BREVES DESABAFOS| Recordar...

Em contexto profissional conheci a M. (que tem um lindo sotaque brasileiro). Perguntei-lhe: “A M. está em Portugal há quanto tempo?”, ela respondeu: “Há muitos anos. Aliás, tenho mais anos de Portugal do que de Brasil. Sou filha de emigrantes portugueses.”, continuou: “Vou contar-lhe uma coisa: o meu marido tinha muita consideração pela sua mãe, tinha um grande carinho por ela. Deve conhecer... é o R. , foi colega da sua mãe no Tribunal de Monção...". Fiquei emocionada... A forma ternurenta e lisonjeia como se referiu à minha mãe deixou-me tão feliz, tão orgulhosa, tão vaidosa enquanto filha… Realmente, existimos enquanto formos recordados. Aquilo que fazemos em vida perpétua, ou não, a nossa existência (para o bem e para o mal, é certo).

Isso conforta-me.