PENSAMENTOS SOLTOS

Cedo me fizeram entender, felizmente, que todo o ponto de vista é a vista de um ponto. Por isso mesmo aprecio tanto a tolerância. Por isso mesmo me incomoda tanto aquela teimosa insistência de verdade pessoal como se fosse única e absoluta.

Eu sinto, sinto muito, sinto demais! Tudo,todos.

Verbo que me define? Diria que é o verbo SENTIR.
Eu sinto, sinto muito, sinto demais! Tudo, todos.
Mesmo quando tento não me envolver. Mesmo quando tento não sofrer. Mesmo quando me tento desligar. Mesmo quando tento não amar. 
Mesmo na falta de sentido para este sentir.
Eu sinto, sinto muito, sinto demais! Tudo. Todos. 
E é por isso que as minhas tristezas são profundas. E é por isso que o mínimo me diz tanto. E é por isso que as minhas alegrias são intensas. E é por isso que os meus (des)amores são eternos.
Não tenho solução. O meu coração será sempre a minha razão.
Fotografia: Butterflies & Hurricacanes
@ Scotland

Palavras que poderiam ser minhas| "A vontade e o mundo"

"Sim, um dia vou cansar-me de querer conhecer o mundo, mas hoje ainda não é esse dia. Sinto uma espécie de tontura só de começar a conceber todos os lugares onde posso ir. Tenho os sentidos ávidos por tudo aquilo que me espera. Não tenho qualquer receio de estar sozinho, sem mapa, no centro de Singapura, numa avenida de Caracas, diante de uma paisagem do Alasca. Anseio por esse momento.
Quero aterrar em todos os aeroportos do mundo, quero conversar por gestos com gente de todos os países, quero provar o sal de todos os oceanos, senti-lo a cristalizar-se na pele. É muito fácil que chegue um dia em que deixe de acreditar em tudo o que acredito agora. A vida é composta por materiais bastante mais transitórios do que estamos dispostos a admitir. Mas, até lá, sempre que esteja diante de uma ementa onde não perceba uma palavra, continuarei a fechar os olhos e a pedir a primeira coisa onde deixe cair o meu indicador."
José Luís Peixoto, in Revista Volta ao Mundo (Abril 2014)
www.joseluispeixoto.net  

Não se iludam... falar de amor não é só uma necessidade de poetas!

Não vos parece que no nosso mundo o amor tem um estatuto ambíguo?

Por um lado, repetimos, vezes sem conta, que a vida não pode ser só trabalho, não pode ser só atividades que deixam de lado uma certa qualidade de investimento afetivo.
Por outro lado, achamos apatetadas e piegas as manifestações públicas de amor e as histórias que vamos conhecendo. Histórias de amores cruzados, encontros fortuitos, desencontros planeados. Ficamos, por exemplo, sem jeito quando os amigos (homens e mulheres já feitos!!) se desfazem em lágrimas porque o seu amado partiu, foi-se, desapareceu.
O cenário não melhora se se tratar de um jovem adolescente com menos vivência mas com idênticas crises de ansiedade e a convicção de que a vida vai colapsar e o mundo desfazer-se, porque ficou sem o seu amor.

Se, entretanto, as relações decorrem calmas, sem soluços, convulsões nem aflições, tendemos a pensar no hábito, no utilitarismo e no conformismo, como se, o bem-estar consecutivo tivesse qualquer coisa de entediante e artificial.

Acresce que, por qualquer púdica razão muito precocemente enraizada, evitamos expressar as emoções e falar nos sentimentos e comportamentos que giram em volta de alguém que desejamos e amamos.
Por vezes, fico com a sensação que só em jeito de brincadeira e com a leveza própria do que não é importante, nos é permitido abordar emoções, por mais violentas e intensas que sejam.

Feitas as contas, ficamos sem saber o estatuto que deve ter o amor, o lugar que é suposto ocupar nas nossas vidas, o que é mais adequado para não cairmos no ridículo, para não fazermos figura de pinga-amores ou, pelo contrário, para não sermos vistos como chatos insensíveis e desinteressados. 

Não se iludam... falar de amor não é só uma necessidade de poetas!