci o mais azul dos céus... - imagem que viverá gravada em mim.
Por terras tibetanas, para além de muitas outras "coisas" para as quais me faltam palavras para as descrever, conheci o silêncio perfeito. Percebi, com o breve contacto com nómadas tibetanos, que a natureza lhes proporciona tudo aquilo de que necessitam (mesmo quando parece ter tão pouco para oferecer), aprendendo, dessa forma, que os conceitos de escassez e pobreza podem ser bastante relativos (ou o de riqueza, dependendo da perspetiva com que se encare a nossa perceção do mundo!). Percebi, ainda, o quão nós, ocidentais, nos escravizamos em prol de necessidades por nós criadas/impostas... Esta viagem, da qual um dia partilharei fotografias e mais detalhes, foi uma verdadeira lição, foi como que um súbito distúrbio no meu padrão de vida...

 Esta frase (e imagem) do alpinista português João Garcia diz tudo...

FRASE DO DIA! Do que é que eu gosto? Simples: eu gosto de gostar.

É a possibilidade de gostar e de alimentar as minhas paixões que me motiva, que me leva a criar objetivos, que me impõe metas, que me faz dar o máximo de mim... que dá significado aos meus dias. Se assim não fosse, viver seria um fardo, um castigo... Daí, concluo que o verbo que melhor combina com viver é: GOSTAR, e a aptidão é: SABER GOSTAR!

O MEU MUNDO EM POEMAS| "Ela canta, pobre ceifeira"

Várias vezes me questiono, e já o fiz aqui no blog: Quando a cabeça não pensa o corpo adoece. Mas...quando a cabeça pensa demais o que é que acontece? Enriquece?... Sempre pensei muito, em tudo e em todos. Não, não estou insatisfeita com a vida, mas um pouquinho de racionalidade a menos não me ficava mal! É que esta atitude, diria natural e inconsciente, por vezes cansa, desgasta...
Posto isto,  o poema "Ela canta, pobre ceifeira", de Fernando Pessoa, teria de ser um dos "meus" poemas...

Ela canta, pobre ceifeira, 
Julgando-se feliz talvez; 
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia 
De alegre e anônima viuvez, 

Ondula como um canto de ave 
No ar limpo como um limiar, 
E há curvas no enredo suave 
Do som que ela tem a cantar. 

Ouvi-la alegra e entristece, 
Na sua voz há o campo e a lida, 
E canta como se tivesse 
Mais razões pra cantar que a vida. 

Ah, canta, canta sem razão! 
O que em mim sente ‘stá pensando. 
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando! 

Ah, poder ser tu, sendo eu! 
Ter a tua alegre inconsciência, 
E a consciência disso! Ó céu! 
Ó campo! Ó canção! A ciência 

Pesa tanto e a vida é tão breve! 
Entrai por mim dentro! 
Tornai Minha alma a vossa sombra leve! 
Depois, levando-me, passai! 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

DO MEU NATAL [4]| Este ano deu-me para isto: árvore 90% artesanal e low cost!

 Boneco de neve, reutilização de uma lâmpada, da autoria da sobrinha/afilhada
 Bolas de esferovite forradas com tecidos, da minha autorira!
 O ramo foi pintado de branco, também por mim!
Os Pais Natal...esses foram oferecidos há muitos anos. Adoro-os!
Fotografias| Butterflies & Hurricanes

Gosto de sentir esta magia natalícia que já se vive aqui em casa. Há uns instantes atrás, sem me dar conta, comecei a vaguear pelas memórias dos Natais da minha infância… Recordo-me que era mágica aquela ansiedade infantil vivida antes de se iniciar todo o ritual de decorar a casa, enfeitar o pinheirinho e montar o presépio. Mas não havia nada de mais belo do que a euforia provocada pela expetativa da tão desejada chegada do Pai Natal…Eu e as minhas irmãs, a muito custo, mantínhamo-nos acordadas até à meia-noite do dia 24, e… “façam pouco barulho: - escutem, é ELE!”. Não havia excessos na generosidade do velhote de barbas brancas, mas fazia-nos sentir tão especiais! A minha mãe, como a minha mãe dava amor, cor e sabor àqueles Natais… Boas Memórias, Muitas Saudades (imensas)…