Das páginas do meu diário [1]



(...) Choro com frequência, não controlo, não consigo controlar...Mas a verdade é que também não quero controlar...
(...) As manifestações de carinho e amizade ajudam-me… os amigos têm-se revelado verdadeiros amigos o que apazigua este vazio que sinto… e poder desabafar contigo ajuda-me.
(...) Sei que sou uma privilegiada enquanto filha porque lhe disse várias vezes o quanto a amava, porque a acompanhei até ao último minuto, por me ter dito várias vezes que se orgulhava de mim, por não ter ficado nenhum “se” entre nós… Contudo, a ferida é tão recente e a dor é tão forte que existem momentos em que penso que não serei capaz de superar, estou perdida, desorientada… A nossa cumplicidade era tanta que parecíamos duas pessoas numa só…era o meu porto seguro e eu o seu. Perdê-la foi sempre o meu maior medo...agora, já nada temo… Este é o meu estado de alma: triste, profundamente triste. Estou a tentar fazer o luto: assistir a tudo, mexer na roupa, ver fotografias, ler as cartas -  que sempre terminavam:“(...) Beijinho da mãe que te adora e que sempre estará contigo” -, … mas estes sentimentos de perda, dor, revolta…estão a consumir-me…já não me reconheço (...)