A minha pomposa teoria filosófica

Uma espécie de mensagem de Natal 
Gosto de sentir esta magia natalícia que já se vive aqui em casa. Há uns instantes atrás, sem me dar conta, comecei a vaguear pelas memórias dos Natais da minha infância… Recordo-me que era mágica aquela ansiedade infantil vivida antes de se iniciar todo o ritual de decorar a casa, enfeitar o pinheirinho e montar o presépio. Mas não havia nada de mais belo do que a euforia provocada pela expetativa da tão desejada chegada do Pai Natal…Eu e as minhas irmãs, a muito custo, mantínhamo-nos acordadas até à meia-noite do dia 24, e… “façam pouco barulho: - escutem, é ELE!”. Não havia excessos na generosidade do velhote de barbas brancas, mas fazia-nos sentir tão especiais! A minha mãe, como a minha mãe dava amor, cor e sabor àqueles Natais… Boas Memórias, Muitas Saudades (imensas)…
De facto, os “pensamentos são como as cerejas”, essa breve viagem ao passado, e fazendo uso da metáfora da minha primeira publicação, permitiu que se formasse uma nova “cadeia de bolinhas”, que é difícil de provar, mas que quero partilhar com vocês pois é aquilo em que eu acredito.
Acredito que tudo anda à volta do antes de e do “naqueles tempos”, que tudo gira em redor da antecipação do momento, mas não do momento em si, ao contrário do que nos diz a filosofia Zen!
Em alemão, existe uma bela palavrinha para isto: Vorfreude, que é ligeiramente diferente de “deleite” e de “prazer”. Digamos que é o “antes da alegria”, o “pré-gozo”, ou seja, o prazer de esperar pela chegada de um determinado momento, os estados de júbilo do tipo “mal posso esperar”, o esperar-desejar alguma coisa ou alguém…
Os sábios, os Dalai-Lamas, … dizem-nos que tudo está, supostamente, nos momentos – que devemos entesourar o momento e não nos importarmos com a continuação do tempo. Mas desde muito cedo, me apercebi de que, de alguma maneira, a beleza reside no tempo antes, na expectativa, na espera, na imagem imaginária, pintada na perfeição, desse instante no tempo. E então, depois que esse passou, num piscar de olhos, o que permanece connosco é a memória, o reflexo, a lembrança desse tempo.
Esperar pelo primeiro beijo pode dar-nos vagos arrepios de emoção pela espinha, mas quando acontece mesmo é um monte de moléculas em colisão – na verdade uma confusão. Em antecipação, o momento será glorificado pela inocência, pelo não saber. Na recordação, o momento será purificado pelos filtros da memória. E são estas fases, do antes e do depois, que sufocam por completo a monotonia diária.
Para pôr as coisas claramente: passem a vida na eterna felicidade de sempre ter alguma coisa para desejar, alguma coisa pela qual esperar, planos não realizados, sonhos que ainda não se transformaram em realidade. Tratem de ter sempre novas referências no horizonte, criem-nas deliberadamente. E, ao mesmo tempo, revivam as vossas memórias, sustentem-nas e acarinhem-nas, mantenham-nas vivas e partilhem-nas, falem acerca delas…
Façam planos e tirem fotografias!
Não tenho forma de provar que esta “pomposa teoria filosófica” está correta, mas antecipo intensamente o momento em que consiga prová-la e, quando o tiver feito, de certeza absoluta que jamais o esquecerei.