Criatividade… [2]


Terá a criatividade  uma base biológica?

Os cérebros das pessoas criativas parecem estar mais recetivos aos estímulos provenientes do meio ambiente circundante, enquanto os cérebros das outras pessoas parecem fechar-se a essa mesma informação. Estas últimas têm a capacidade de ignorar os estímulos considerados irrelevantes (processo a que nós psicólogos designamos de “inibição latente”). Assim, Jordan Peterson (University of Toronto), Shelley Carson (Harvard University) e Daniel Higgins (Harvard University) consideram ter identificado uma das bases biológicas da criatividade.

As pessoas criativas possuem níveis mais baixos de inibição latente, o que implica um trabalho contínuo de recolha da informação adicional, proveniente do exterior, com que são constantemente bombardeados. Em oposição, as pessoas pouco criativas classificam um objeto e posteriormente esquecem-no, mesmo que este seja mais complexo e interessante que aquilo que elas pensam.

Uma das questões que ocupam há mais tempo os cientistas é a relação entre loucura e criatividade. Ao que parece, os baixos níveis de inibição latente e a flexibilidade de pensamento excecional podem predispor para a doença em determinadas condições e para a criatividade noutras. Por exemplo:  nas etapas iniciais de doenças como a esquizofrenia, muitas vezes acompanhadas por sentimentos de profundo insight, conhecimento místico e experiências religiosas, ocorrem alterações químicas que fazem desaparecer a inibição latente.