Que enorme desafio este de crescer!!...

Disseste-me que gostarias de te chamar Beatriz. Porquê? Não sei. Talvez porque sim… Não temos de ter justificações para tudo, não é verdade?!
Então (Beatriz), porque és uma adolescente linda, e como falar contigo é sempre um prazer... escrevi este texto a pensar em ti, "a partir ti” e para ti…

Os pais dão-nos apoio e afeto…mas às vezes, em certas alturas, ou a partir de certa altura, é mesmo preciso mais…é tão bom que gostem de nós pelo que nós somos, como “pessoas” (e não “apenas” como filhos), é tão bom quando discutimos veemente as nossas ideias uns com os outros, é tão bom quando levamos aquela camisola tão gira e sentimos que olham para nós, é tão bom quando nos derretemos no primeiro beijo (numa altura em que estávamos quase a achar que só os outros andariam aos beijinhos).
Os pais “tomam conta” e preocupam-se, mas não entendem que os nossos amigos não são “contra” eles…são “outra coisa”. Quando os pais se alarmam e começam a impor as regras não partilhadas, mais ditadas pelo receio do que pelo bom senso…tantas vezes aos gritos ou em tom de ameaça…então começam o “braço de ferro”, as discussões, a mentira e o afastamento…

Os adolescentes precisam de pais que os inquiram sobre o seu sentido da vida e do crescimento, que os ouçam sobre os seus desafios e receios. Precisam de pais que vão acompanhando e monitorizando, para que os riscos, com que inevitavelmente vão ser confrontados ao crescer, tenham o mínimo de repercussões negativas possível. Precisam ainda de pais que não temam e ousem definir regras simples mas firmes e tranquilas de gestão da vida lá em casa. Precisam de expressar eles também as suas necessidades.
As palavras-chave são: NEGOCIAÇÃO, CAPACIDADE, AUTONOMIA E RESPONSABILIZAÇÃO em vez de controlo, força ou poder ou, por outro lado, demissão e permissividade.