INSUBSTITUÍVEL| "Ser ou não ser eis a questão!"

Não gosto de frases feitas, nem de morais de história… 
Hoje apetece-me falar da frase: “Ninguém é insubstituível”. No meu contexto, simplesmente não consigo conceber esta "teoria". Ou melhor, depende! Ontem parti uma jarra lá de casa. Com sorte, se encontrar uma igual, a jarra partida será substituída na perfeição…O espaço, agora vazio, será ocupado por uma “clone” sua e daqui a algum tempo talvez nem me recorde que aquele espaço foi outrora ocupado por uma outra jarra. Se são iguais, e cumprem o mesmo propósito, que diferença faz? Não é verdade?!

Pensando em pessoas…será mesmo possível que ninguém seja insubstituível? Como diz uma amiga, "pensem comigo": se eu vivi, por exemplo, uma história de amor (verdadeira) e essa história terminou… Tudo se resolve com uma substituição? Não, não me parece. Esse amor não pode ser substituído. Com o tempo irei, sim, organizar os meus sentimentos… e há de chegar o momento em que me sinta preparada (ou não) para viver outra – OUTRA – história, tão ou mais verdadeira que anterior. Ou, simplesmente, diferente (aliás, eu própria estarei diferente...). Terei, no entanto, de dar tempo ao tempo…Pois, para mim, é aí que reside um erro comum: pensando que a perda/sofrimento é minimizada com uma substituição, avançamos, quase de imediato, para outra experiência, sem nos termos dado a oportunidade de amadurecer com a experiência anterior... O que me leva a crer que, de duas uma: ou já estávamos mesmo com vontade de substituir a pessoa anterior (!!), ou passaremos a projetar na pessoa substituta as características da substituída – e as comparações serão sempre inevitáveis...
Não faço ideia se me estou a conseguir fazer entender, mas, para mim, cada pessoa na minha vida é singular. Cada uma delas ensinou-me a conhecer determinados sentimentos, ensinou-me a amadurecer, contribuiu para a minha transformação… Cada pessoa/ser é único e aquilo que é capaz de me proporcionar também o é.

A nossa história, a história da sociedade, a história de uma organização,... é fruto da soma das pessoas que a preencheram/preenchem. Parece-me que quando nos focamos na ideia de que “ninguém é insubstituível” anulamos o anterior, o passado, como se o que ficou para trás - o vivido, o experimentado, o realizado, o idealizado, o sonhado, o partilhado,... -  deixasse de ser válido. Ninguém vive sem passado. Só a partir dele poderemos almejar (de futuro) ser mais e melhor. Obviamente, haverá sempre o “antes de” e o “depois de”, mas sem anulações! 

Alguns de vocês dirão: “Existem algumas pessoas mais substituíveis do que outros!”. Até poderei concordar, mas não me digam é que ninguém é insubstituível!

Numa linguagem mais organizacional, “os profissionais são substituíveis, as pessoas são inesquecíveis!”

E para terminar ficam as palavras deliciosas de Antoine de Saint-Exupéry: “Cada um que passa na nossa vida passa sozinho, pois cada pessoa é única, e nenhuma substitui outra. Cada um que passa na nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito; mas não há os que não levam nada. Há os que deixam muito; mas não há os que não deixam nada…”